MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Cantores: ALFREDO DEL-PENHO e PEDRO PAULO MALTA

CD: “CACHAÇA DÁ SAMBA!”

Gravadora: DECKDISC

 

“Cachaça Dá Samba!” é o título do novo projeto de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, dupla que em 2004 se lançou no mercado fonográfico com o ótimo CD de sambas “Dois Bicudos” e no ano seguinte pôs nas lojas o inventivo “Lamartiníadas”, ao lado de Pedro Miranda.

O repertório do novo trabalho é composto por canções que abordam, em suas letras, o universo da cachaça nacional, bastante valorizada atualmente mundo afora, mas desde há muito sendo utilizada como tema corriqueiro no cancioneiro popular. A idéia surgiu quando da realização do espetáculo homônimo que os dois artistas apresentaram, entre setembro e novembro de 2005, na Cachaçaria Mangue Seco, no Rio de Janeiro. As canções foram sendo testadas durante a temporada, o desejo de registrá-las em disco surgiu rapidamente e foi abraçada, de pronto, pela gravadora DeckDisc.

O álbum traça, naturalmente que com muito bom humor, um painel de um século da bebida em nossa música e mapeia desde a hilária cançoneta “Delírio Alcoólico” (de E. Briu), lançada em 1913, até temas atuais de autoria de gente como Zeca Pagodinho (o samba calangueado “Moenda Velha”, parceria com Wilson Moreira) e Moacyr Luz (a inédita “A Verdade é Pura”). Mas há outros compositores de peso que, através de seus sambas, construíram um retrato bem-humorado da cachaça na vida das classes populares ao longo do século passado, a exemplo de Noel Rosa (“Por Esta Vez Passa”), Manezinho Araújo (“Ai, cachaça!”, parceria com Fernando Lobo), Candeia (“O Que Me Dão Pra Beber”) e Bide (“Quem Mandou Você Beber”). Os melhores momentos do álbum, no entanto, ficam por conta de “O Pingo e a Pinga” (de Antônio Almeida e Pedro Caetano), “Malvada Pinga” (de Laureano, clássico do repertório de Inezita Barroso) e “Baranga das Dez, Broto das Duas” (de Jota Canalha). Isso para não falar da deliciosa e inesquecível “Cachaça” (de Héber Lobato, Lúcio Girão e Marinósio Filho) que fecha o CD com chave de ouro.

A dupla é acompanhada por um trio de craques formado pelo também produtor Henrique Cazes (cavaquinho, violões e viola), Beto Cazes (percussão) e Luís Filipe de Lima (violão de 7 cordas). Já o caprichado projeto gráfico leva a assinatura de Egeu Laus e se inspira em vários antigos rótulos de garrafas de cachaça.

 

 

R E S E N H A     2

 

Banda: MUTANTES

CD: “AO VIVO”

Gravadora: SONY & BMG

 

Entre 1968 e 1972 um grupo em especial roubou as atenções nestas terras brasilis. Capitaneado por Rita Lee e os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias (vocal, teclados e guitarra, respectivamente), os Mutantes aproveitaram aquele momento de efervescência cultural e, de forma anárquica e revolucionária, inventaram o rock no terceiro mundo, firmando definitivamente seu nome na música popular brasileira e servindo como fonte de inspiração para várias bandas surgidas nas décadas seguintes.

O grupo participou ativamente dos festivais de música em plena voga à época e integrou o movimento Tropicalista (levado a cabo por Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e Gilberto Gil), tanto que está presente no antológico disco “Tropicália”, participando das faixas “Panis Et Circenses”, “Parque Industrial” e “Hino do Senhor do Bonfim”. Por problemas internos que envolveram questões sentimentais e choque de egos, o grupo não conseguiu se manter unido por mais de cinco anos e, logo em seguida, Rita Lee terminou por se lançar em carreira solo, a qual se consolidou efetivamente a partir da década de oitenta.

Em maio do ano passado, todavia, o que parecia improvável aconteceu. Convidados a tocarem juntos novamente para participar de show comemorativo realizado em Londres, no Barbican Theatre, os Mutantes voltaram a se reunir, quase quarenta anos depois (muito embora sem a presença de Rita, que declinou do convite).

A esperada apresentação, gravada ao vivo, resultou no CD (duplo) e no DVD que aportaram recentemente no mercado e comprovam que os músicos se encontram em plena forma. Zélia Duncan (famosa por sua onipresença em trabalhos de colegas) foi a escolhida para estar no lugar de Rita (nunca para substituí-la pois, por mais que esteja no centro do palco, faz papel simbólico de vocais), depois de serem cogitadas Fernanda Takai (do Pato Fu) e Rebeca Matta. Embora discreta, a cantora mostra-se deslumbrada por estar dividindo o palco com seus ídolos de infância. Também participam do projeto, entre outros, o baterista Dinho Leme (que também fez parte da formação original), a percussionista Simone Soul, o baixista Vinicius Junqueira e a vocalista Esmérya Bulgari (cujo timbre vocal lembra impressionantemente o de Rita).

Embora sem apresentar canções inéditas (o que prometem fazer em um próximo álbum), o trabalho soa incrivelmente atual. As canções mais conhecidas estão todas lá (“Balada do Louco”, “Dois Mil e Um”, “Top Top”, “Baby” e “Bat Macumba”, por exemplo), mas há outros momentos bastante legais, conforme comprovam as faixas “Caminhante Noturno”, “El Justiciero”, “Fuga nº II” e “A Minha Menina”. Aconselhável para os fãs de outrora, os atuais e – certamente – os tantos que ainda virão!

  

 

N O V I D A D E S

 

·               Hoje à noite, a partir das 20 horas, no espaço destinado à Rua da Cultura, localizada no Mercado Thales Ferraz, vai se realizar um show muito especial da banda Naurêa. É que o evento será totalmente registrado e se transformará no primeiro DVD do grupo, o qual deverá estar disponível para os fãs ainda neste primeiro semestre. Já estão confirmadas as participações especiais de Genival Lacerda, Nino Karva, HotBlack, Silvério Pessoa, DJ Dolores e Isaar. Não dá para ficar de fora…

 

·               Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (quinta-feira próxima), três cantoras da nova geração da MPB estarão se apresentando em show a ser realizado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, cuja direção musical leva a assinatura de Dino Barioni e com repertório voltado exclusivamente para a obra musical de Chico Buarque. Trata-se das ótimas Fernanda Porto, Cris Aflalo e Luciana Mello. Excelente iniciativa!

 

·               Chegará às lojas ainda este mês o primeiro CD da Orquestra Imperial, já um grande sucesso em terras cariocas, que é formada por Thalma de Freitas (voz), Nina Becker (voz), Moreno Veloso (percussão e voz), Nelson Jacobina (guitarra e violão), Rodrigo Amarante (voz), Wilson das Neves (voz e percussões), Pedro Sá (guitarra), Bartolo (guitarra), Rubinho Jacobina (teclados), Berna Ceppas (teclados e percussão), Kassin (baixo), Domenico (bateria), Stephane San Juan (percussão), Bodão (percussão), Leo Monteiro (percussão eletrônica), Felipe Pinaud (flauta), Max Sette (trompete e flugelhorn), Bidu Cordeiro (trombone) e Mauro Zacharias (trombone). A expectativa em torno do lançamento é grande!

 

·               A cantora Graça Cunha põe no mercado, através da gravadora Azul Music, o CD intitulado “De Virada”, o qual é composto de doze faixas e leva a assinatura de Dino Barioni na produção. A bela artista de voz clara e bonita (cujo timbre lembra o de Ivete Sangalo, embora seja mais agudo) baseia seu trabalho no chamado samba-jazz, cuja grande influência continua sendo Leny Andrade. Há duas regravações (“Acontece”, de Cartola, e “Aquele Um”, de Djavan e Aldir Blanc), mas os melhores momentos ficam por conta da canção que dá título ao disco (de Rafael Altério e Rita Altério), de “Bahia das Graças” (de Lupa Mabuze) e de “Aguaceiro” (de Alexandre Leão e Tito Bahiense).

 

·               Bena Lobo vai lançar em breve o seu primeiro DVD. Gravado ao vivo no Teatro Rival (RJ), o projeto contará com as participações especiais de Edu Lobo, pai do artista, e de João Donato. No repertório estarão algumas canções inesquecíveis, tais como: “Ponteio”, “Borzeguim”, “It’s a Long Way” e “Quem te Viu, Quem te Vê”.

 

·               O álbum de Gal Costa intitulado “Live at the Blue Note”, editado em setembro do ano passado somente nos Estados Unidos, Europa e Japão, chegará ao mercado nacional através da gravadora Universal. Nesse trabalho, a cantora baiana é acompanhada por um quarteto formado por músicos brasileiros e interpreta músicas de compositores como Ary Barroso, Caetano Veloso e Tom Jobim.

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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