Pressão, urna violada e a desembargadoria

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O processo eleitoral da escolha do quinto poderia ser menos traumático para a atual presidência da OAB Sergipe, os advogados, a sociedade, os candidatos e agora para a OAB Federal. A falta de transparência e a falta de vontade de eleger a lista sêxtupla na primeira eleição era patente e às claras. Não precisa ser advogado militante para saber que havia um movimento de esvasiamento eleitoral de modo a forçar uma nova eleição e, depois automaticamente levar a disputa para o tapetão – escolha pelo conselho. As decisões eram tomadas em estilo maçônico. Não se colocou urnas no interior. Não se fez debates. Houve perseguições em materiais de campanha. Sem falar é óbvio do baixo nível lido, ouvido e visto nos meios de comunicação. A OAB que sempre pregou ética eleitoral foi tragada pela sua própria fumaça. A fumaça negra que ainda rodeia a travessa Martinho Lutero e agora alcança jurisdições diversas.

 

Não há dúvidas que as eleições para o quinto constitucional começaram na disputa para a presidência da OAB no ano passado. Aparentemente acreditava-se que todas correntes sairiam juntas para a reeleição do atual presidente, o advogado Henri Clay Santos Andrade. Ora era preciso eleger Henri Clay para fortalecer a campanha do primeiro sergipano a disputar a presidência da OAB Federal. É claro que se não houvesse um racha não haveria dúvidas que o advogado Edson Ulisses de Melo seria o candidato da OAB ungido ao cargo de desembargador. Mas a história não foi escrita do jeito que pintaram. Talvez, Edson Ulisses pelo seu espírito democrático tenha trocado esta unanimidade pelo respeito ao estado democrático de direito e, acima de tudo por se fazer respeitar. A palavra subjugado não faz parte do dicionário dos “Melos”.

 

O jargão que lhe foi colocado pelo presidente da OAB Federal nesta semana de que “… Edson já se sente desembargador…” precisa ser melhor entendido. Edson Ulisses em outrora abriu mão de ser um dos indicados para ministro do Superior Tribunal de Justiça, pois naquele momento se viu motivado a apoiar o advogado Clóvis Barbosa de Melo. Seria até mais fácil para o governador Marcelo Déda intervir junto ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, o nome do seu cunhado do que o próprio candidato Clóvis Barbosa, que nada mais que amigo irmão de Deda. Mas o foco era a procura de um nome que melhor representasse Sergipe. Na ocasião César Brito, Edson Ulisses, Henri Clay andaram juntos e beberam do mesmo cantil. Agora terminantemente não é necessário que estes personagens joguem uma vida pela janela e fiquem olhando para o retrovisor vendo o tempo passar. Os bons tempos de Edson Ulisses apoiando César Brito. De Edson e César apoiarem Cláudio Cruz. De Edson, Brito e Cruz apoiarem Henri Clay, sem falar é óbvio na defesa do estado democrático de direito que pode ser colocado de lado por causa de picuinhas personalistas.

A verdade é que estamos diante do fato que uma das urnas emitiu involuntariamente o boletim. Não deve pairar dúvidas sobre a honestidade do presidente da OAB/SE. A emissão foi involuntária, logo não foi dolosa. Todos conhecem Henri Clay e sabem que ele seria incapaz de “violar” a urna 03. A questão é que essa involuntariedade não foi exposta para a imprensa. Era preciso sim agir com mais transparência, pois até o vice-presidente, que responde interinamente pela OAB disse que só soube da situação fática pela imprensa. Agora cabe à diretoria da OAB/SE tratar o assunto de forma profissional e convincente, aceitando o lapso e demonstrando que não houve má fé. Partir para ataques pessoais não seria a melhor opção no momento. Caso tenha havido conhecimento do BU por parte da diretoria da OAB esse resultado tem que se tornar público o mais rápido possível, pois precisamos analisar o prisma de que toda urna é tendenciosa e que este resultado quando de conhecimento de poucos não pode ser usado para um novo esvasiamento eleitoral em busca do tapetão.

 

Enquanto as pressões e trocas de acusações acontecem pelos grupos rivais o Tribunal de Justiça de Sergipe em uma reunião solene já escolheu sua nova desembargadora. O Ministério Público também já elegeu um novo Procurador de Justiça. Já nós advogados mostramos que não temos capacidade de eleger uma lista com seis nomes dentre 16 candidatos. É preciso que os advogados compareçam nas próximas eleições esqueçam os apelos covardes de esvasiamento eleitoral. Sacrificar uma tarde e mostrar à sociedade sergipana que são íntegros e capazes de eleger um representante no judiciário sergipano evitando assim que o conselho que não possui a unanimidade possa escolher aquele que não atende a todos.

 

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(*) é advogado, jornalista, radialista, coordenador do curso de Direito da FASER – Faculdade Sergipana e mestrando em ciências políticas. Cartas e sugestões deverão ser enviadas para a Av. Pedro Paes de Azevedo, 618, Bairro Salgado Filho, Aracaju/SE. Contato pelos telefones: 9137 0476 // Fax: (79) 3246 0444. E-mail: faustoleite@infonet.com.br

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