Rapper Rincon Sapiência será uma das atrações do FASC

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Cantor Rincon Sapiência (Foto: Renato Stockler)

Certamente uma das atrações mais esperadas do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC), o rapper e poeta, Rincon Sapiência, se apresentará no domingo (18 de novembro), no Palco Frei Santa Cecília, Centro Histórico da cidade. Bastante conhecido do cenário musical paulista, vem ganhando o país, com canções que retratam o cotidiano dos brasileiros, em suas alegrias e mazelas. Durante entrevista, ele conversou sobre a arte ser o caminho para o fluxo de ideias, mas também para o entretenimento.

Suas composições são marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, abordando questões raciais e sociais. Como realizar um RAP com clima de positividade, sem prejudicar a crítica do discurso?

Rincon Sapiência: Esse lance de ter esse tipo de texto e crítica de ‘pretitude’ e africanidade vem da minha formação com música e das minhas pesquisas. Mas eu penso, que acima de tudo eu estou fazendo música, ela (música) pode ter o seu caráter contestador e crítico, mas ela está na escala do entretenimento. Nós vamos colocar nosso fone no ouvido ir para o trabalho, aliviar a tensão, ouvir no carro, em casa, fazendo a comida, então eu penso que a música tem que ter sempre um tempero quente e divertido. Por mais que eu aplique crítica social e questões raciais e temas mais sérios eu tento colocar de uma forma com que as pessoas consigam se entreter também. Acho que estamos conseguindo fazer um equilíbrio bom entre esses pontos.

Inspirado pela lenda do escravo Chico-Rei, Galanga Livre é um disco caracterizado por uma forte crítica social. Qual o balanço que você faz desse trabalho tão aclamado pela crítica e público?

R.S: Eu faço um balanço bem positivo. O álbum ‘Galanga Livre’ foi produzido e gravado por mim, tive a co- produção de William Magalhães, mas a mão de obra, a criatividade, o bruto de colocar os arranjos foi toda minha. Foi algo muito particular, das minhas pesquisas, não tinha nada parecido com o que eu estava fazendo e isso poderia ter dado muito bom ou algo ser incompreendido. Então o fato de ter sido aceito, terem entendido a linguagem, a pesquisa, o personagem Galanga que eu interpreto e de ter recebido prêmios, foi muito positivo. É o meu primeiro álbum e eu queria que fosse algo especial assim como foram os primeiros álbuns das pessoas que eu sou fã.

Na música “Ponta de Lança (Verso Livre)” você fala sobre a posição do MC (Mestre de Cerimônia) na cultura hip-hop e lança a provocação sobre a cena atual do RAP brasileiro que deixou de lado a importância das rimas e letras para destacar a imagem dos artistas. Como você avalia o cenário do RAP nacional?

R.S: Hoje, para as pessoas se conectarem com o artista elas se identificam com a música, com o que ele veste, com o local de onde ele veio, com o sentimento social e político, é um pacote, muitas vezes vai além da música. Mas eu cheguei a um ponto de reflexão que as pessoas muitas vezes estavam mais conectadas com a personalidade do que com que o MC (Mestre de Cerimônia) pode apresentar. Então eu acabei fazendo essa provocação na música ‘Ponta de Lança, uma música sem refrão, de verso livre, do qual eu desfilo técnicas de rimas, terminações, fonemas e de flow. Acabei fazendo esse desafio, jogando essa provocação no ar para os artistas de rap terem a ambição de criar uma rima incrível, de criar linguagens como o mestre de cerimônia. Eu acredito que a música ajudou a impulsionar e criar um parâmetro tanto para o público quanto para os MC’s, de querem se desafiar mais e fazer coisas interessantes.

O Brasil passa por um dos seus períodos mais conturbados politicamente da sua história. Qual o papel da arte, em tempos como esse?

R.S: Eu acredito que a arte acaba equalizando tudo que acontece. Por muitas vezes nas ruas, nos bares, as pessoas têm seus pontos de vista, suas opiniões e críticas. Quando você grava algo aplicando no seu texto coisas que a gente pensa e vive, isso acaba se estendendo para mais pessoas e provocando reflexões, isso é muito bom. Só não gosto da ideia da arte ser uma salvadora, no sentido de educar e dizer o que é certo ou errado, até porque somos cidadãos como qualquer outro, mesmo sendo artistas. Acredito sim, que ela tem uma contribuição de levar as ideias pensadas coletivamente para mais pessoas. Eu canto o que eu vivo, que é um reflexo do coletivo.  A arte tem o poder de contribuir para discussões, mas existe um limite.

Você vai se apresentar na quarta cidade mais antiga do Brasil (São Cristóvão) e no festival de artes mais tradicional do estado de Sergipe, o FASC. O que os fãs e as pessoas que vão curtir o seu som, pela primeira vez, poderão esperar do seu show?

R.S: A rapaziada pode esperar um comprometimento e muita energia da nossa parte. Nossa proposta dentro do rap passa pela dança, pelo calor, celebração e luta. Nós temos um discurso ácido em vários pontos, mas não deixamos de aplicar esse discurso de uma forma onde as pessoas possam celebrar, afinal é diversão e entretenimento também. De um modo geral o nordeste e norte nos recebem muito bem, por já estarem habituados a dançar e se divertir da forma que nós gostamos.  Estou muito otimista e com uma expectativa muito boa para esse show em São Cristóvão. A expectativa é que vá se encaixar muito bem, a nossa energia, a minha e dos meus companheiros de trabalho, com a energia do público Para quem mora na região sul sudeste e trabalha com arte, chegar ao nordeste e no norte é desafiador. Conseguir chegar e atrair as pessoas é uma oportunidade muito especial. Eu, particularmente, gosto muito da região, da personalidade das pessoas, do calor e da simpatia, eu trago muito disso no meu trabalho. Eu convido todo mundo para colar, se divertir, celebrar e lutar. Espero que seja um momento incrível.

Fonte: Prefeitura de São Cristóvão

 

 

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