Lançamento de Déda

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O prefeito Marcelo Déda (PT) passou todo o período que antecedia a campanha e nos 90 dias que estava no front da batalha eleitoral, evitando falar que ficaria à frente da prefeitura por apenas 16 meses, porque se afastaria para disputar a sucessão estadual em outubro de 2006, certamente em confronto com o governador João Alves Filho (PFL), que acena como candidato à reeleição. Ontem, um cidadão como Antônio Carlos Valadares (PSB), um senador da república que já passou por todos os mandatos em Sergipe e tem como característica a prudência, a estratégia silenciosa e um bom jogo de cintura para acomodar o contraditório, foi o primeiro a lançar o prefeito Marcelo Deda como candidato das oposições ao Governo do Estado. Uma precipitação? Não! Uma evidência, pré-analisada, de que até lá não se encontrará outro nome para colocar em campo, para disputa com a experiência e capacidade do governador João Alves Filho.

 

Marcelo Déda virou uma potência eleitoral em Aracaju, ninguém tenha dúvida. E o trunfo que os seus adversários tinham para reduzir a sua votação na capital, que era exatamente anunciar a sua desincompatibilização em abril de 2006, não vingou. Hoje o prefeito Marcelo Déda perdeu o domínio sobre suas decisões, porque a força dos eleitores é quem vai traçar os seus caminhos. Já foi lembrado aqui que, durante o debate, respondendo a uma pergunta que exigia um compromisso de permanecer até o final do segundo mandato, pensou pouco para dizer que “não iria antecipar o adversário do governador João Alves Filho em 2006” e que “a sua posição política quem escalava era o povo”. Está aí, então, exposto, o que ele não queria revelar: será o adversário de João Alves e, pelo volume de votos, fica claro que o eleitorado o deixou à vontade para traçar o seu destino, sem provocar nenhum trauma. Agora, evidente, depende do próprio Déda e da situação que encontrar dentro de mais 16 meses. Até lá esfria os ânimos dessa vitória retumbante e não se tem bola de cristal para adivinhar os passos políticos que serão dados neste período. Uma coisa é certa: os adversários não vão cruzar os braços e a disputa pelo Governo do Estado é muito diferente de uma eleição municipal.

 

Quando baixar a poeira dessa euforia e o prefeito Marcelo Déda retomar a administração sem o corre-corre da campanha política, dentro de mais alguns meses ou, possivelmente, depois do carnaval, todo esse quadro de oposição deve ser analisado. Nesse momento cometem-se alguns exageros de avaliação, mas, quando a coisa esfriar, é provável que uma análise mais profunda faça enxergar que na política não existe unanimidade e nunca se repetiu uma mesma eleição. Uma das coisas importantes é rever posições no interior, onde sempre se detecta grupos que ficaram contrariados porque perderam e culpam exatamente suas lideranças maiores. Em Aracaju, por exemplo, alguns vereadores que apoiavam o prefeito e não retornam à Câmara, estão ressentidos e podem provocar contrariedades. Marcelo Deda, hoje como a liderança maior da oposição, também precisa se articular com esse pessoal que foi eleito e também com os derrotado. Inclusive desfazer dificuldades provocadas pelo Partido dos Trabalhadores em algumas cidades do interior.

 

Cidades como Simão Dias, Poço Redondo, Capela, Areia Branca e São Cristóvão sofreram sérios contratempos com o PT, tendo que enfrentar seus candidatos nas eleições municipais. Evidente que isso deixa marcas e que devem ser revistas e sanadas. Também há um detalhe que tem que se levar em consideração: o diretório do PFL em Itabaiana cruzou os braços em relação ao pleito e, indiretamente, ajudou a candidata do PSDB, deputada Maria Mendonça.

 

A oposição também precisa avaliar que do outro lado não existe nenhum amador e que, já agora, a política sergipana está polarizada entre o grupo liderado pelo prefeito Marcelo Deda, com o bloco vinculado ao governador João Alves Filho. Antes essa polarização se formava a partir do segundo turno, porque tinham outros nomes fortes para a disputa do Governo do Estado, hoje houve uma junção em torno dos dois líderes, o que já dá para se prever que as eleições estaduais terão apenas dois candidatos, que realmente têm condições de chegar ou permanecer no comando do Estado. Lógico que surgirão outros nomes, mas serão candidatos de partidos menores, que ainda mantêm viva a sua filosofia ideológica, como é o caso do PSTU. Além disso, o governador João Alves Filho já deve ter mensurado a força do adversário e vai iniciar um trabalho em busca de novas conquistas, inclusive de algumas prefeituras que escaparam do seu comando, o que é absolutamente natural. João Alves é hábil, ganhou cinco das seis eleições ao Governo do Estado que disputou e a partir de janeiro de 2006 a sua administração, logicamente, terá um perfil bem diferente do que o burocratismo tecnocrata exibido nos primeiros anos.

Será uma luta para ser vencida por pontos, no último round

 

CANDIDATURA

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) lançou, ontem, a candidatura do prefeito Marcelo Deda (PT) ao Governo do Estado em 2006. Segundo Valadares, muito embora o prefeito não tenha conversado sobre isso e evite tratar do assunto, ele é o candidato natural das oposições a governador.

 

VOTAÇÃO

O senador Valadares diz que a votação conseguida por Marcelo Déda em Aracaju o credencia a sucessão estadual dentro de mais dois anos. Para o senador, o prefeito Marcelo Deda se transformou na maior liderança do bloco de oposição e é quem vai comandar os rumos dela no estado.

 

VITÓRIA

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) considera que o seu partido obteve uma grande vitória nas eleições municipais, na capital e no interior. Lembrou que participou diretamente da eleição de Déda, além de fazer dois vereadores – Zeca e Elber Batalha Filho, perfazendo um total de 30 mil votos de legenda.

 

INTERIOR

No interior, segundo revela Valadares, o PSB manteve Simão Dias e elegeu Tonho de Dorinha em Poço Verde, Sukita em Capela e Souza em Areia Branca. Valadares está consciente que as oposições saíram fortalecidas com a eleição de Marcelo Deda e no interior com a conquista de várias cidades estratégicas.

 

DIFICULDADES

Uma liderança política vinculada ao Governo relatou que os municípios sergipanos estão literalmente quebrados e não funcionam bem sem a ação do Estado. Concordou que os partidos aliados ao Governo fizeram 52 municípios, “mas dentro de um ano, depois das posses, deve pular para 65, no mínimo”.

 

ENTREVISTA

O prefeito Marcelo Déda concedeu, ontem, entrevista à repórter Malu, da revista Veja. Falou sobre sua administração e fez um balanço da campanha para a reeleição. Déda considerou que houve um avanço das oposições no Estado e reconheceu que Aracaju serve de espelho para as cidades do interior.

 

CAMPANHA

Marcelo Déda chegou ontem de Brasília, onde esteve com o presidente Lula e visitou ministros e parlamentares amigos. Foi muito cumprimentado. Nos próximos dias, Déda viaja a Maceió, Natal, Fortaleza e São Paulo para ajudar a candidato do PT que estão disputando o segundo turno.

 

ALELUIA

O líder do PFL na Câmara Federal, José Carlos Aleluia, ficou chateado com a derrota de João de Deus em Canindé do São Francisco. Aleluia, que é deputado federal pela Bahia, tem o apoio da família da João de Deus em Paulo Afonso. Revelou que a sua derrota foi uma surpresa desagradável.

 

JORGE

O deputado Jorge Alberto, que disputou a Prefeitura de Aracaju pelo PMDB, disse que cumpriu o seu dever e se sentiu contemplado com o resultado das eleições. Admitiu que a renovação dos quadros do PMDB é imperiosa e já disse que está preparando para discutir as eleições de 2006.

 

FORÇAS

Em discurso na Câmara, Jorge Alberto disse que fez questão de participar de uma campanha difícil em Aracaju, enfrentando dois grandes poderes. Referia-se “a duas fortes máquinas, tanto da Prefeitura, quanto do Governo”, na disputa com três candidatos amparados pelo poder econômico.

 

LIBERAIS

O deputado federal Heleno Silva (PL) também está satisfeito com o resultado das eleições e se considera um vitorioso, porque fez Gloria, Monte Alegre e Poço Redondo. Heleno diz que em Glória, ao lado do deputado Antônio Passos, elegeu Zico (PTB) e em Monte Alegre fez Aragão (PTB), cujo vice é seu irmão. Em Poço Redondo ajudou frei Enoque a eleger Iziane (PL).

 

JACKSON

Um aliado do deputado federal Jackson Barreto (PTB), que pediu omissão do nome, disse que ele precisa reformular os seus métodos e voltar a ser referência como liderança. Lembrou que ele elegeu, com o seu trabalho pessoal, apenas o prefeito de São Cristóvão, Zezinho da Everest. Perdeu inclusive em sua cidade, Santa Roza de Lima.

 

CONSELHO

Amigo pessoal do deputado Jackson Barreto, ele acha que o parlamentar precisa modificar sua postura política, porque às vezes se comporta como um vereador. “Por falar nisso – lembrou ele – Jackson Barreto não conseguiu nenhum vereador que apoiou. Em Aracaju isso jamais deveria acontecer”.

 

MUDANÇA

Já está certo: o governo vai promover uma mudança mais profunda em sua equipe, para mudar o estilo da administração, tornando-a mais ágil. Uma fonte do governo disse que há pretensão em mudar a característica técnica e passar a um tom mais político a partir do próximo ano.

 

Notas

 

GOISINHO

O vereador Antônio Góis (PT), ao falar sobre as eleições, deixou claro que vai dar continuidade ao trabalho desenvolvido na Câmara: “só que, agora, de forma direta com a sociedade e não com  a representação, que não me foi outorgada”. Goisinho não conseguiu a reeleição, mas só perde o mandato em janeiro. Segundo Antônio Góes, “como não houve a outorga nas urnas, nem eu e nem os vereadores que não foram reeleitos têm a representatividade de fato, mas apenas de direito, pois fomos eleitos com mandato até dezembro de 2004”.

 

JACKSON

O deputado federal Jackson Barreto (PTB) destaca o crescimento da oposição em Sergipe, festejando os números que contabilizam que os partidos oposicionistas passarão a dirigir, a partir de Janeiro de 2005, a 26 municípios sergipanos, num crescimento nunca visto até hoje em toda história eleitoral do estado. O deputado Jackson Barreto considera que esse crescimento “significa que somente a partir de suas próprias siglas, a oposição em Sergipe comandará os destinos de 740.511 pessoas, num universo de 1,2 milhão de habitantes”.

 

LEVANTAMENTO

Os parlamentares filiados aos partidos que apóiam o Governo do Estado reconhecem a vitória clamorosa do prefeito Marcelo Déda e o seu fortalecimento político, entretanto garantem que o grupo continua mantendo o comando político em Sergipe, com a eleição de 52 prefeituras de pequeno e médio portes. Consideram um exagero que a oposição esteja contando com a totalidade dos eleitores das cidades que conseguiram eleger os candidatos. Lembram que cada uma delas foi dividida e quem perdeu continua ao lado do candidato do grupo.

 

 

Notas

 

A repórter da “Veja” que se encontra em Aracaju tentou uma entrevista com o ex-prefeito João Augusto Gama, mas ele se encontra no exterior.

 

O prefeito Marcelo Déda retornou ontem à tarde a Sergipe e também concedeu entrevista à revista “Veja”, para reportagem desta semana.

 

Embora esteja cansado da campanha, Marcelo Déda continua à frente da Prefeitura e vai viajar para ajudar candidatos do PT que estão no segundo turno.

 

Comenta-se que o secretário da Saúde, Eduardo Amorim, é candidato a deputado federal e já fechou parte do eleitorado de Itabaiana.

 

Um importante jornal de Sergipe deve mudar de mãos e circulará a partir de janeiro sob outro comando. Tem gente muito forte por trás.

 

O PDT fará uma reunião, neste final de semana, para uma avaliação do processo sucessório em Aracaju. Terá a presença do senador José Almeida Lima.

 

O presidente Lula da Silva garantiu aos prefeitos eleitos em 3 de outubro que terão apoio do Governo Federal.

 

Com a vitória estrondosa de Marcelo Déda, o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT), caso seja candidato, será a senador.

 

Muitos candidatos a prefeito derrotados estão com as mãos nas cabeças, para pagar dívidas de campanha. A situação é difícil…

 

As lojas da Vasp em Aracaju estão praticamente vazias, em razão das dificuldades da empresa em todo o país.

 

O quinto lote de restituição do imposto de renda pessoa física de 2004 (ano base 2003) terá uma correção de 7,29%.

 

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil negaram que tenham reaberto negociação com a Confederação Nacional dos Bancários.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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