O QUE RESTA DA NOSSA AMAZÔNIA

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Os principais órgãos responsáveis pela administração das políticas para a Amazônia não cumprem prazos, não se comunicam e possuem dificuldade para administrar os escassos recursos. A região também carece de um organismo que exerça a coordenação das ações de governo na região e por isso sofrem com a falta de comunicação. O diagnóstico é do Tribunal de Contas da União que realizou um relatório de auditoria.

 

Constatou-se, por exemplo, que as instituições governamentais responsáveis pelo ordenamento territorial (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra e Fundação Nacional do Índio – Funai) trabalham de forma totalmente desarticulada, o que se percebe da existência de conflitos de sobreposição de áreas.

 

Números do Incra mostram que estrangeiros são donos de mais de 3,8 milhões de hectares de terra no Brasil. Somente em Mato Grosso, os investidores internacionais têm aproximadamente 754 mil hectares, divididos em 1.377 propriedades rurais.

 

A lei federal existente é pouco restritiva e movimentos sociais consideram a concentração estrangeira inadmissível em um país com demandas camponesas não atendidas.

 

De acordo com dados do IBGE, a área conhecida como Amazônia Legal é a responsável pela produção de quase 40% de carne e soja no Brasil. O agronegócio não se resume à área do cerrado da Amazônia e já avançou à floresta; dados oficiais mostram que, no caso da pecuária, 73% das 74 milhões de gado são criadas no bioma Amazônia e o avanço é grande em regiões como Mato Grosso, Rondônia e Pará, líderes em desmatamento.

 

Em 2008, o desmatamento deverá superar 12 mil quilômetros quadrados, área que equivale a oito vezes a cidade de São Paulo. Já no último ano, a Amazônia sofreu um desmatamento de 9.495 km2, o equivalente a mais de seis vezes a área da cidade de São Paulo.

 

A cana de açúcar, matéria prima utilizada na produção do etanol no Brasil, já está sendo plantada na Amazônia. De acordo com o doutor em Desenvolvimento Sustentável e professor da Universidade Federal do Acre, Écio Rodrigues, a cana não só está sendo plantada na Amazônia como inclusive tem sido fomentada com recursos públicos. “O caso do Acre é emblemático. Uma usina construída com recursos do Banco do Brasil com investimentos superiores a R$ 200 milhões e abandonada após fracasso total do projeto nos idos de 1.990 foi retomada em 2003, com recursos do governo estadual e federal, ambos do mesmo partido e, o mais interessante, com acordo até do Ministério do Meio Ambiente”, explica.

 

Para alimentar a usina serão plantados 39 mil hectares de cana de açúcar no município de Capixaba, distante 77 quilômetros de Rio Branco, e arredores. Para empreendimentos de mais de mil hectares é necessário estudo de impacto ambiental, que até o momento não foi feito. Além disso, encontra-se nessa área um importante sítio arqueológico, conhecido como Geoglifos, mas também não existem estudos sobre os impactos do avanço da cana em áreas de importância arqueológica. (Ambientebrasil)

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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