Mate os seus Monstros

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Tem algum tempo, que venho buscado aprender a mudar minha percepção de tempo. Aceitar que sou um ser universal e sendo assim, transcendo a nossa Era.

Você deve estar se perguntando: mas, o que isso traz de concreto?

Quando contemplo a ideia de que tempo é relativo, deixo de lutar contra o tempo e começo a aceitar os ciclos da vida e as mudanças que eles trazem. Atualmente, quando começo a entrar em um estado de ansiedade é fácil identificar, qual pensamento está gerando essa sensação. E em todas às vezes, ele está preso ao passado ou ao futuro. Nunca, nunca o meu desconforto é oriundo do meu momento presente.

Me posicionar neste estado mental, tem efetivamente me auxiliado em todas as minhas tarefas diárias. Engajar-me deste modo com meus processos de vida, consequentemente tem me deixado mais confortável e feliz.

Constantemente, estou lidando com criação. Quando conheci a Fine Art, através da artista Brooke Shaden, há dois anos atrás pela internet, me identifiquei instantaneamente com sua arte: era isso, é isso que quero criar com minhas fotografias (pensei). Desde então, tenho acompanhado, do longe mais perto que só a internet pode proporcionar, às séries de fotografias conceituais que a Brooke e outros artistas do mundo fazem, dentro deste estilo.

Quanto mais eu pesquisava, lia, conhecia, estudava e tentava exercitar essa nova forma de fazer fotografia, aconteciam duas emoções antagônicas, dentro de mim. Uma de êxtase, total envolvimento e empatia com o assunto. Paixão, da forma mais visceral e prazerosa que se pode ter por algo ou alguém. A outra emoção, era de completa frustração, seguida de um longo período de estagnação, quase que uma anulação intencional sobre o assunto, por puro sentimento de inadequação e fracasso. 

Pensei em desistir por diversas vezes: ah, deixa isso pra lá, isso não é pra você…. Quando ousava criar qualquer composição fotográfica, no fundo não sentia aquela imagem como sendo algo feito por mim, não fazia eco, parecia tão distante.  O sentimento que vinha depois, era de vazio.

De repente, resolvi soltar, parar de ter um ideal de imagem perfeita, me opus as atitudes negativas que estava tendo sobre mim e me descomprimi. Foi a partir dessa catarse psicológica, que andei.  Comecei a desenvolver meu processo de criação meio que como uma brincadeira, sem qualquer cobrança em acertar. Hoje já faz alguns meses, começo a ver surgir a minha identidade artística. Claramente posso definir minhas criações dentro da Fine Art através dos autorretratos que faço, com imagens que contenham delicadeza, uma leveza de melancolia, um mundo de cores que sempre vão definir o meu estado emocional no momento em que faço a composição da imagem. Crio universos lúdicos sempre inspirados em como sinto o meu cotidiano. E ao contrário, de muitos artistas que escuto contando sobre como elaboram os seus processos criativos, com meses de antecedência e já sabendo o que vão fotografar quando querem criar uma imagem conceitual, para mim, a coisa funciona quase que num impulso. Claro, existe uma certa intenção na quantidade de fotografias que disparo, mas é somente durante o processo de composição que elaboro no computador, que a ideia vai ficando clara e a imagem nasce, sempre embasada por vários estímulos sensoriais que precisam ser verbalizados, de forma escrita. O meu ato de criar uma fotografia conceitual, surge quase como uma trilogia, onde música, escrita e imagem se fundem, dando vazão a minha emoção.   Acredito que nossa inspiração advém da vida, das nossas memórias, do que percebemos do nosso em torno. Estamos “ligados” 24 horas, de alguma forma, toda essa informação está sendo trabalhada, basta estar vivo, olhando, andando, sentindo… Depois é só acessar essa caixinha e a criatividade aparece.

Estou cada vez mais consciente de que o melhor de tudo que podemos colher da vida: é o processo, a liberdade de ser feliz por estar onde você escolheu. Só reconhecemos que a nossa liberdade removeu qualquer vestígio de condicionamento, quando matamos todos os nossos monstros de perfeição. Muito provavelmente daqui a alguns meses, ou anos vou olhar para o que produzo hoje e me sentir distante. O que não deixa de ser um bom sinal. Reforçando a sabedoria de que a vida é cíclica e nada permanece. Tudo está em constante transformação.

Fecho aqui a reflexão do meu texto: trabalho, mundo, inspiração, arte, criação. Independentemente do que você faça na vida, basta matar os seus monstros.

Ao meu lado, o Bruce (meu cachorro), sempre atento a tudo e nada lhe escapa, provavelmente saiba dessa verdade, há muito mais tempo do que eu:

A vida acontece em nós….

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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