Nossa Lava Jato

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Acusado pelo governador Jackson Barreto (PMDB) de ludibriar o Banco do Nordeste em R$ 100 milhões, o dublê de político e empresário Edvan Amorim reagiu firme ao ataque, porém acertou o próprio pé. Confessou ser um graúdo propineiro e ainda deu pistas sobre empresários que, segundo disse, corromperam Jackson. Conforme Amorim, JB recebia “de mim semanada, que uma pessoa levava para ele toda sexta-feira”. Isso é gravíssimo! Por sua vez, Barreto denunciou que o empréstimo de R$ 100 milhões feito por Edvan foi usado para comprar votos “na campanha de Eduardo Amorim para governador, em 2014”.  Havendo interesse da Justiça e a colaboração do próprio JB, não será difícil rastrear o destino do dinheiro sacado no BNB. Diante de confissão tão grave e acusações tão sérias, o que falta para o Ministério Público denunciar o que parece ser um enorme propinódromo, que lava dinheiro público para comprar votos, silêncios, apoios políticos e ‘otras cositas más’? Ora, a Operação Lava Jato, em curso no país, começou com denúncia infimamente menor e já deu no que deu. Portanto, silenciar diante deste escândalo, é perder uma grande oportunidade para passar Sergipe a limpo.

Fogo suspenso

Após as graves acusações de um contra o outro, tanto Edvan Amorim quanto Jackson Barreto suspenderam o fogo. O primeiro optou pelo silêncio à réplica, enquanto JB preferiu culpar o vocabulário próprio do empresário pelas graves estocadas recebidas. Sobre as propinas que, segundo Edvan, teria recebido de empresas coletoras de lixo, o governador saiu pela tangente: “Você é o próprio lixo de toda essa história". Ah, bom!

Barrado no baile

E o ex-vereador aracajuano Adelson Barreto Filho (PR) só passou uma semaninha chorada como deputado estadual. Empossado na vaga do ex-parlamentar Gilson Andrade (PTC), o moço teve o mandato suspenso pelo desembargador Roberto Porto. O magistrado fez valer decisão judicial anterior, impedindo Barreto Filho de assumir qualquer cargo público. Como sempre acontece nessas histórias, a defesa de Adelson promete recorrer. Então, tá!

Bom de grana

Empossado ontem como deputado estadual, o radialista Gilmar Carvalho (SD) deu a entender que a crise econômica não bateu em sua porta. Após prestar juramento, ele solicitou que a Assembleia só deposite seu salário após o governo pagar toda a folha salarial, inclusive a dos aposentados. Gilmar também deixou claro que não participará nem da bancada governista nem da oposição, muito pelo contrário. Aff Maria!

Troca-troca

Não esperem profundas mudanças no secretariado do governo estadual. A tão propalada reforma administrativa será um mero remanejamento. Pelo que insinua o governo, os secretários apenas mudarão de endereços: João Gama deixa a Secretaria de Planejamento e Gestão para substituir o secretário da Indústria e Comércio, Chico Dantas, que vai para outra pasta. O bom nesse troca-troca é que ninguém perderá o emprego. Nesta crise, isto é ótimo!

Abacaxi

Empossado ontem, o novo secretário estadual da Justiça, Cristiano Barreto, recebeu um abacaxi podre. Vai administrar oito presídios com 2.391 vagas, mas que aboletam 5.012 presos. Também precisará arranjar dinheiro para mobiliar a penitenciária de Areia Branca que, embora esteja prontinha desde o ano passado, permanece fechada da Silva Xavier. Segundo mostrou ontem o Jornal Nacional, na cadeia novinha em folha faltam móveis, equipamentos de segurança, bloqueadores de celular, sistema de comunicação, o diabo a quatro. Cruz credo!

Culpa as Adema

As toneladas de lixo acumuladas nas ruas, praças e avenidas da Grande Aracaju são por culpa exclusiva da Administração do Meio Ambiente (Adema). Sem antes adotar medidas para garantir a coleta do lixo, aquele órgão público simplesmente mandou fechar o aterro sanitário da Estre Ambiental, em Rosário do Catete. Como é pra lá que vai todo o lixo de Aracaju e Socorro, a empresa suspendeu a coleta. Ora, não seria mais prudente multar a Estre, em vez de fechar o aterro e punir a população? Ô cara pálida, respeite o povo!

Esqueceram de mim

A recente visita feita a Sergipe pelo trapalhão ministro da Saúde, Ricardo Barros, não foi nada, não foi nada, não foi nada mesmo! Trazido à terreinha pelo líder deste governo temerário, deputado André Moura (PSC), o fidalgo prometeu mundos e fundos, mas parece ter esquecido das promessas. Quer um exemplo? Ontem, o Ministério da Saúde anunciou a doação de 340 ambulâncias para 19 estados, porém Sergipe ficou de fora. Até parece que o nosso André Moura não anda com essa bola toda no Palácio do Planalto. Homem, vôte!

Economia de guerra

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), anunciou o que já se sabia: a fonte municipal secou. E para economizar o máximo que puder, o comunista mandou suspender licitações, patrocínios e eventos. Também determinou a redução em 20% das despesas com telefones, água, energia elétrica, combustíveis, locação de veículos, viagens, diárias e mão-de-obra terceirizada. Por fim, anunciou que os cargos em comissão serão reduzidos em 50%. Crendeuspai!

Grana preta

E o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário de Sergipe está denunciando o que chama de super-salários pagos a juízes e desembargadores. Segundo a entidade, se todos os magistrados recebessem mensalmente R$ 30 mil de salário, a despesa com a folha seria de R$ 60 milhões. Mas por conta de penduricalhos como auxílios moradia, alimentação, saúde, gratificações de direção de fórum, substituições, et cetera e tal, a gastança salta para exagerados R$ 103 milhões. Cruzes!

Desconfiados

Dois em cada 10 brasileiros vítimas de crimes e ofensas, como agressões, discriminação e furtos, procuraram a Polícia para registrar a ocorrência. Pesquisa do Ministério da Justiça revela que aproximadamente 80% dos entrevistados confiam pouco ou não confiam nas Polícias Militar e Civil. Segundo o estudo, os casos em que as vítimas procuram menos a Polícia são discriminação (2,1%), ofensa sexual (7,5%), fraudes (11,6%) e agressões (17,2%). Viche Maria!

Recorte de jornal

Publicado no jornal aracajuano Folha da Manhã, em 27 de agosto de 1939

Resumo dos jornais

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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