Economia latino-americana

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A economia latino-americana deverá crescer 4% em 2006. Com isso completará quatro anos consecutivos de expansão, nos quais o Produto Interno Bruto aumentará 10%.

Há espaço para um certo otimismo observou a Cepal, segundo a qual a região está mais bem preparada do que no passado para enfrentar desafios. Além disso, o organismo advertiu da necessidade de crescer a uma taxa mais alta para solucionar os graves problemas nos mercados de trabalho.Como aconteceu em 2004 e 2005, espera-se que o crescimento seja generalizado e compreenda, quase sem exceções, todos os países da região, diz o documento das Nações Unidas.

Segundo o organismo, apesar da desaceleração da economia mundial, a região foi beneficiada pelo comércio internacional, aumento dos preços das matérias primas e reduções das taxas de juros. Especialistas do BIS – Banco Internacional de Compensações assinalam que “as condições internacionais continuarão sendo atipicamente favoráveis para as exportações procedentes das economias emergentes e para os fluxos de capital para esses países”.

Com relação aos indicadores macroeconômicos internos, o documento ressalta que foram mais sólidos e que melhorou a qualidade creditícia dos países em desenvolvimento, “o que, unido à abundante liquidez internacional, levou a um aumento dos fluxos de capital privado para os países emergentes”.

“Na América Latina alguns países amortizaram a dívida externa e refinanciaram parte de sua dívida mais onerosa com menores taxas de juros”, disseram os economistas do BIS, que também assinalaram que “os fluxos líquidos para os principais países da região diminuíram ligeiramente”.

Quanto à demanda interna, o relatório do BIS indica que voltou a crescer em todas as regiões, apesar do aumento das taxas de juros determinadas por alguns bancos centrais. A América Latina e o Caribe, porém, ainda formam a região mais desigual do mundo. O subcontinente avançou consideravelmente nos processos de democratização e em algumas reformas econômicas, mas esses progressos, na maioria das vezes, não foram refletidos na melhoria dos serviços sociais e na redução da pobreza.

Como aspectos positivos, aumentaram lenta, mas sustentavelmente a esperança de vida ao nascer e as taxas de matrículas escolares e de alfabetização de adultos. Houve uma diminuição da mortalidade infantil, uma melhoria de acesso à água e ao saneamento básico e uma maior igualdade de gênero no acesso à educação. No entanto, “persistem, ao mesmo tempo, grandes diferenças entre grupos sociais, ou seja, entre etnias, entre homens e mulheres, entre áreas urbanas e entre diferentes regiões do interior dos países latino-americanos”.

“O crescimento econômico é fundamental para que se avance na política social”, afirma a secretaria executiva da Cepal, Alicia Barcea. Ela afirma, ainda que melhorar as condições sociais da região passa por fatores como investir em infra-estrutura; erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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