A DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

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O desmatamento da Amazônia é duas vezes maior do que as estatísticas atuais mostram, segundo estudo publicado na revista Science.

O impacto da ação humana, provocado pelo corte seletivo de árvores, chega a dobrar a perturbação ambiental na área, caso esse processo seja somado aos distúrbios já causados pelo desmatamento tradicional.

Entre 1999 e 2002, os dados analisados para os Estados do Acre, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima mostram que a área impactada pelo método do corte seletivo variou de 12.075 a 19.823 quilômetros quadrados. Isso equivale de 60% a 123% das áreas identificadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) como desflorestadas pelo corte intensivo de espécies de madeira, dentro do mesmo período. A situação do Mato Grosso foi a mais grave.

A situação é de difícil solução, pois é preciso reduzir o desmatamento e ao mesmo tempo preservar espaços para a agricultura.

Os desmatamentos no sul do Amazonas no período de janeiro a novembro de 2005 foram 31,88% menores do que no mesmo período do ano de 2004, segundo dados do Prodes/Inpe – Programa de Monitoramento de Desflorestamento da Amazônia do Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais.

Embora os índices de desmatamento tenham diminuído, com maior interação da SDS, com o Ibama – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis e a Polícia Federal, nas operações Uiraçu, durante o ano de 2005, os números apontam um dado triste: Do desmatamento detectado pelos satélites, cerca de 90% é ilegal, apenas 10% é o permitido para o manejo, afirmou o gerente executivo do Ibama no Amazonas, Henrique Pereira.

Um dado curioso é o aumento no número de focos de calor (incêndios em pastagens) terem aumentado no sul do Amazonas, mesmo com a diminuição no índice de desmatamento. Segundos do Inpe/Proarco (que mede os focos de calor), no ano de 2004 foram detectados 3.096 focos de calor e 4.941 em 2005.

A explicação é simples: a estiagem deste ano. Com a umidade relativa do ar em baixa, os pastos já desmatados tinham muita facilidade de produzir pequenos incêndios, produzindo focos de calor, que aumentaram 167,8% em relação a 2004, justificou Virgílio Viana da SDS.

A raiz do fracasso do modelo socioeconômico vigente hoje na Amazônia – exploratório e insustentável atualmente – é conseqüência da falta de políticas públicas adequadas, não de dinheiro. Essa é uma das conclusões de um time de especialistas independentes para o PPG7 – Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, veiculado ao Governo Federal, mas movimentado com fundos internacionais.

O cientista Carlos Nobre, do Inpe afirma que o quadro pode mudar caso o governo decida investir em tecnologia e na utilização de áreas já degradadas.

“Há tentativas para conter a expansão da fronteira agrícola na Amazônia, mas parece que o país perdeu sua capacidade de planejar”, disse Nobre. “Em Novo Progresso (MT), existem 80 km2 voltados à exploração madeireira. E a indústria? Não tem lá”.

Segundo ainda o cientista Carlos Nobre, os principais problemas que travam o desenvolvimento das atividades sustentáveis na região são: Cadeias produtivas fracas ou incompletas, falta de acesso dos pequenos investidores a financiamentos, desregularização fundiária e despreparo das populações tradicionais.

Nobre reafirmou a urgência de mudar a forma de trabalhar na região. Ele lembra que políticas públicas demoram 15 anos para produzir retorno.

O Bird – Banco Mundial e o WWF – Fundo Mundial para a Natureza anunciaram em 2005 um programa para reduzir em 10% o ritmo de desmatamento mundial no ano 2010, que atualmente é de 14 milhões de hectares. Segundo as duas instituições, o programa apoiará o estabelecimento de novas áreas de florestas protegidas, tais como parques nacionais, uma administração mais eficaz das áreas protegidas e uma administração melhor das fora das áreas protegidas.

Florestas que são valiosas ecológica e economicamente, em lugares como as florestas boreais do distante oriente da Rússia, as terras baixas de Sumatra e as selvas tropicais da Amazônia e do Congo desaparecem rapidamente devido à poda madeireira ilegal e à agricultura, disse Claude Martin, diretor geral da WWF.

Ian Johnson, vice-presidente do Bird para Desenvolvimento Sustentável, disse que os países em desenvolvimento perdem a cada ano cerca de US$ 15 bilhões em arrecadações devido às madeireiras ilegais. Dinheiro este que os governos dos países pobres poderiam usar para serviços sociais e assistência da saúde.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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