Ninguém sabe nada, mas alguns sempre mamam.

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Estou abismado. De repente o Brasil está afundado ate o pescoço na atual crise econômica.

 

Saiu o resultado estatístico do último trimestre de 2008, justamente agora quando já estamos findando o primeiro de 2009.

 

E o resultado apresentado é terrível; saímos de uma perspectiva de que tudo estava bem, vivíamos uma “marolinha”, no dizer jocoso do Presidente Lula, e agora estão nos dizendo que estamos inseridos no olho do furacão ou na rota irreversível de um tsuname.

 

E o curioso é que nenhum dos analistas econômicos suspeitava de nada. Todos estavam otimistas como o Presidente, e aplaudiam o desempenho brasileiro. Chegavam inclusive a ousar dar aulas ao mundo, louvando o proer tucano, tão xingado e mal afamado quando da sua feitura e ação, e agora visto como antídoto para bem resolver e sanear os bancos em quebradeira. Estávamos até posando de superioridade frente às nações mais ricas agora mergulhadas na insolvência de vária dificuldade, virando-lhes o rosto por não regularem convenientemente a atividade especulativa e financeira.

 

E o que se vê agora? Muita conversa fiada estava sendo dita pelos analistas econômicos, otimistas em excesso, e agora pessimistas em unanimidade.

 

Mas como a palavra dita em vão, fica também no próprio vão, e no em vão do esquecimento, eis que agora o crédito virou débito, o saldo era resto a dever, e o que deveria ser, de uma análise correta e profunda, vira especulação de proveta, ensaio de especulação e ficção; uma espécie ruminar de argumentos flácidos para apascentar bovinos.

 

E como somos leitores pacíficos destas análises sempre realizadas por luminares e especialistas, eis que continuamos bovinamente a escutar os mesmos que elogiavam e exibiam gráficos para evidenciar suas certezas absolutas, agora mudando a curva, retificando a inclinação, dizendo que o crescimento de ontem não era mesmo um crescimento, e o descaimento atual é que é verdadeiro, tanto que resta comprovado também com curvas de gráficos e tabelas inexoráveis.

 

Ah, a matemática! Quantos erros são justificados em seu nome! Ah, a estatística! Quantos estatistas e desestatistas se utilizam de sua moda e mediana, para achincalhar o desvio padrão querendo padronizá-lo em quadratura e em quadradura.

 

E a quadra, qualquer quadra, do tempo, da história ou da vida, é dura, muito dura, sobretudo com o crescente número de bocas chegando a cada segundo ao mundo em desafios crescentes e se fazendo inconseqüentes, sem preocupação com a fadiga do solo e a exaustão da terra.

 

Mundo que cresce na técnica, na ciência, na inteligência e na criatividade, mas mundo terrível se ampliando em desigualdade de saciados e de esfomeados.

 

Mundo de muitos discursos vazios em promessas remotas de paraísos exeqüíveis no aqui e no agora, em meio a tantos crimes cometidos a acrescer a miséria global.

 

Sim, porque a dívida não paga, o empréstimo concedido sem lastro, a especulação desenfreada de preços, a utilização dos recursos públicos para sanear o calote genérico dado em pirâmides, bolsas especulativas e investimentos de alto risco é ampliar a miséria global sem limites.

 

E quando se pede ao Presidente Obama para introduzir trilhões de dólares na economia, estatizando o prejuízo privado para manter vivo um organismo tornado deletério, não se vê que tal política é um despautério que em longo prazo aumentará a miséria em benefício de poucos.

 

Daí estes poucos, sobremodo espertos, quererem as respostas rápidas e os saques imediatos com crédito a fundo perdido, endividando o futuro e as gerações futuras, quando é a atual, e eles em particular, que precisam pagar a conta do seu desmando.

 

Se estamos a viver uma crise, se há insolvência financeira, que o mercado retifique o mercado com o seu próprio recurso, punindo ou premiando quem faz bem sua conta de risco.

 

Os recursos públicos se existem ainda, aquinhoados e armazenados, que sejam gastos em algo que melhore a vida do povo em longo prazo, como saúde, educação, políticas de integração social, melhoria de equipamentos públicos em estradas, portos e comunicação, tudo o que desenvolve uma nação e agrega um povo. Jamais o atendimento de perdões de dívidas e financiamentos espertamente açodados de especuladores, afinal tais especulações são embasadas na ganância dos eternos usufrutuários das tetas governamentais.

 

Usufrutuários que gravitam em torno de todos os governos, de todos os partidos, de todas as siglas, sejam elas liberais ou conservadoras, partrimonialistas ou estatistas, socialistas ou comunistas, em qualquer tempo e regime, democrático ou autoritário, conseguindo convencer e corromper atrabiliariamente qualquer governante.

 

Porque o governante, aquele que tem a obrigação e a responsabilidade de tomar decisões fica refém de seus áulicos, em subserviências fingidas e juras eternas de lealdade. Quando em realidade estes cumprem o seu papel de rapinar o despojo fácil do patrimônio público mal zelado.

 

Ora, como ninguém zela pelo que é de todos e a degradação dos equipamentos públicos na escola é o melhor exemplo, eis nesta mesma fieira a feitura de opiniões e conselhos para desbastar o erário, sobretudo agora, em meio à crise, quando todos deveriam apertar o cinto e eliminar os excessos.

 

“Não há nada de novo debaixo do sol” diz a Bíblia, e o homem continua a repetir suas mesmas misérias.

 

E a história se repete. Não entre o trágico e o cômico, no dizer de Karl Marx se revoltando, só porque um Napoleão pequeno substituíra o outro, que foi o maior e jamais esquecido, em golpes autoritários de Brumários.

 

Mas a história do mundo que rejeita o déspota esclarecido, o líder carismático e o cônsul reformador parece preferir os “corsi e ricorsi” de Gianbatista Vico, que viu a humanidade percorrer ciclicamente momentos de luzes e brilhos, enveredando depois em indiferença, estagnação e treva, numa rebarbarização de costumes como marés a degradar as nações e os povos, na sua caminhada de criação.

 

Estamos numa grande crise, dizem agora os entendidos. É um perigo viver em meio à crise, sobretudo a que permeia uma excedente incredulidade nas instituições e nos homens. Cenário para que as oportunistas e eternas Cassandras façam previsões alarmistas e catastrofistas, receitando vacinas e imunidades para prever danos e cataclismos.

 

Ora, se há mais despesa que crédito, reza a sabedoria milenar da copa-cozinha contemplando a despensa, melhor é moderar os excessos, afinal em matéria de especulação, moderação, se afina com frugalidade e da calma na decisão.

 

É preciso minorar os gastos, reduzindo o supérfluo e eliminando o dispêndio inútil. Tudo o que a velha lição financista nunca endividou ninguém.

 

Quanto aos investimentos de alto risco, se já não dão agora o retorno de outrora, já tiveram sua merecida paga, já foram suficientemente remunerados; que cuidem do seu caminho, sobretudo porque saberão encontra-lo sem dificuldade. Esta é a verdadeira lição liberal, fruto da independência do livre sonhar humano; “Laissez faire, laissez aller, laissez passer, et rien de plus”, deixai fazer, deixai ir, deixai passar, e nada mais.

 

Quanto aos emissores de opinião, os que mudam a matemática e a estatística convenientemente ao sabor do noticiário, continuemos a ouvi-los com atenção, afinal os que não se deliciam na novela nem se orgasmam no brigbrother de ocasião, precisam também de sua programação de ficção e de besteirol.

Neste contexto de tantas opiniões mutáveis tão mal cerzidas e remendadas resta a nossa verdadeira realidade; ninguém sabe nada, mas alguns sempre mamam.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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