Góis faz balanço de sua gestão após seis anos de CUT e critica reajuste

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Deixando a presidência da Central Única dos Trabalhadores  neste fim de semana, Antônio Góis, fala da experiência, do trabalho nos dois mandatos, da eleição da nova diretoria e do congresso estadual que inicia nesta sexta-feira, 5. Como de costume, Góis não poupa palavras e fala da criação de sindicatos nos trabalhos, dos reajustes dos servidores e da possibilidade de um terceiro mandato para Lula.

Portal Infonet – O senhor anunciou a sua saída da presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE). Por que não participar de uma nova eleição?
Antônio Góis –
A minha saída é um processo normal. Estou finalizando o  meu segundo mandato, cada um de três anos. Estatutariamente não existe  qualquer impedimento. É uma questão de coerência e de renovação do quadro da direção sindical, que é fundamental que aconteça de tempos em tempos. Além de que, devemos evitar uma crítica histórica de alguns líderes de sindicato que se perpetuam no comando das entidades.

Infonet – Quando acontecem as eleições para a nova diretoria da CUT/ SE? Já existem candidatos?
AG –
A abertura do Congresso está prevista para esta sexta-feira, 5, e nos dias 6 e 7 acontecem os debates, a conjuntura, definição do balanço de mandato, definição do plano de ação da CUT/SE e a proposta de emendas para o Congresso Nacional da CUT que acontece entre os dia 3 a 8 de agosto, em São Paulo. A eleição acontece neste domingo, 7, como também a apreciação do plano de ação da CUT. O processo eleitoral da CUT é diferenciado, é congressual. Iniciamos com a  escolha dos delegados das entidades filiadas, que é em número proporcional a quantidade de associados a este sindicato. São cerca de 200  delegados que tem a responsabilidade de fazer todo este debate e de compor uma  chapa para a direção. E caso tenha mais de uma chapa acontece uma eleição. O processo é restrito a estes delegados. O professor Dudu de Estância é um nome que tem sido colocado como futuro presidente da CUT/SE. O cenário está tranqüilo.

Infonet – O seu nome não continuará fazendo parte da diretoria da CUT? Acredita que a nova direção dará seguimento aos trabalhos dos últimos anos?
AG-
Pessoalmente estava querendo dar uma parada, mas existe a possibilidade de continuar na direção da Central. Há também a possibilidade de termos uma série de entidades que estão se incorporando e irão participar deste processo de crescimento e consolidação da CUT no nosso Estado.

Infonet – O que o senhor pode destacar de trabalho e conquistas da CUT durante estes últimos seis anos que esteve a frente?
AG- Posso citar algumas ações que foram desenvolvidas neste período. Algumas no campo da ação: a mobilização do bloco carnavalesco Siri na Lata, referência de protesto e irreverência no carnaval sergipano; queima dos Judas e das maldades contra os trabalhadores, a realização de manifestações em datas históricas, como no Sábado de Aleluia [8 de março], no Dia do Trabalhador [1 de maio classista], entre outras. Além de outras manifestações cobrando apuração e punição em atos de corrupção como a Operação Navalha ; denúncias do Parlamento Estadual quanto a omissão na apuração de escândalos envolvendo políticos no nosso Estado, a luta em Defesa do rio São Francisco e  na preparação de lideranças das entidades sindicais. E na esfera institucional, tivemos um destaque na representação em vários Conselhos de Controle Social como o Conselho Estadual de Emprego e Renda, Conselho Municipal de Saúde, Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador, Conselho Estadual da Previdência  Social , Fórum em Defesa do São Francisco, Conselho de Ensino e Pesquisa da UFS, dentre outros.

Infonet -O que podemos informar como vitórias e conquistas efetivas da CUT/SE?
AG- A luta em defesa do trabalhador deve ser constante. Entramos, recentemente, com uma ação na Justiça contestando a política salarial do prefeito Edvaldo Nogueira que tramita na 12ª Vara Civil, questionando o reajuste do salário dos servidores em apenas 1% enquanto que os 
vereadores e secretários municipais receberam aumento em mais de 50%. Pode-se citar a luta contra a abertura dos supermercados nos feriados. A decisão de não abrir supermercados nos feriados foi uma vitória do movimento sindical, por que se dependesse do patrão abriria de domingo a domingo. Além de não deixar escândalos como o da Navalha não cair no esquecimento. E é bom ressaltar que ações deste tipo não existem em função de política baseado no ‘denuncismo’, mas pensando na defesa dos serviços e do patrimônio público.

Infonet – Historicamente a CUT ajudou a diversas classes a se organizarem e se posicionarem diante das lutas trabalhistas. Contudo, as dificuldades para alguns setores se engajarem em uma luta sem sofrer retaliações ainda acontecem. O senhor acredita que houve mudanças nesta abordagem?
AG – Este cenário de ameaças dos empresários diante dos empregados sempre existiram, principalmente no setor privado. Mas no setor público também acontece, tem sido comum denúncias nesta área. E por isso é necessário criar um processo sindical dentro do trabalho, para construir uma rede do sindicato até como forma de combater estas práticas inescrupulosas do patronato.

Infonet -O Congresso Estadual da CUT que acontece neste fim de semana abrangerá um Encontro de Comunicação. Qual é o tema? O evento é aberto ao publico?
AG- O Encontro  Estadual de Comunicação da CUT acontece nesta sexta-feira, 5 , das 9h às 17h, na nossa sede. O tema deste encontro é um questionamento: ‘É possível Democratizar a  Comunicação no Brasil?’  Ele é uma preparação para o movimento sindical participar da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, e também das etapas municipais e estaduais. O convidado para o evento é Alípio Freire, jornalista e escritor, membro do conselho editorial do Jornal Brasil de Fato e da direção da editora Expressão Popular. Também confirmou presença a secretária nacional de Comunicação, Rosane Bertotti, que também é membro titular da Comissão de Organização da 1a Conferência Nacional de Comunicação Social. Podem participar desse encontro, que será realizado no auditório da CUT, todos os delegados eleitos e inscritos para o 11º CECUT/SE, além dos comunicadores que assessoram as entidades cutistas, outros jornalistas e estudantes.

Infonet – Qual a sua avaliação sobre o índice de aumento dado pelo governo do estado aos servidores?
AG- O índice de reajuste linear anunciado foi de 5,53%, obtido com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do período de compreendido entre maio de 2008 a abril de 2009. Mas devemos lembrar que este índice  mede a inflação das famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1 (hum) e 40 (quarenta) salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos, e residentes nas áreas urbanas das regiões, o que não é o caso da grande e esmagadora maioria dos servidores. O Índice Nacional de Preço ao Consumidor – INPC abrange as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1 (um) e 6 (seis) salários-mínimos, ou seja mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, serve inclusive de parâmetro para o reajuste do salário mínimo. No mesmo período acumulou o percentual de 5,83%, destaca. Eu critico a metodologia usada em anúncio unilateral do governador Marcelo Déda, ao invés de um amplo processo de negociação. Faltou compreensão por parte do governo quanto ao papel de uma Mesa de Negociação, enquanto instrumento importante de democratização das relações de trabalho no serviço público estadual. O governo virou a mesa de negociação e tomou para si a 
partir do momento que fez estes anúncios e certamente frustrou  a expectativas de muitos, – que acreditaram numa nova relação do e Estado com os servidores.

Infonet – Como a CUT vê uma possibilidade de um terceiro mandato de Lula?
AG – Eu sou contrário. Até lembrando que no passado a CUT se manifestou contrária a ampliação do mandato do presidente José Sarney para cinco anos, como também na reeleição do Fernando Henrique Cardoso, quando denunciávamos que eram golpes a democracia.

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