MUDANÇAS CLIMÁTICAS

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As concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que tem maior duração na atmosfera, atingiram taxas recordes registradas desde a em pré-industriaI do século 18.

 

O aumento na força radioativa provocada por esses gases chegou a 26% desde 1990. E só entre 2007 e 2008, a alta foi de 1,3%. Os gases de efeito estufa bloqueiam a radiação e provocam o aquecimento na atmosfera terrestre.

 

Só o dióxido de carbono, o mais importante gás emitido por seres humanos, foi responsável por um aumento de 86% na força radioativa da Terra entre 2003 e 2008, quatro vezes superior a qualquer outra emissão combinada. E desde 1750, a presença de dióxido de carbono na atmosfera cresceu 38%.

 

Já o gás metano, cuja concentração permaneceu estável por sete anos, registrou aumento de 18%, provocado principalmente pelo cultivo agrícola de arroz, aterros e a combustão de biomassa.

 

A queima de combustíveis fósseis e a agricultura são os maiores responsáveis pelo aquecimento global e, como conseqüência, pelas mudanças climáticas.

 

O aquecimento global começou a atingir a Antártida Oriental, uma vasta região do Continente Branco que conservava até agora um particular “status quo” que a mantinha resguardada do degelo polar.

 

Um grupo de trabalho da Universidade do Texas (EUA) dirigido pelo professor Jianli Chen observou que a camada de gelo da plataforma antártica oriental, na qual se encontra a maioria das geleiras do planeta, começou a perder espessura em 2006, seguindo a esteira da zona ocidental do continente.

 

A equipe de pesquisa constatou que o ritmo de perda de massa de gelo na zona ocidental foi de 132 quilômetros cúbicos ao ano durante esse período, número semelhante ao indicado por estudos anteriores.

 

A surpresa foi quando observaram que, há três anos, também o manto de gelo das zonas litorâneas da Antártida Oriental perdia 57 quilômetros cúbicos ao ano, frente à estabilidade aparente registrada até esse momento.

 

A preocupação com as alterações climáticas há muito deixou os laboratórios e se tomou prioridade para governos e empresas, que percebem, cada vez mais, seus impactos na vida urbana. As mudanças no clima também afetam a saúde e a qualidade de vida dos moradores de grandes metrópoles, que já sentem na pele (e nos pulmões) seus efeitos negativos. Porém, o que pesquisadores revelam é que esses impactos serão muito mais prejudiciais para a saúde em cidades que não estão devidamente preparadas para lidar com eles.

 

A variação do clima traz impactos para a temperatura, os ventos e até mesmo a qualidade do ar e da água, podendo provocar enchentes, secas e, consequentemente, diversas doenças, explica a economista e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, Martha Barata, uma das colaboradoras do estudo. – Porém, a intensidade desses impactos vai variar de acordo com as condições sociais, ambientais e de infra-estrutura dessas cidades.

 

Os danos que a mudança climática pode causar na saúde, direta ou indiretamente, são muitos. Segundo Martha, vários centros urbanos sentem os efeitos diretos no caso, por exemplo, de enchentes – que causam traumas físicos e psicológicos instantâneos – ou de ondas de calor que vêm resultando em mortalidades, especialmente entre idosos, em vários países da Europa.

 

Já os impactos indiretos vão desde a proliferação de vetores de doenças (como mosquitos e ratos) ao aumento de alergias e problemas, em decorrência da diminuição da qualidade do ar. Além disso, as mudanças climáticas alteram até mesmo a agricultura, gerando movimentos migratórios de expulsão rural e contribuindo para agravar os problemas sociais dentro das grandes cidades.

 

Trabalhando problemas como a qualidade da água e do ar, o governo pode reduzir os danos com o tratamento de doenças como hepatite, dengue ou patologias respiratórias, defende Martha. O impacto depende muito do local e da educação, e a preocupação com esses investimentos pode poupar gastos no futuro.

 

O Rio já tem uma iniciativa nesse sentido. No momento, a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro (SEA) conduzem um estudo para avaliar indicadores de vulnerabi1idade dos municípios em relação às mudanças climáticas. A idéia é que, a partir desses índices, as autoridades possam aplicar as políticas adequadas, contribuindo para melhorar a saúde e a qua1idade de vida dos cariocas.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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