Pouca política

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O governador João Alves Filho (PFL) declarou à imprensa que faz política apenas dois meses a cada dois anos. Considerou que é muito cedo para decidir se disputará reeleição, mas deu a entender que esse projeto existe: “não faço da reeleição uma questão de vida ou morte”, explicou. Entretanto como, segundo ele, adora desafios, “gostaria de ter o prefeito reeleito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), como opositor”. Evidente que as palavras do governador não podem ser interpretadas ao pé da letra porque é um homem público, que depende de um mandato para se manter no comando de um projeto, não pode exercer a atividade eleitoral, apenas a cada dois anos. É muito pouco. Tem que fazer política 24 horas por dia, durante todo o mandato e com a perspectiva de mantê-lo pelo maior tempo possível. Até porque é exatamente essa capacidade de se locomover politicamente, que se faz um Governo e se define um projeto de continuidade administrativa.

 

Quanto a ter o prefeito Marcelo Déda como opositor, o governador João Alves Filho já o tem. O que ainda está em discussão é se ambos disputarão o Governo do Estado em 2006. Evidente que um político experiente como João Alves não deve exibir as cartas que estão sob o colete, como aconteceu em uma entrevista que ele concedeu ao radialista Gilmar Carvalho. Mas, paralelamente, não dá para exibir táticas de esconder um jogo que está demasiadamente definido. A candidatura à reeleição é o que existe de mais concreto, até porque não há sinais de que o governador esteja preparando alguém para passar o Governo. Comentou-se muito que a candidata seria a senadora Maria do Carmo Alves (PFL) e que o seu marido, governador João Alves Filho, teria que se desincompatibilizar do mandato em tempo hábil. Não há a mínima sinalização para isso e uma atitude política desse teor teria que ser amplamente analisada, discutida e avaliada, para que não prejudique ao grupo como um todo. Aliás, o PFL já não é tão unido como antigamente, que se reunia uma vez por semana para discutir exatamente problemas políticos.

 

O governador João Alves Filho já deve ter percebido que houve uma mudança muito grande no pensamento do eleitorado. O eleitor, apesar da mercantilização do voto e do excesso de negociações com lideranças da capital e interior, tem uma maior consciência da responsabilidade eleitoral. Está claro que o trabalho realizado à frente de um mandato executivo, influência muito na hora da escolha do candidato. O prefeito Marcelo Déda, por exemplo, não executou obras de grande porte. O trivial apenas. O suficiente para encher os olhos da cidade, através de um trabalho de marketing político eficiente e da unidade que conseguiu impor ao seu bloco político, que ainda se mantém unido em torno de sua liderança, inclusive pela expressividade dos votos adquiridos nas eleições municipais. Nos dois governos anteriores, João Alves Filho sempre manteve lideranças expressivas estreitamente ligadas a ele e foi assim que conseguir ganhar cinco das seis eleições ao Executivo Estadual. Seria prudente não se afastar do centro desse pessoal que orbitava em torno de suas idéias e propostas.

 

Evidente que o governador João Alves Filho está enxergando que houve um avanço muito grande na oposição. Contra ele se posicionam as demais lideranças eleitoralmente fortes do estado. E o objetivo, evidente, é tirá-lo do poder. Sem querer dourar a pílula, dar-se para perceber que João Alves Filho ainda concentra um significante número de votos, mas precisa se somar a outras personalidades políticas, para fortalecer um bloco que vem perdendo seguidores. Não se pode dizer que o senador Almeida Lima (PDT) é o mesmo da campanha de 2002. Hoje ele tem régua e compasso para traçar o seu destino, dentro de um projeto de formação de um bloco que vislumbre um futuro próximo. Certamente será candidato a governador em 2006 e pode levar os desgostosos com os dois grupos que teoricamente polarizam a disputa política sergipana. O PMDB já anuncia rompimento com o bloco governista e vai expulsar o deputado Augusto Bezerra, que é vice-líder do Governo na Assembléia Legislativa. O deputado federal Jorge Alberto (PMDB) não gostou do tratamento que recebeu como candidato à Prefeitura de Aracaju e o presidente da sigla, Benedito Figueiredo, já anunciou que, por ele, o PMDB tomaria outro rumo.

 

Por tudo isso, há necessidade de um reestudo no modelo aplicado, porque um Governo só é forte se mantiver uma base firme de sustentação. A partir de janeiro de 2005, principalmente depois do carnaval, que este ano acontece no início de fevereiro, já começa para valer os contatos visando a sucessão estadual e, embora tenha que manter o ritmo de obras, o governador não pode deixar de se preocupar na reorganização do seu grupo e retomar a ação do PFL, para que não haja dispersão. É preciso ouvir mais e muito, porque a oposição está forte, firme nos seus propósitos e ávida para assumir o poder.

 

 

AUDIÊNCIA

A senadora Heloisa Helena (PSol-AL) também participou da audiência pública ocorrida, ontem, em Propriá, sobre a transposição do rio São Francisco.

Heloisa Helena disse que o projeto de transposição era para beneficiar a grandes empreiteiras e angariar recursos para gastos de campanha.

 

MANTÉM

A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) fez um pronunciamento e se manifestou contrária a transposição das águas do rio São Francisco, como decidiu o presidente Lula.

Maria do Carmo quer que seja feita uma revitalização do São Francisco e considerou contraditória a posição do Governo Federal.

 

MIOLOS

O deputado federal João Fontes (PSol) foi mais duro em seu discurso: “a melhor transposição seria dos miolos da cabeça de Lula, para que trazer o Lula do passado”.

E continuou: “não esse Lula geneticamente modificado com o DNA dos banqueiros e das grandes empreiteiras”.

 

VAIAS

O secretário geral do Meio Ambiente, João Bosco, não conseguiu explicar o projeto de transposição do rio São Francisco, elaborado por técnicos do Governo Federal.

Uma estrondosa vaia acompanhou o seu discurso, impedindo que concluísse a explanação. Centenas de pessoas que estavam no ginásio, em Propriá, se encarregaram disso.

 

HELENO

Do bloco das oposições em Sergipe, apenas o deputado Heleno Silva (PL) estava em Propriá. Ele é contra a transposição na forma que o Governo Federal quer.

Lembrou que o vice-presidente José Alencar (PL), disse, em Aracaju, que a transposição seria feita, trazendo águas do rio Tocantins para o São Francisco: “o projeto de Lula é diferente”, concluiu.

 

PALANQUE

O deputado federal João Fontes (PSol) disse que o PSDB precisa de um palanque em Sergipe, em 2006, para enfrentar o PT.

João Fontes assegura que o senador José Almeida Lima está se filiando no PSDB e que será o dono deste palanque em Sergipe.

 

ALMEIDA

O senador José Almeida Lima (PDT) já declarou, entretanto, que não manteve mais qualquer contato com membros do PSDB para troca de legenda.

Disse que se manteria no PDT e que, inclusive, já tinha voltado a conversar com a cúpula do partido. Vai procurar fortalecê-lo.

 

FAZENDA

O secretário da Fazenda, Max Andrade, despachou ontem normalmente, cumpriu audiências agendadas e não quis falar sobre informação de sua exoneração.

Se houvesse a mudança de secretários de pastas tão importantes, o fato não seria tão simples. Para o gabinete de Max, apenas dois repórteres telefonaram para confirmação.

 

CEHOP

“Você está brincando! Já ontem me perguntaram se eu ia presidir o Deso”, foi assim que reagiu o presidente da Cehop, Sérgio Fontes, ao ser consultado sobre sua indicação para a Secretaria da Educação.

Sérgio Fontes acrescentou que não tem o menor interesse em sair de onde está e acrescentou: “não há nenhuma sinalização de mudanças”.

 

CONSELHEIRO

Apesar de faltar mais de dois anos para abertura de uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas, já começa a disputa por ela nos bastidores políticos.

O conselheiro Hildegards Azevedo, que será presidente a partir de março do próximo ano, se aposenta em junho de 2006. É essa vaga que o pessoal já está atrás.

 

SENADOR

Carlos Alberto, segundo suplente de senador, pode exercer o mandato em janeiro, quando o primeiro suplente Renildo Santana, que está senador, assumir a Prefeitura de Itabaianinha.

O segundo suplente só assume se a titular da cadeira, senadora Maria do Carmo Alves, permanecer na Secretaria de Combate à Pobreza.

 

RETORNA

A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) vai reassumir o Senado Federal em dezembro e pode retornar à Secretaria de Combate à Pobreza em janeiro ou fevereiro.

Antes disso, terá uma conversa com o segundo suplente Carlos Alberto, que realmente deve assumir o Senado durante o afastamento da senadora.

 

CONTAS

Alguns juizes estão solicitando aos candidatos a prefeito e vereador, que apressem a prestação de contas dos gastos de campanha.

O candidato tem que comprovar gastos menores ou até o limite pré-declarado. Caso ultrapasse terá que dar explicações e pode responder a processo, pondo em risco o mandato.

 

DUTRA

Está circulando comentários fortes, nos meios políticos, que o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, vai transferir seu título para o Rio de Janeiro.

Segundo uma fonte da oposição, Eduardo apareceu muito no Rio, acompanhando Jorge Bittar na campanha a prefeito. É possível que não passe de boato…

 

Notas

 

SEGURANÇA

O governador João Alves Filho, que viaja na próxima terça-feira à França, para tentar atrair um hotel da rede Sofitel para Sergipe, considera um tanto injustas as críticas à política de segurança do seu Governo. Ultimamente tem ocorrido uma série de homicídios em Aracaju e tem aumentado a ação de bandidos no Estado.

João Alves disse que existem problemas e “temos consciência dos fatos. Mas também estamos convencidos de que é impossível a segurança absoluta”. Admite que com o esforço “que empreendemos, houve um avanço”.

 

FONTES

O deputado federal João Fontes (Psol) disse que tem conversado com a direção do PDT sobre uma possível filiação na legenda. Disse que desses encontros também tem participado a senadora Heloisa Helena (Psol-AL), que também pode se filiar ao partido, caso não haja tem de regulamentação do Psol.

Segundo João Fontes, o PCB, Psol, parte do PPS e PDC devem formar uma coligação forte de esquerda, para apoiar a candidatura da senadora Heloisa Helena à Presidência da República. Isso já está sendo conversado.

 

IMPUGNAÇÃO

O deputado Ulices Andrade (PSDB) anunciou que Laerte Gomes teve sua candidatura impugnada, em Lourdes, por maldade do cartório eleitoral. Acrescentou que deveria ter sido feita a substituição da vice do candidato Péricles, a menor Luana Marques, dentro do prazo. Em seu lugar iria Adicleny (PSDB).

Mesmo assim, Ulices e outros aliados do petista Péricles Barbosa, estão convencidos de que ele sairá vitorioso nas novas eleições de Nossa Senhora de Lourdes. Lá, a campanha está cada vez ficando mais quente.

 

É fogo

O deputado João Fontes acha que o presidente Lula da Silva não terá mais nenhum voto na região ribeira do São Francisco.

 

A criminalidade está aumentando em Aracaju, notadamente na periferia. No final de semana, incluindo a terça-feira, ocorreram vários homicídios.

 

Uma empresa de transportes que atua firme em Aracaju tem sedes fantasmas em diversos municípios. Tem gente apurando o caso para denuncia ao Ministério Público.

 

Ontem não houve sessão plenária na Assembléia Legislativa, porque tudo foi transferido para a cidade de Propriá.

 

O prefeito Marcelo Déda está despachando com os seus secretários, para deixar tudo definidos, durante o período que passará em campanha fora do estado.

 

O deputado Fabiano Oliveira (PTB) disse que, logo depois do carnaval, iniciará trabalho visando as eleições de 2006.

 

Segundo Fabiano Oliveira o Pré-Caju será realizado na mesma estrutura do ano passado, com algumas modificações que vão melhorar a passagem do trio.

 

Quase em lágrimas, a deputada Maria Mendonça (PSDB) dedicou sua vitória à Prefeitura de Itabaiana, ao pai Chico de Miguel.

 

Maria Mendonça fez um relato emocionante para da luta que teve durante a campanha, para vencer as eleições em Itabaiana.

 

Apesar da melhoria na economia brasileira, da austeridade fiscal e da política monetária apertada para o controle da inflação, o Brasil continua perdendo competitividade em relação aos demais paises.

 

O comércio representa 19,6% das empresas atuantes no mercado nacional, num total de 2,3 milhões de empresas formais. Delas, cerca de 98% são micro ou pequenas empresas.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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