Mulheres denunciam maus-tratos em novo presídio

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Esposas de presos buscam apoio junto ao MPE
Esposas de detentos do novo presídio do bairro Santa Maria estiveram na tarde desta segunda-feira, 4, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), para tentar junto ao promotor Deijaniro Jonas, que sejam apuradas as denúncias de maus-tratos aos presos.  Entre as denúncias, estão as de faltade lençóis, escovas com cabos quebrados e alimentos quentes como macaxeira e batata sendo servidos diretamente nas mãos. Todas as denúncias foram rebatidas pela direção do presídio.

De acordo com as denunciantes, querem apenas que se cumpra a legislação a exemplo da quantidade de comida. “Por lei, eles tem direito a 900g de alimentos, mas só estão tendo 190g e assim mesmo quando servem macaxeira ou batata, servem na mão. Muitos jogam por não ter como comer. E as escovas de dente, são com os cabos quebrados e ainda por cima tem que durar seis meses”, reclama Vanlúcia Alves, que visita semanalmente o marido acusado de assalto.

Para Daniele Lima, esposa de um detento acusado de estelionato, a desorganização é geral.  “A coisa começou a ficar desorganizada duas semanas depois que o presídio foi inaugurado.  Não é nada daquilo que mostraram.  Os presos ficam oito dias com a mesma roupa.  A máquina de lavar está quebrada, eles não podem lavar nas celas e a família não pode levar nada. Só tem um lençol no kit de higiene.  Ou bem forra o colchão ou se cobre e na hora da visita, as pessoas ficam no pátio. Na chuva da última sexta-feira, uma senhora escorregou e caiu”, reclama.

Outra reclamação é quanto às visitas íntimas.  “Temos o direito de passar apenas uma hora com nossos maridos. O tempo poderia ser maior”, destaca Ingrid Santos, cujo esposo cumpre pena por tráfico. “Meu marido está preso há 20 anos, acusado de homicídio, mas nunca havia passado por esses constrangimentos”, completa Marluce Santana, ao ouvir das colegas que um detento colocou creme dental na testa para aliviar a dor de cabeça por não ter recebido remédios e que os visitantes não podem levar livros, nem mesmo a bíblia.

Novo presídio foi inaugurado em abril deste ano
Contraponto

O diretor do novo presídio localizado no bairro Santa Maria, Antônio Ricardo Manhães explicou que nenhuma das denúncias condiz com a verdade a não ser da falta de livros, mas porque a biblioteca está sendo organizada. “O acesso da bíblia já foi permitido e nós temos apenas um mês de funcionamento. Estamos concluindo a estruturação da biblioteca”, afirma.

Quanto ao problema da alimentação, Munhões disse que os presos recebem quatro alimentações por dia e que até mesmo os visitantes podem comer no novo presídio.  “Toda a alimentação é servida em vasilhames plásticos e quanto às visitas íntimas, temos seis salas, mas a depender da demanda o tempo fica menor. O fardamento é trocado de três em três dias e os visitantes não ficam ao sol e chuva, mas em quiosques. As escovas realmente são entregues com as pontas quebradas, para evitar que serrem as pontas e as usem como armas. Nossa intenção é custodear”, garante.

Por Aldaci de Souza

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