Balanço geral

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O balanço do Banese, que foi publicado esta semana nos principais jornais de Sergipe, mostra alguns números que impressionam à primeira vista. Constata que a oxigenação administrativa, em certos casos, faz muito bem e deve ser encarada como uma opção de aplicação constante, principalmente na esfera pública, tão facilmente vulnerável a influências comodistas. Não que todo funcionário público seja indiferente, longe disso, mas no setor público, o nível de desestímulo, até mesmo pela falta de um incentivo no campo de planos de carreiras, faz com que, naturalmente, o servidor se acomode e, para mudar isso, é necessário que se crie um sistema, onde o esforço seja plenamente recompensado.

 

Números de balanços, de um modo geral, mas principalmente de empresas estatais, são considerados muito. E são mesmo. O índice de leitura deste tipo de publicação é mínima, ou melhor, só lê quem tem negócio. Ou o sujeito é da área econômica, ou é acionista ou político da oposição, para ver se arranja algo para criticar, ou da situação para defender e elogiar.

 

Mas, neste caso agora, vale agora uma análise mais detalhada e profunda dos resultados.

 

Pude-se constatar que o banco, no primeiro semestre de 2004, faturou R$ 10,2 milhões líquidos. É uma performance de fazer inveja a muitas instituições financeiras do mesmo porte que o Banese. Muitas vezes, no balanço, se trabalha com comparações por período e teve uma informação publicada que impressionou mais do que a maioria das outras. Nos dois primeiros semestres da atual administração, ou seja, de janeiro a junho de 2003 e de janeiro a junho de 2004, o banco teve um faturamento líquido de R$ 23,3 milhões. Pois bem: nos quatro primeiros semestres do período de 1999 a 2002, que representou os quatro anos do governo anterior, o lucro líquido do Banese ficou na casa dos R$ 23 milhões cravados. Ou seja: a atual administração fez em dois anos, mais do que a outra, em quatro anos.

 

É claro que lucro de banco envolve diversas conjunturas e variáveis que muitas vezes estão fora do alcance dos administradores, como as taxas de juros, por exemplo, que tem relação direta com os spreads, mas é bom que se diga, que durante todo o último governo FHC, as taxas foram as mais elevadas do planeta, principalmente depois das crises de 1998 e 99, que as elevaram às estrelas.

 

Outro dado relevante é a rentabilidade sobre o patrimônio da empresa, que ficou em 20%. É através deste número que se reflete a liquidez do banco. Para se ter uma idéia, o Banco Central exige das instituições financeiras que ele controla, que este indicador esteja sempre, no mínimo, em 11%. Para Banco Central, neste nível, qualquer banco se encontra em condições de liquidez, conforme as linhas de regras de mercado. O Banese está com 20%, mostrando que tem fôlego e espanta qualquer especulação em relação à sua solvência, o que incentiva o governo, ainda mais, a manter o banco estatal, já que ele está auferindo lucros sobre juros de capital empregado. O governo está ganhando dinheiro com o banco. Em uma fase de crise econômica conjuntural como esta, em que Estados e municípios estão em situação falimentar, uma renda extra como esta, nas mãos, é para se louvar.

 

Recentemente o Banese foi classificado em décimo terceiro lugar entre as instituições financeiras do país mais rentáveis e com maior liquidez no mercado brasileiro. Isso é muito importante para a instituição que tem, inclusive, ações na bolsa de valores. Por este case, o atual presidente do banco, Jair Araújo, foi convidado para dar palestra em um evento que será realizado em São Paulo, em setembro, promovido pelo Instituto de Marketing Industrial, que ficou impressionado com a performance de um banco pequeno, localizado no menor Estado da Federação e que desponta entre os grandes, devido ao seu grau de liquidez, típico de instituições de maior porte, que tem bala na agulha para assumir grandes resultados.

 

Jair Araújo faz questão de salientar que este mérito não é seu. É de toda uma equipe que trabalha pelo banco e que o tem como um comandante estratégico e operacional, mas que a toda a diretoria, os superintendentes, os gerentes da capital e nos interiores, enfim, todos os demais funcionários, são aguerridos e, na sua maioria apaixonados, pelo banco. E aí já viu, quando junta uma série de fatores positivos com a paixão por aquilo que se faz, o resultado não poderia ser diferente. Nenhum outro Estado do Nordeste conseguiu segurar seus bancos estaduais, todos fecharam, apenas em Sergipe, tão pequeno e competente, conseguiu segurar o seu. Justiça seja feita, fruto do trabalho de tantos outros que passaram pela frente da administração do banco e tiveram competência para segurar a peteca. Mas agora o Banese vive uma fase muito especial, onde, aliado a estes resultados, está existindo uma preocupação de prepará-lo para um futuro mais competitivo, onde só os mais fortes vão sobreviver, ou os mais espertos (no bom sentido).

 

DÉDA

O prefeito Marcelo Déda (PT), em entrevista, disse que ia telefonar para o governador João Alves Filho e saber como ficaria o terminal do bairro Industrial, com a construção da ponte.

Marcelo Déda disse, ainda, que não tinha conhecimento da construção da ponte e que só veio saber anteontem, em razão da divulgação e da solenidade realizada.

 

JOÃO

O governador João Alves Filho (PFL) fez uma pergunta ontem: “a quem interessa que essa ponte não seja construída e por quê?”.

João Alves Filho disse que já desceu do palanque, está fazendo um trabalho com todos os cuidados ambientais. Só o Ibama está querendo por obstáculo.

 

DISCUSSÃO

A construção da ponte ainda será tema de grandes discussões, a maioria delas de caráter político. Renderá comentários e boas manchetes.

O secretário da Infra-estrutura, João Durval, diz que a ponte causa muito menor agressão à natureza, do que a obra que a Prefeitura faz na Coroa do Meio.

 

EMSETUR

Alto lá! O atual presidente da Emsetur, Ary Leite, está servindo de bode expiatório neste caso da dívida da Emsetur.

Muitas dívidas foram assumidas pela empresa através de ordens superiores, que nunca mandaram a suplementação financeira para pagamento.

 

CUSTEIO

Festas de padroeiras, atendimento a prefeitos uma série de ações políticas eram autorizadas e não repassadas. Tudo isso estrangulou a empresa.

Porque o dinheiro do sanfoneiro, do trio elétrico e de outros atos turísticos deixava de ser pagos, porque não vinha a complementação do dinheiro utilizado pelos bilhetes valorosos.

 

PASTORA

A pastora Claudia Andrade, candidata a vice de Susana Azevedo, passou quatro dias sem fazer campanha. Só retornou por insistência da deputada.

Claudia era candidata a vereadora e tinha possibilidade real de eleger-se. Desistiu para atender a uma convocação do governador e ser vice de Susana Azevedo.

 

PROBLEMA

O grande problema, que provocou decepção à pastora, é que a campanha não tem a participação de setores do Governo, como se não houvesse nenhum compromisso com ela.

Claudia Andrade, quando aceitou disputar o mandato, ouviu do governador a seguinte frase: “vocês só vão captar votos”. Isso elas estão fazendo, mas o resto está faltando.

 

ORGULHO

O presidente nacional do PT, José Genoino, disse ontem, em Aracaju, que a administração de Marcelo Déda em Aracaju é um orgulho para o partido.

José Genoino participou de uma passeata pelo centro de Aracaju, ao lado de várias lideranças que apóiam a candidatura de Marcelo Déda.

 

FEDERAL

Durante a entrevista, Genuíno foi acossado em relação ao Governo Federal, mas procurou mostrar o trabalho que o presidente Lula vem fazendo pela economia do país.

Genoino chegou a desafiar o PSDB e PFL a citar o nome de outro presidente que fez mais do que Lula da Silva em tão curto espaço de tempo.

 

MANGUES

O procurador do Estado, Antônio João, explicou ontem que está havendo um ajuste, juntos aos Ministérios Públicos estadual e federal, em face da recuperação dos manguezais,

Antônio João explicou que, para a construção da ponte, o Governo vai trocar 450 metros de mangues, por um parque de 700 mil metros de manguezais.

 

SUSANA

A candidata do PPS, Susana Azevedo, disse ontem que nunca participou de uma campanha diferente dessa: “sempre foi assim e quando abriram as urnas eu estava eleita”.

Susana Azevedo disse que vai para o segundo turno e ganhará as eleições para a Prefeitura de Aracaju.

 

ULICES

O deputado estadual Ulices Andrade (PSDB) está participando de corpo e alma da campanha de Manoel de Rosinha (PT) em Porto da Folha.

Ulices fez uma composição dos petistas com os tucanos e acha que vai dar para eleger o candidato à Prefeitura de Porto.

 

LAGARTO

Os adversários do deputado Walmir Monteiro (PFL), candidato a prefeito por Lagarto, estão criticando-o pelo voto a favor da reforma do Estado.

Walmir diz que votou porque não há perdas para os funcionários e admite que eles terão vantagens que superam as que tinham na Emdagro.

 

ASSEMBLÉIA

Um assessor do governador João Alves Filho (PFL) acha que a maioria dele na Assembléia Legislativa está minguando e há necessidade de repensar nisso.

A vitória apertada que obteve para aprovação dos projetos de reforma é uma má sinalização com a diferença dos votos.

 

Notas

 

RECLAMAÇÃO

Os candidatos a vereador de todos os partidos, na capital e interior, estão reclamando da falta de material publicitário e da ausência de recursos para levar a campanha. Em Aracaju, pela fraca movimentação dos candidatos e a ausência de santinhos e cartazes, percebe-se que se trata de uma eleição sem dinheiro.

Na realidade, apenas dois ou três candidatos, assim mesmo jovens, é que estão investindo para valer na campanha pra a Câmara Municipal de Aracaju, tudo bancado pelos pais. O restante está na base do chinelo.

 

VENTINHA

O assassinato do vereador José Carlos, o Ventinha, vai mesmo ficar no que relatou a delegada no inquérito e já entregue à Justiça. Segundo um advogado interessado no caso, foi o processo que andou mais rápido nos últimos anos. O assassinato de Ventinha tem muita coisa nebulosa e mal esclarecida.

Até o momento não prenderam o jovem que praticou o tal crime passional, que se trata de uma tese absolutamente ridícula, que foi implantada para encobrir todos os fatos, porque os indícios são de crime de mando.

 

ASSEMBLÉIA

As bancadas na Assembléia Legislativa passarão por mudanças a partir das eleições municipais. Pelo menos quatro deputados estaduais podem deixar o bloco do Governo. Se não ficarem na oposição, certamente se manterão neutros em relação ao executivo e sem nenhum compromisso de votação.

Na oposição, entretanto, dois deputados podem amolecer e acenar mais para o governador João Alves Filho. O plenário do próximo ano pode trazer algumas dificuldades, para os dois lados. Há decepções claras.

 

É fogo

 

O deputado estadual Antônio Passos começa a dar os primeiros sinais de que será candidato à reeleição e pode se manter na presidência da Casa por mais dois anos.

 

O secretário da Fazenda, Max Andrade, almoçou ontem com 20 diretores lojistas. A conversa foi sobre questões empresariais.

 

Na próxima semana, Max Andrade vai almoçar com diretores e presidente de CDLs de cidades do interior.

 

O prefeito Marcelo Déda, candidato à reeleição, promoveu um dos maiores arrastões pelo centro da cidade, ontem à tarde.

 

O deputado Francisco Gualberto (PT) está dando duro para conseguir eleger alguns companheiros na capital e municípios do interior.

 

O presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT), concede entrevista coletiva nesta próxima segunda-feira, na sede da empresa, à rua Acre.

 

O deputado Augusto Bezerra (PMDB) está apostando suas fichas na candidatura do correligionário Alcivan Menezes (PMDB), na Barra dos Coqueiros.

 

Ainda não se notou diferença em outras candidaturas, com o programa gratuito de televisão. O quadro continua o mesmo.

 

As bancos já começaram a lançar as linhas de crédito da antecipação do 13º Salário. É o caso do Banese, Santander, Itaú e Banespa.

 

O BNDES decidiu aumentar o prazo das operações de crédito para micro e pequenas empresas com o cartão BNDES de 12 meses para até 24 meses a partir de outubro.

 

A decisão da Anvisa de proibir a veiculação de propagandas de medicamentos está gerando polêmica entre os fabricantes.

 

A inauguração da primeira fase da orla de Atalaia está programada para o dia 9 de setembro, embora ainda haja muita coisa a fazer.

 

As chuvas atrasaram muito os trabalhos na orla e alguns equipamentos ainda estão chegando.

 

Por Diógenes Brayner

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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