A AIDS e o Câncer

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Na semana do Dia Mundial de Luta Contra o Câncer – 4 de fevereiro, um alerta para a população geral e para quem vive com o HIV/Aids: Pessoas soropositivas têm maior chance de desenvolver câncer.

Para a população geral, o alerta é mais um motivo para se preocupar com a prevenção ao HIV já que, caso a pessoa se infecte, terá mais um desafio a enfrentar, além das infecções oportunistas tão frequentes em quem tem o HIV.

Para quem já vive com o HIV, o alerta também é importante pois, aquelas pessoas que não estão em tratamento com os medicamentos antirretrovirais, vão apresentar queda da imunidade, favorecendo ao aparecimento dos cânceres.

As razões da ligação do Câncer com a AIDS

O principal motivo que leva as pessoas que vivem com HIV apresentarem maior possibilidade de desenvolver alguns tipos de câncer, está na deficiência do sistema imunológico provocada pela ação do vírus no organismo, facilitando. a proliferação de células cancerosas. Outro fato é que, com a imunidade baixa, o organismo torna-se incapaz de conter a ação de alguns oncovírus (vírus ligados a neoplasias).

A associação do HIV com outros fatores de risco como o tabagismo e a obesidade também aumenta a probabilidade do desenvolvimento de determinados tumores malignos. Outro fator é que o envelhecimento expõe mais as pessoas soropositivas às condições crônico-degenerativas, e, por consequência, ao câncer.

Os cânceres mais comuns em quem tem o HIV

Entre os tipos mais comuns de câncer, estão: o Sarcoma de Kaposi, que se manifesta com lesões na pele, nos linfonodos, fígado, na boca (bochechas, gengivas, lábios, língua) e o Linfoma não-Hodgkin (incidência 50 a 200 vezes mais alta em pacientes infectados pelo HIV). Em geral, esses tipos de tumores definem o diagnóstico de Aids em pessoas que têm o HIV, apresentando ligação direta com o vírus.

Outros tipos de câncer, como o anal, o colorretal (câncer no intestino grosso) e o Linfoma Hodgkin, também podem surgir. Os Cânceres do ânus e vulva são causados pelos mesmos tipos oncogênicos de HPV das neoplasias uterinas e são mais frequentes em pacientes HIV-positivos. As mulheres que vivem com HIV são até cinco vezes mais propensas a desenvolver câncer de colo de útero. Outros tipos de câncer atingem quem tem o vírus, mas sem relação direta com o HIV. O mais comum é o de pulmão. Os cânceres de fígado, por exemplo, são mais frequentes nos pacientes infectados pelo HIV do que na população em geral. Esse resultado pode refletir, pelo menos em parte, maior exposição aos vírus das hepatites B e C.

Algumas medidas previnem Câncer em que tem o HIV

A vacina contra o HPV em pessoas que vivem com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos é de grande importância para a prevenção contra a infecção pelo vírus que está associado ao câncer de colo de útero, câncer de pênis, ânus e garganta.

O uso correto e consistente do preservativo masculino ou feminino nas relações sexuais das pessoas soropositivas, mesmo aquelas em que o exame de carga viral para o HIV indique vírus indetectável, também previne o HPV e, consequentemente, reduz possibilidade de adquirir o câncer nos órgãos genitais. A camisinha também vai reduzir o risco de transmissão das Hepatites B e C, ajudando na prevenção do Câncer de Fígado.

As pessoas que vivem com HIV também podem prevenir contra o câncer de fígado, utilizando a vacina contra a Hepatite B.

Em alguns cânceres como o de pulmão, que está relacionado com maus hábitos de vida, como o fumo, a prevenção consiste estimular as pessoas soropositivas a adotarem hábitos mais saudáveis, abandonando o hábito de fumar.

O exame Papanicolau, que é o exame ginecológico preventivo mais comum para prevenção de câncer do colo do útero, precisa ser realizado também pelas mulheres que vivem com o HIV.

A detecção cada vez mais precoce do HIV reduz a incidência de cânceres nas pessoas que apresentaram o teste reagente ou positivo. O teste de HIV pode ser realizado, gratuitamente, nos CTA – Centro de Testagem e Aconselhamento, em algumas unidades de saúde do SUS e em laboratórios privados. O diagnóstico precoce do HIV e o início cada vez mais cedo da terapia antirretroviral, são ferramentas na prevenção e manejo de neoplasias.

 

 

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