Atração na TV

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Os programas políticos continuam sendo o maior vilão das emissoras de televisão. São chatos e repetitivos. A grande maioria do telespectador prefere um bom filme neste horário e termina mantendo-se no DVD (ou vídeo-cassete), mesmo quando a programação normal retorna. Há uma queda de audiência considerável, porque, apesar de tantos anos exibidos no período de campanha eleitoral, eles são sempre uma reprise em seu estilo e discursos. Quando vai para o ar a programação que exibe os proporcionais, até que dá para se assistir, porque é muito engraçado. Tanto pelas bobagens que dizem, quanto pelos apelidos exóticos, de duplo sentido e ridículos. Terminam sendo divertidos, exatamente pelo péssimo gosto que exibem. Os discursos relâmpagos, então, são umas pérolas.

 

Com mais ou menos recursos financeiros, os programas de televisão, principalmente os majoritários, abrem com a marca do candidato e depois passam a desfilar vistas exuberantes da capital, pessoas fazendo exercícios físicos e as carreatas ou caminhadas de cada um deles. Em nenhum programa o candidato deixa de beijar criancinhas paupérrimas, mulheres desdentadas, senhoras de idade avançada e homens bem característicos de periferia. Não falta, também, em nenhum desses programas, uma garota, bonita e sorridente, passeando em exercício de bicicleta pelo calçadão da 13 de Julho. Alem, é claro, das declarações de votos, as críticas ao adversário e o sorriso eterno nos lábios, como internamente não houvesse um pouco de farsa.

 

Exceto o programa do prefeito Marcelo Déda (PT), candidato à reeleição, os demais expõem pessoas insatisfeitas com a ação da Prefeitura. São ruas alagadas, escolas sem salas de aula, móveis quebrados, problemas de transportes e a eterna reclamação da assistência médica. Os postos de saúde nunca têm profissionais para atender aos doentes e as filas são quilométricas. Enfim, há uma repetição muito grande de cenas, em que só trocam as pessoas. O programa de Déda é o contrário: tudo é mil maravilhas. A comunidade toda satisfeita e não existem defeitos na cidade. Um povo feliz, sorridente, beijoqueiro, que se pendura na cabeça do prefeito e o chama de “meu”. Em algumas inserções, Marcelo Déda reconhece que pode fazer muito mais.

 

Quanto às promessas, também não muda nada: todos vão construir mais postos de saúde, mais escolas, maior número de creches, melhoria dos transportes, atendimento médico 24 horas, desfavelamento e uma vida digna para o cidadão. O hilário é que as pessoas, exclusivamente da periferia, ouvem isso a cada quatro anos. E acreditam. São os conselhos comunitários que funcionarão para valer, é a sociedade participativa, é o prefeito atendendo a todos os munícipes, enfim, é tanta maravilha que só acredita quem ainda precisa ter alguma esperança ou motivo para pensar em um dia ser feliz. Dentro de três meses nada disso existe. A lama continua cobrindo as ruas, os postos médicos sem profissionais e com longas filas para pegar fichas, atendimento de urgência com a mesma lentidão e a ausência dos candidatos que já não estão mais tão dispostos aos beijos molhados e abraços suados desse povo carente dos bairros mais pobres.

 

Evidente que nenhum deles mostra nada nos bairros da classe média e só vai a residência ou apartamentos luxuosos a convite dos seus proprietários, assim mesmo para expor dificuldades ou fazer visitas cordiais e sigilosas. O filão mesmo é o pessoal da periferia, que vive sob o desamparo eterno dos poderes constituídos e nomeados. Neste período de eleição riem e abraçam qualquer um que aparecer, sempre na esperança de ganhar comida ou, lamentavelmente, algum trocado. A dedução é muito simples: se de quatro em quatro anos os mesmos candidatos, inclusive o prefeito, repetem o estilo de programa e exibem a miséria da cidade, é porque não fizeram absolutamente nada para reduzir essas cenas humilhantes, embora exibam grandes e glamourosas obras, que não enchem a barriga de ninguém.

 

Daí porque, esses programas deixam a desejar. Sempre sacudiram ao rosto de uma classe privilegiada o que está por trás da realidade de uma capital rotulada pelas belas avenidas, dois shoppings, alguns restaurantes, o maior São João do mundo (onde se gasta milhões), quando a periferia vegeta na lama, sem assistência, violentada e desprotegida dos poderes constituídos. Lógico que uma capital só será feliz no dia que esses programas políticos deixarem de abusar da miséria de um povo, como uma fonte eterna do voto. Não tenham dúvida: esse quadro de exclusão rende mandatos e, por isso, não interessa aos políticos deixar de exibi-lo na telinha.

 

A PONTE

Segundo informação da assessoria do Governo, o Ibama não está discutindo problemas ambientais da ponte que liga Aracaju à Barra dos Coqueiros.

Durante uma reunião realizada com a entidade, exigiu que as obras da ponte não tinham problemas, desde que fossem iniciadas depois das eleições de outubro.

 

COROA

A assessoria também relata que o superintendente do Ibama, que é presidente do Diretório Municipal do PT, está colocando obstáculos para o início da ponte.

Mas permite que a Prefeitura continue construindo a avenida da Coroa do Meio, sem sequer ter uma análise de impacto ambiental o que, por si só, já não permitiria a obra.

 

AVALIAÇÃO

O deputado federal João Fontes (PSol) fez uma reunião da plenária do partido, para fazer uma avaliação no contexto geral do quadro político de Sergipe.

Viu, também, como vai construir uma opção viável para o Estado e o que tem de disponível para fazer uma composição.

 

BANDAS

O candidato a vereador Farlinhos, que tem feito uma campanha milionária, colocou sábado, na área externa do Augustu´s, três bandas conhecidas, para animar uma de suas festas.

A entrada era de graça e a cerveja apenas R$ 1,00. Muita gente foi convidada para a festa, que só dava acesso com uma camisa do candidato. Farlinhos faz uma campanha para vereador, como se fosse para prefeito.

 

DEPRESSIVO

Edla Cruz, viúva de Joaldo Barbosa, disse que Fátima Barbosa, que praticou o suicídio, ficou depressiva desde quando o irmão foi assassinado e sempre chamava por ele.

No comício que aconteceu dia 10, ela chorou muito, e chamava por Joaldo. Foi uma morte que atingiu mais uma vez a família, em um período de 18 meses.

 

ENTERRO

O sepultamento aconteceu domingo, em clima de muita emoção. O deputado federal Bosco Costa (PSDB) estava presente, a vereadora Conceição Vieira e outros políticos.

O prefeito Marcelo Déda telefonou, José Eduardo Dutra também. Segundo Edla a campanha de Pedro Barbosa vai continuar, “agora por ela e por Joaldo”.

 

MUNDINHO

O candidato a prefeito por Itabianinha, Raimundo Vieira (PP), está animado com sua campanha, que tem a ajuda do de Ilzo Silveira, que perdeu o Diretório Municipal do PFL.

Mundinho está enfrentando o senador Renildo Santana (PFL), que tem o apoio do governador João Alves Filho.

 

CHÁ DE POVO

A candidata Susana Azevedo (PPS), diz que não existe remédio melhor do que “chá de povo”. A gente está cansada e quando vê o povo, se sente outra e reinicia a luta.

A deputada Susana Azevedo participou de uma carreata domingo e cumpriu mais seis compromissos. Apesar das dificuldades, está incrementando a campanha.

 

ITABAIANA

A candidata à prefeita de Itabaiana, Maria Mendonça (PDSB) fez uma passeata gigante em sua cidade, com o pessoal empunhando placas que revelavam seu plano de governo.

Mostrava projeto de Saúde, Educação e Segurança. Uma das placas chamava atenção: “vamos acabar com os agiotas de Itabaiana”.

 

DESO

O Deso pagou faturas do Governo passado, na ordem de 2,5 milhões de reais a algumas empreiteiras que tinham o mesmo proprietário.

O deputado Gilmar Carvalho denunciou o fato ao curador do Patrimônio Público, Eduardo D’Avila, para investigar o caso. Gilmar omitiu o nome do empresário.

 

ESPÍRITO

O ex-vereador Carlos Gato, morto a tiros, estaria aparecendo a diversas pessoas no bairro Santa Clara, em Cristinápolis, que dá acesso a Tomar de Geru.

O radialista Eduardo Abril, da FM Ilha de Estância, tem recebido telefonemas, de vários moradores, relatando a forma como Gato aparece e desaparece.

 

ALMEIDA

O senador Almeida Lima (PDT) disse ontem que vai chegar ao PSDB sem excluir ninguém, mas tendo como aliado o governador João Alves Filho (PFL).

Disse apenas que colocará o PSDB de Sergipe no seu caminho de fazer oposição ao PT em Sergipe e a nível nacional: “as lideranças virão com o mesmo princípio” disse.

 

DECISÃO

Almeida Lima disse que não pretende mais falar sobre esse assunto e só retornará a ele já com as definições tomadas, Isso evitará comentários.

Diz que as coisas não serão feitas com pressa e nem exageros, tanto que só voltará a se encontrar com setores tucanos dentro de mais 15 dias.

 

OPOSIÇÃO

Deputados de oposição não desistiram de manter os direitos dos servidores das empresas transformadas em autarquias e poderão entrar na Justiça.

A deputada Ana Lúcia Menezes (PT) está inconformada com a decisão do Governo em acabar com as empresas.

 

 

Nota

 

TERMINAL

O prefeito Marcelo Déda (PT) teria manifestado preocupação com o terminal rodoviário do bairro Industrial, diante da sobras da ponte. O governador João Alves Filho (PFL) disse que estranha essa preocupação de um prefeito, em razão da grandeza do cargo que ocupa e o fato não ser de grande relevância.

O Governo garante que tão logo a Prefeitura preste conta ao Estado do dinheiro repassado em janeiro para a reforma das barracas da Atalaia, será construído um terminal bem mais moderno do que o existente. Déda não foi encontrado para tratar do assunto.

 

INTERIOR

A deputada Susana Azevedo esteve sábado em Japaratuba e fez um inflamado discurso a favor da candidata Lara Moura (PFL), que disputa a Prefeitura daquela cidade. Atendeu a convite da colega Lila Moura. Susana fez críticas à administração do petista Padre Gerard, que disputa a reeleição.

O senador Almeida Lima (PDT) e o governador João Alves Filho também participaram do comício. João chegou quase no final dos pronunciamentos dos vereadores, quando já ia começar a atração musical.

 

PETROBRAS

Durante a coletiva que concedeu ontem, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), considerou equivocada as declarações exageradas contra o 6º Leilão de regiões petrolíferas em águas profundas. Explicou que os resultados foram positivos para a empresa, que participou do pregão.

José Eduardo Dutra também falou sobre o campo de Piranema, localizado na região de Estância. Segundo ele, vai começar a ser explorado em agosto de 2006. Piranema é um peixe que dá em águas profundas.

 

É fogo

 

O ex-governador Albano Franco (PSDB) viajou ontem à tarde com destino a Brasília, para algumas reuniões.

 

Albano Franco retornou recentemente de São Paulo e ontem já embarcou para Brasília. Retorna amanhã.

 

Aliados da prefeita de Canindé do São Francisco, Rosa Feitosa (PMDB) acham que ela deve usar todos os recursos jurídicos possíveis para disputar a reeleição.

 

O presidente da Assembléia Legislativa, Antônio Passos (PFL) vai a Brasília participar do Encontro de Presidentes de Assembléias.

 

São poucos os municípios em Sergipe que o governador João Alves Filho vai marcar presença, pra a campanha eleitoral.

 

O candidato a prefeito pelo PAN, Adelmo Macedo, está apostando no eleitorado dos aposentados revoltados com o tratamento que vêm recebendo do Governo Federal.

 

A Assembléia Legislativa está praticamente sem o que fazer. Os deputados abrem e fecham as sessões, por faltar de projetos.

 

A candidata à prefeita Vera Lúcia (PSTU) explica a quem lhe procura que política não se faz com assistencialismo, mas com propostas.

 

O deputado Gilmar Carvalho (PV) viajou e está fazendo alguns reparos cirúrgicos. Vai apresentar um programa na televisão.

 

O ministro do Trabalho. Ricardo Berzoini, disse que é preciso trabalhar para o aumento do emprego ns regiões metropolitanas, enquanto se festeja vagas no interior.

 

As pesquisas de desemprego mostraram crescimento na contratação nas indústrias de eletrodomésticos e de outros bens de consumo duráveis.

 

Algumas das maiores redes de varejo perceberam uma redução no ritmo de vendas no mês de agosto. É o caso das Casas Bahia e da Renner.

 

Por Diógenes Brayner

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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