População lamenta transtornos com greve dos bancários

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Greve ainda não tem previsão para o fim
A greve dos bancários entra no 12º dia e os transtornos para a população estão cada vez maiores. Caixas eletrônicos desabastecidos ou inoperantes, depósitos não contabilizados e dificuldades para o saque de benefícios estão entre as situações mais recorrentes para quem precisa se utilizar de serviços bancários.

O estudante de arquitetura Anderson Mota teve que adiar uma viagem que faria a Salvador, para uma atividade acadêmica, por não ter conseguido sacar o FGTS. “Desde o dia 25 do mês passado estou tentando retirar o dinheiro, mas não consigo fazer isto nem com o cartão cidadão. No caixa eletrônico só posso fazer saque de até R$ 1000, não posso sacar tudo”, conta.

José Vieira contabiliza prejuízos de até R$ 4 mil
Diante do mau atendimento recebido por telefone, o universitário decidiu enviar um e-mail. A resposta, entretanto, não trouxe a solução. “Eu me sinto muito prejudicado, até porque eles estão de braços cruzados e receberão o mesmo salário no final do mês. Quem realmente precisa dos serviços bancários tem que aguardar o fim da greve”, reclama.

Já Carla Silva contabiliza prejuízos de duas greves. Ela estava sem movimentar uma conta bancária por estar sem o cartão, que teve a entrega atrasada por conta da paralisação nos Correios. “O cartão passou do prazo para chegar e eu não consegui retirá-lo no banco. Se até o fim da semana a situação não melhorar, vai ser complicado fazer pagamentos porque cada coisa tem sua data certa”, diz.

Para o micro-empresário José Vieira, a greve traz perda direta ao seu negócio. “Trabalho com leilão de jóias e meu faturamento está prejudicado, pois depende totalmente dessa atividade. Estou perdendo até R$ 4 mil reais e pagando dívidas sem ter de onde tirar dinheiro”, lamenta.

Valnei diz que situação seria melhor se houvesse 30% dos bancários

Outro aspecto chamado à atenção pelo militar Valnei Bonfim é a ausência dos 30% de funcionários, conforme dita a Lei. “Se tivesse pelo menos isso, nós não teríamos tantos transtornos. Tem muita gente sendo prejudicada”, lembra. O servidor também acumula dívidas por não conseguir sacar dinheiro. “Fiz um depósito na sexta-feira e até agora não consegui verificar se o dinheiro está na conta”, acrescenta.

Auto-atendimento é suficiente

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários, José Souza, apesar das reclamações, ele diz que a resposta da sociedade à greve é positiva. “A população é composta de trabalhadores pertencentes a várias categorias, por isso compreendem e respeitam a nossa luta”, diz.

O presidente do sindicato diz que auto-atendimento supre a falta de bancários
Ele ressalta que a paralisação não deixou o público sem assistência e que o auto-atendimento supre a falta da quota mínima de trabalhadores que deveriam trabalhar durante a greve. “Eu desafio qualquer banco a trocar o auto-atendimento pelos 30% sem prejudicar ainda mais situação. O que nós garantimos às pessoas ultrapassa esse número”, garante.

“Nossa greve não é contra a população, tanto que o atendimento ao público e suas melhorias são uma das nossas pautas de negociação”, explica.  Ainda de acordo com Souza não há previsão para o fim da greve, posto que as propostas apresentadas pelos banqueiros foram consideradas irrisórias.

Por Diógenes de Sousa e Glauco Vinícius

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