Drª Clara Leite Rezende, primeira Desembargadora do Estado em Sergipe

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Desembargadora em entrevista à Infonet
Foi na Faculdade de Direito de Sergipe que se formou a primeira mulher a ocupar a posição de desembargadora no Estado. O caminho foi um tanto dificultoso, mas superado por muita força de vontade e apoio da família. O Portal Infonet apresenta a terceira homenageada do especial Dia Internacional da Mulher, doutora Clara Leite Rezende, pioneira na Justiça e única rainha de um lar composto pelos dois filhos e o marido com o qual é casada há 40 anos.

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De acordo com Clara Rezende, a carreira no Direito não foi algo planejado por ela antes de adentrar o ensino superior. “Não foi bem por vocação, mas a faculdade me abriu os horizontes para a esfera jurídica”, disse.

Foi na magistratura que viu a oportunidade de profissionalizar os anos de estudo na faculdade. Tornou-se juíza em Nossa Senhora da Glória, em 1970 e ainda passaria pelas comarcas de Frei Paulo, Maruim e Estância até chegar à Vara de Família em Aracaju. Assumir o cargo na capital após um longo trajeto pelas cidades do interior de Sergipe foi um alívio à então juíza. “Trabalhar em uma cidade longe da minha família foi um dos grandes desafios até então porque eu já estava casada, tinha filhos, e eles moravam aqui em Aracaju”, afirma. Ela ainda ressalta o apoio da mãe e do marido no período em que trabalhava no interior sergipano.

Ao assumir a comarca de Glória, no ano de 1970, a doutora Clara Rezende afirmou não ter encontrado preconceito dentro do Poder Judiciário, pelo fato de ser mulher. Mas a desembargadora revela uma possível desconfiança da população a respeito da figura feminina no papel de juiz. “A cidade de Glória era muito machista, houve uma certa perplexidade em ver uma mulher dando ordens em vários homens lá”, relembra.

Pioneira

Clara Rezende, primeira Chefe de Estado em Sergipe
A carreira como juíza, apesar de intensa, foi rápida. Aos 44 anos de idade e 14 de carreira jurídica, tornou-se a primeira mulher do Estado de Sergipe a ocupar o cargo de desembargadora, por critério de merecimento. De acordo com a magistrada, o pioneirismo na desembargadoria não foi motivo de espanto á sociedade da época. “Eu sou de um tempo em que a sociedade já estava preparada para receber a mulher em cargos de chefia. Mesmo tendo sido a primeira Chefe de Estado em Sergipe, antes nunca houve uma governadora ou prefeita, senti que a recepção foi positiva”, declarou.

A desembargadora acredita que a mulher ainda tem muito a conquistar, mesmo com o espaço que já conseguiu ocupar no meio social. “Falo isso até sob um ponto de vista mundial. Vejamos as mulheres do oriente, por exemplo, que passam por situações lamentáveis diante da cultura machista a qual estão sujeitas. Mesmo no ocidente, acho que ainda falta a mulher sair do casulo e ir a luta. A cultura cristalizou na formação feminina que ela é um ser menos capaz que o homem e ela vem mostrando que não é bem assim. Mas ainda falta iniciativa de muitas de nós, mulheres”, acredita.

A mudança de postura da mulher ao decorrer das últimas décadas não foi só uma vitória do sexo feminino, supõe Clara Rezende. “Na minha opinião o homem também ganhou muito com o crescimento da mulher enquanto cidadã. Assim ele tem uma mulher parceira, uma mulher colaboradora, uma mulher mais compreensiva”.

Relacionamento Familiar

Ela é casada e mãe de dois filhos
Lógico que a vida da desembargadora não compreende apenas o cotidiano da carreira jurídica. Casada e mãe de dois filhos, ela faz uma brincadeira com o fato de ser a única mulher da família. “Na minha casa, meu reinado é absoluto”, disse. Clara Rezende ainda fez uma ressalva acerca da relação com o marido e o apreço que tem pelas atitudes de cavalheirismo dele. “Eu falo para ele que faço questão dos meus direitos e meus privilégios”, afirmou.

Dos dois filhos que teve, um optou por seguir seus passos na carreira jurídica enquanto o outro atua como arquiteto no Rio de Janeiro. A relação harmônica que existe com seus filhos é um dos grandes orgulhos da homenageada. “Sinto que não apenas eu sou orgulhosa deles, mas eles também aprenderam a lidar com essa mãe magistrada e nutrem orgulho por isso”, revela.

O desejo da desembargadora neste Dia Internacional da Mulher é que as garotas sujeitas ao problema da prostituição infantil recebam um olhar especial da sociedade em geral. “São meninas que não tiveram oportunidade de serem meninas e tornaram-se mulheres muito cedo, porém através de uma porta desastrosa”, lamenta.

Confira as matérias anteriores da série especial do Dia da Mulher:

Maria Thetis – Uma vida para a Educação

Jaci – Mais que uma tia, uma mãe!

Cléia Souza – Exemplo de superação

Dona Neném – Humilhação e Determinação

Por Glauco Vinícius e Carla Sousa

 

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