“Tototó” agora é patrimônio cultural do Estado de Sergipe

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(Foto: Ascom Secult)

Intitula-se patrimônio cultural todas as expressões e tradições de um povo, sejam elas materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência, preservando sua ancestralidade para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio: bens imóveis, tais como castelos, igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos. Já os bens imateriais são representados pelos saberes, modos de fazer, formas de expressão, celebrações, músicas, etc.

Neste contexto, a cultura sergipana acaba de oficializar um dos mais valiosos e históricos bens do Estado como novo patrimônio cultural: os “tototós”- embarcações de madeiras, movidas a motor, cujo som característico motivou o nome pelo qual são conhecidas.

Em 20 de dezembro, o governador Marcelo Déda assinou o decreto que institui esse meio de transporte como patrimônio cultural e imemorial do Estado de Sergipe, reforçando sua importância na história da população aracajuana. O projeto de lei é de autoria da deputada Ana Lúcia.

Importância da ação

Por muito tempo, os ‘tototós’ representaram a única forma de se chegar à Ilha de Santa Luzia (Barra dos Coqueiros) partindo da capital. Dezenas de embarcações faziam essa travessia, que era a mais popular, tanto por conta do preço, como pela rapidez.

Para a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, esse é mais um importante passo para a preservação de bens imateriais da cultura popular sergipana. “Isso dialoga com uma tendência marcante da política de cultura, que busca nas diversas localidades, manifestações de patrimônio não só material, como também imaterial. O ‘tototó’ é um exemplo disso, pois há muitos anos está na vida dos sergipanos”, diz.

Segundo Eloísa, o fato torna-se ainda mais significante por ter partido de uma iniciativa poder legislativo. “A deputada Ana Lúcia foi sensível a esta necessidade e foi entendida pelos companheiros e acatada pelo governador. A partir de agora, nossa luta é buscar investimentos junto ao IPHAB ou junto a bancos que tem linhas de crédito para a cultura e assim possamos lutar ainda mais pelos históricos ‘tototós’ de Aracaju”, completa.

A deputada Ana Lúcia, idealizadora do projeto de lei, pretende com este decreto assegurar a existência, manutenção e a valorização destas embarcações que há tantos anos integram o imaginário coletivo do povo sergipano, em especial o aracajuano.

A assessoria da deputada informa, ainda, que Ana Lúcia também escreveu uma indicação solicitando a implantação de ações programadas de Educação Ambiental e apoio às Pesquisas Científicas, utilizando as embarcações ‘tototós’, em defesa da Bacia do Rio Sergipe. O documento foi entregue no ano passado ao governador Marcelo Déda e ao secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Genival Nunes.

Boa notícia para os canoeiros

A notícia de que os ‘tototós’ se tornaram patrimônio cultural imaterial foi muito bem recebida pelos canoeiros que ainda têm as embarcações como seu meio de vida. Atualmente, 23 ‘tototós’ se revezam diariamente nas travessias, garantindo trabalho para os 46 proprietários que persistem no trabalho, que ficou escasso após a construção da ponte Aracaju/Barra.

Para o canoeiro Ednaldo Francisco Santos, de 45 anos, o ‘tototós’ é sua vida. Saber que eles, a partir de agora, terão maior visibilidade, é motivo de muita alegria. “Me criei aqui, e sem isso não vivo. Sustento minha família com o dinheiro que ganho aqui, por isso, é muito bom ver que o governo está olhando para agente e que teremos boas novidades a partir de agora”, comemora.

Seu companheiro de labuta, Cícero Romão, também estava muito feliz com a aprovação da lei. A expectativa dele é que os demais projetos de apoio aos Tototós também sejam confirmados. “Isso aqui é a cultura de Aracaju viva, e que infelizmente, por falta de procura e de investimento, está se acabando. Com o ‘tototó’ sendo considerados patrimônio cultural, nossa esperança é que essa realidade mude, e que eles voltem a ter o reconhecimento que tinham no passado”, acentua.

Fonte: Ascom Secult

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