Demanda de verificação de óbito em Sergipe cresceu 30% em junho

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Declarações de óbito de mortes com causas naturais e que não passaram por um médico ou unidade hospitalar, são emitidos através do SVO (Foto: FSPH)

Desde de que iniciada a pandemia, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Sergipe, setor vinculado à Fundação de Saúde Parreiras Horta e a Secretaria de Estado da Saúde (SES), traçou novas estratégias de trabalho em razão da pandemia provocada pela Covid-19. Específico para o recebimento de corpos cujos óbitos tenham ocorrido de forma natural e sem assistência médica, o setor observou um aumento em sua demanda em 30% durante o mês de junho. Foram 222 corpos recebidos – desse montante, 11 óbitos tiveram a Covid-19 confirmada como causa.

De acordo com coordenadora do setor, Patrícia Barroso Ribeiro, o aumento da demanda ocorre em função da pandemia, mas de forma indireta. “Não foram os 11 óbitos os responsáveis pelo nosso aumento na demanda, mas sim a redução da assistência em alguns municípios que trabalham de forma conjunta nesse sistema de verificação de óbitos. Em algumas cidades s há os profissionais e médicos da família que conseguem verificar os óbitos, mas por conta da pandemia, há profissionais afastados e acabam reduzindo a capacidade de atendimento por lá. Nós recebemos um número maior de óbitos de Itabaiana, Propriá, e outros locais que acabaram aumentando nossa demanda, que normalmente varia entre 140 a 170 corpos”, explica.

O setor é fundamental em qualquer Estado para observar eventuais fatores que estejam provocando mortes com características naturais que não sejam de causas externas ou violentas, como fatores epidemiológicos. “Nós sempre somos um termômetro para identificar se há o surgimento de algum fator de risco observado em pessoas que morreram aparentemente com causas naturais e sem ter passado por um médico”, pontua.

Sobre os 11 óbitos confirmados pela Covid-19 que passaram pelo setor, durante o mês de junho, Patrícia afirmou que o SVO analisou aspectos importantes no eixo familiar dos pacientes. “Dos 11 óbitos, apenas dois se tratavam de pessoas conscientes. Os demais óbitos foram de pacientes com comorbidades bastante graves, como Mal de Parkinson, Alzheimer, e todos estavam em condições acamadas antes de ter o vírus. Ou seja, foram pacientes que foram infectados por alguém da família que quebrou o isolamento e acreditaram que o familiar morreu por causas naturais, quando na verdade observamos as alterações respiratórias com os nossos procedimentos”, analisa.

Patrícia explica que com a pandemia também foi necessário estender o recebimento de corpos para o período da madrugada. Segundo ela, antes da pandemia, os corpos eram recebidos entre as 7h até às 22h, com a liberação dos mesmos até às 23h. “Agora nós estamos recebendo os corpos em qualquer horário e, se caso chegar o corpo durante a madrugada, ele é armazenado em uma câmera refrigerada que foi instalada aqui e será liberado no dia seguinte. Isso foi necessário porque algumas famílias precisam esperar outros entes chegarem de cidades mais distantes para o sepultamento, e nesse momento de pandemia os procedimentos de conservação do corpo estão proibidos, assim como os velórios restritos”, finaliza.

Por Ícaro Novaes

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