Sergipe produzirá energia eólica em 2012

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Projeto do Parque Eólico foi apresentado na manhã desta segunda
Sergipe produzirá energia eólica a partir de 2012. Com previsão para operar gerando 30 Megawatts (MW), o primeiro Parque Eólico sergipano será instalado em uma área de 30 hectares no município de Barra dos Coqueiros. O projeto foi apresentado na manhã desta segunda-feira, 28, na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, Tecnologia e Turismo (Sedetec).

A estação é um empreendimento da sergipana Energen, que foi uma das vencedoras do leilão promovido pelo Governo Federal para a compra de 2 Gigawatts (GW) de energia eólica no início deste mês. Serão investidos R$ 160 milhões, sendo 80% desse valor financiado pelo Banco do Nordeste. A produção do Parque será suficiente para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

De acordo Joaquim Ferreira, proprietário da empresa, serão instalados 15 aerogeradores – estrutura semelhante a um cata-vento – na localidade onde funcionava o pólo químico daquele município. Cada hélice produzirá 2 MW e ficará a 100 metros de altura em relação ao solo. “Quem não imaginava que era possível, agora pode acreditar que Sergipe produzirá energia eólica”, comemorou o empresário, lembrando os benefícios que essa modalidade traz. “Há estudos que contrariam a tese de que energia eólica não se guarda. Aqui no nordeste em específico, é possível até poupar água dos reservatórios”, lembrou.

Joaquim Ferreira ao lado do presidente da Codise, Ancelmo de Oliveira

Ainda segundo ele, desde a concepção do projeto, iniciada em 2005, toda a mão-de-obra utilizada é local. As obras começarão em abril de 2010 e devem acabar pelo menos um ano antes do funcionamento do Parque. Em maio de 2011 devem começar os testes.

Duzentas pessoas trabalharão na construção e 30 na operação dos geradores. “Somente em ICMS serão R$ 6 milhões por ano, durante os 20 anos em que a estação estará produzindo energia. A rede de transmissão, com 21 km, será integrada à Eletrobrás. Ela será responsável pela distribuição e venda de energia”, explicou.

Energia se expande

“Sergipe teve que correr muito para concorrer no leilão, que é apenas a ponta do iceberg para a energia eólica no Brasil”, contou Joaquim. A Energen inscreveu dois projetos – o outro é o Parque Santo Amaro, que será executado para venda de energia para a iniciativa privada. Entre os fatores que contribuíram para que o Estado saísse vitorioso estão o potencial, a acessibilidade, a conexão à subestação, o baixo impacto ambiental e social, a morfologia do terreno e o apoio governamental.

Ele ressalta, entretanto, que ainda há dois problemas que impedem o desenvolvimento dessa tecnologia: a inexistência de um mapa eólico e a regularização fundiária das áreas onde os geradores podem ser instalados. “O crescimento da energia eólica em outros países é absurdo. Temos aqui um grande potencial, mas sem o mapa – que ajuda o empresário investir – e a regularização dos terrenos com escrituras, dificulta. Trabalhar essa questão é de grande importância, até para investimentos turísticos”, afirmou.

Atualmente o Brasil encontra-se na 24ª posição no ranking mundial de produção desse tipo de energia, com 339 MW. Em primeiro lugar está os Estados Unidos, que produz mais de 25 mil MW. A iniciativa, segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe (Codise) Ancelmo de Oliveira, pode trazer novos investimentos industrais ao Estado. Isto porque a empresa espanhola Gamesa, fabricante de aerogeradores, pretende instalar uma fábrica no país, com investimentos de até 50 milhões de euros. Sergipe está entre uma das opções da multinacional.

Por Diógenes de Souza e Carla Sousa

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