Davi contra Golias

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Uma das coisas que o brasileiro menos desejaria que houvesse no próximo ano certamente é eleição. Mas vai haver e um confronto direto inédito já se esboça para 2008: Edvaldo Nogueira, candidato “natural” porque tem a prerrogativa de tentar a reeleição, versus João Alves Filho, único adversário neste momento capaz de derrotá-lo. É o velho embate da esquerda contra a direita, que na capital pelo menos ainda existe, com um elemento novo, a presença do próprio Edvaldo.

 

Se eles chegarão ao 5 de outubro como candidatos a prefeito só Deus sabe, mas é o que se configura neste apagar das luzes de 2007. A dúvida é inerente às possibilidades e ânimo de cada um. Enquanto Edvaldo garante que será candidato, coisa sobre a qual ainda não conseguiu convencer os próprios correligionários, João não afirma nem desmente que o será, mas seus seguidores, carentes de um nome melhor e curtindo um jejum obrigatório desde que perderam o poder, asseguram que o ex-governador disputará, sim, a prefeitura de Aracaju. É ver para crer.

 

Atilado, experimentado, vivido, João não é nenhum Golias bramindo contra o exército de Israel, mas Edvaldo já incorporou o Davi, armou-se de uma funda e algumas pedras e anuncia que vai à guerra contra o inimigo maior do que ele. Pensa que vai derrotá-lo, o que as pesquisas por ora não recomendam. Se a eleição fosse hoje e João fosse candidato, ganharia a eleição. Mas o nosso prefeito Davi empunha alguns argumentos para garantir que a opinião pública lhe é favorável.

 

Edvaldo afirma que nem se lançou candidato ainda e os números já lhe sorriem com até 30% das intenções de votos. Ora, João também não é candidato e aparece como preferido para mais de 40% do eleitorado da capital. Edvaldo diz que João é mais lembrando porque foi governador até um dia desses, até um ano atrás para ser exato. Mas Edvaldo é prefeito de Aracaju já há quase dois anos e durante mais de cinco anos foi o vice-prefeito de uma gestão aprovada pelo povo. Edvaldo garante que por enquanto só pensa no atual mandato, mas João, sem dizer exatamente no que pensa, vai desempenhando um papel de opositor competente.

 

Aliás, o mais competente de todos os que possam dizer-se adversários de Déda.

Comunista católico, temente a Deus, Edvaldo é quase um anjo na política. É correto, bem comportado, não faz mal a ninguém. O máximo de barulho que faz é quando se arma das baquetas e toca bateria. Mas não tem histórico de vencedor na política. O máximo que conseguiu até hoje foi eleger-se vereador em 1988, e mesmo assim pegando bigu com Jackson Barreto, desde sempre o santo protetor do PC do B em Sergipe.

 

João Alves é o que se pode chamar de homem talhado pela vida política: iniciou-se justamente como prefeito de Aracaju, biônico, nos tempos da ditadura, e foi governador eleito pelo voto direto três vezes, além de ministro de Estado. A mulher, Maria do Carmo, é senadora no segundo mandato. Tem um genro que é deputado federal também em segundo mandato. Mas não tem a pureza de Edvaldo Nogueira. E esse pode ser o maior empecilho à sua candidatura.

 

João teme que problemas encontrados por Marcelo Déda no Estado venham à tona e, mais do que isso, teme que o maior dissabor da sua vida, o episódio da prisão do filho João Neto em maio, pego pela Operação Navalha da Polícia Federal, seja usado na campanha contra ele. E quem pode impedir, por exemplo, que Jackson faça isso? Dentro das regras do jogo, ele é capaz de tudo.

 

Mas os aliados de João também já prevêem a baixaria e acham que assim mesmo vale arriscar. Mesmo que o jogo duro contra ele leve-o a ser derrotado. Afinal, pensam eles, Reinaldo Moura foi fragorosamente derrotado na disputa da prefeitura em 1992 e reelegeu-se deputado estadual no pleito seguinte; Maria do Carmo foi derrotada como candidata a prefeita em 1996 e elegeu-se senadora dois anos depois; Antônio Carlos Valadares e Almeida Lima também perderam a eleição para prefeito de Aracaju, em 2000, e tiveram sucesso na eleição para o Senado em 2002.

 

Portanto, se João não vencer a eleição para prefeito não será o fim do mundo, e nem o seu enterro político, porque será lembrado como candidato forte a voltar ao governo na eleição de 2010. E voltar ao governo é tudo o que ele quer. Resta saber se terá estômago para encarar a batalha de 2008. E, se o fizer, pode estar certo: o inimigo não virá armado somente com uma funda.

 

Pedido de socorro

 

Carta de um leitor, que pede para não ser identificado. “Recorro a vocês por que cheguei à triste conclusão de que a polícia, o Judiciário e o Executivo, na prática, não estão dando a importância devida ao crescimento da marginalidade e da violência que assola quase todo o Estado e em especial o interior.

 

No final do mês de novembro quebraram as tubulações de irrigação, mataram um cachorro e roubaram um cavalo de uma propriedade no povoado Taquari, em Estância. Dias após, num sábado, uma testemunha viu o cavalo no povoado Guajará, Nossa Senhora do Socorro, o proprietário foi à policia de Estância, onde havia sido prestada a queixa. A Polícia Civil disse não poder fazer a diligência por só dispor de dois policias no plantão para atender o município e outras cidades da região. No Batalhão da PM sediado em Estância o oficial que estava no comando disse que só mandaria uma equipe se tivesse ordem judicial. Nem mesmo a apresentação da queixa registrada na delegacia de Estância teve valor para o oficial que estava no comando.

 

Pois bem, como a polícia não cumpriu seu papel, sexta-feira da semana passada, três assaltantes invadiram duas propriedades vizinhas onde foi roubado o cavalo, armados de revólver levaram tudo dos caseiros e deixaram um recado: “Diga a seu patrão e aos outros que têm sítio aqui que voltaremos”.

 

Promessa cumprida. Na quarta-feira à noite os marginais voltaram. Invadiram uma das casas, quebraram tudo que podiam, levaram alguns objetos e bichos e a polícia continua inerte. A quem recorrer? A Deus, esse sem dúvida nenhuma. Mas e as autoridades da terra, a quem recorrer?

 

Estância, em especial os povoados vizinhos à Cidade Nova, está sob terror e toque de recolher. As pessoas vivem assustadas e muitas estão abandonando suas casas por total e absoluta falta de segurança. A polícia, quando chamada no meio da noite, diz não ter viatura ou não saber onde fica. Ou que mais tarde vai. Só que nunca chega.”

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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