A intolerante juventude retratada no cinema: Jojo Rabbit

Prof.ª Ma. Caroline de Alencar Barbosa

Mestre em Educação na Universidade Federal de Sergipe (PPGED/UFS)

Graduada em História na Universidade Federal de Sergipe (DHI/UFS)

Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS)

E-mail: caroline@getempo.org

Fonte: https://rollingstone.uol.com.br/media/_versions/jojorabbit04-1325x720_widelg.jpg

A obra premiada no Oscar por melhor roteiro adaptado, Jojo Rabbit, de Taika Waititi, nos trouxe, a partir do cinema, uma visão satirizada, porém não menos relevante da visão da juventude hitlerista e as nuances da adesão fiel aos preceitos do nazismo e admiração pela figura de Adolf Hitler. Johannes Betzler é um personagem que representa um jovem alemão seguidor do nazismo, que possui crenças tão fortes na “palavra de Hitler” durante a obra que tem como melhor amigo imaginário o próprio líder do partido nazista, numa figura caricaturada, este representa a forte ligação do menino com o contexto do Terceiro Reich (1933-1945).

Assim, sobre a ascensão do nazismo, é importante ressaltar esses elementos que caracterizaram, na Alemanha, como a inclinação das massas aos discursos nacionalistas exacerbados, ao líder carismático situado na figura de Hitler, aos elementos simbólicos identificados através da saudação; da cruz gamada, denominada de suástica; do uniforme e do antissemitismo (que pode ser traduzido como ódio ou repúdio aos judeus). Nesse contexto, a figura de Adolf Hitler é vista como a de um líder carismático que deu uma roupagem ao nazismo, exaltando o nacionalismo, a perseguição aos judeus, além do poder de manipulação exercido através do discurso, da propaganda e do reforço dos símbolos, da disciplina, ideologia.

A obra consegue, através de uma aparente leveza, demonstrar criticamente a forma como o nazismo produzia e disseminava ideias, angariando seguidores. Na Alemanha nazista, a propaganda possuía seus instrumentos próprios com o objetivo de estimular os cidadãos para fins de ódio racial e combate ao inimigo da nação (judeu). Tratava de temas como raça e sangue através do inconsciente coletivo. A propaganda era disseminada de todas as formas possíveis e estava presente em todos os lugares, como forma de se legitimar através da repetição. Com isso, é possível perceber que os seus temas eram cíclicos, sempre se repetindo e evocando a mesma ação de formas diferentes não somente na imprensa, mas também nos rádios, cinemas, grandes discursos públicos e cartazes.

A ideia do judeu como inimigo foi incorporada e aceita na sociedade alemã e, dessa forma, o preconceito, a reclusão e o extermínio de milhares de judeus nos anos que compreendem a Segunda Guerra Mundial foram possíveis através da eficácia da máquina propagandística alemã.

Apesar da aparência infantil nas entrelinhas, a morte da mãe de Johannes, o ato de manter uma judia escondida em sua casa, a alienação do protagonista, a formação de uma imagem do judeu fantasiosa e deformada, Jojo Rabbit possibilita, em um momento político de ascensão dos fascismos e da intolerância, uma crítica necessária em relação à naturalização dessas práticas na atualidade.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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