A CONSCIÊNCIA DOS EMPREGADOS

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“Quando alinhamos nossos pensamentos, nossas emoções e ações com a parte mais elevada de nós mesmos, ficamos repletos de entusiasmo, propósito e significado.” – Gary Zukav

 

Falamos muito em “consciência”, mas qual será na verdade o significado dessa palavra? “Consciência: um estado de conhecimento do eu (pensamentos, sentimentos, idéias) baseado num conjunto de crenças e valores pelos quais a realidade é interpretada” (1).

 

Nos últimos anos tem sido bastante comentada a questão não apenas da consciência corporativa, mas também da consciência dos empregados, à medida que se começou a levar em consideração a importância das pessoas dentro da organização.

 

A partir dessa premissa essencial poderemos entender que as organizações se comportam como entidades vivas já que são formadas essencialmente por pessoas, assim sem de é de se esperar que possam crescer, evoluir, se transformar, se alegrar, entristecer e até definhar. Ou seja, as organizações têm a sua própria personalidade que é expressa pela cultura organizacional, a qual, via de regra, é construída em torno de um conjunto de crenças e suposições bastante complexas que constituem um modelo mental, o qual por sua vez expressa ou representa a maneira de como as pessoas daquela empresa acreditam que o mundo deve ser.

 

Por outro lado, busca-se atualmente um novo tipo de liderança corporativa que seja capaz de efetivar oportunidades de ganho inerentes a uma cultura que apóie responsabilidade social, o desenvolvimento sustentável e a realização dos empregados.

 

Assim sendo, os líderes esclarecidos estão buscando, cada vez mais, encontrar um equilíbrio dinâmico entre os interesses da organização, dos trabalhadores, dos seus clientes, comunidade e da sociedade. Todavia, o único caminho para aumentar os níveis de produtividade e inovação que são inerentes para a sobrevivência e prosperidade das organizações do novo século será através da transformação e evolução radical dos seus valores corporativos (2). E para que isso possa acontecer com sucesso é necessário que os valores e comportamentos adotados pela organização estejam sendo difundidos e vivenciados por todos, sem exceção, do mais alto executivo ao mais simples empregado.

 

Com base nos estudos de Maslow (3), Barret define que os empregados nas organizações podem possuir sete tipos de níveis de consciência: 1 – Sobrevivência; Relacionamentos; 3 – Auto-estima; 4 – Transformação; 5 – Organização; 6 – Comunidade; e 7 – Social. E, os primeiros quatro dos sete níveis estão fundamentados nos Sete Níveis da Consciência Humana correspondentes às hierarquias das necessidades humanas de Abraham Maslow: Segurança, relacionamento, auto-estima e auto-realização.

 

Consciência da Sobrevivência:

Leva em consideração que a primeira necessidade básica dos empregados é a segurança financeira; ou seja, quem trabalha deseja saber se o seu emprego é seguro para poder pensar no futuro. Muitas vezes, os empregados que trabalham com esse nível de consciência ativado podem perder muito tempo das suas horas de trabalho procurando saber o que pode estar acontecendo na organização que possa lhe atingir. Por esse motivo, via de regra são bastante cautelosos e temerosos para tomar decisões, têm dificuldade em delegar tarefas, acham difícil confiar nas pessoas e muitas vezes temem as mudanças pelo que poderão afetar as suas vidas.

 

Consciência do Relacionamento:

Trata-se da segunda necessidade básica das pessoas nas organizações: encontrar amizade e companheirismo; todavia, quando os empregados estão bastante focados nesse nível de consciência, a sua necessidade de relacionamento fica regida pelo medo e como conseqüência os próprios empregados são capazes de fazer coisas que normalmente não fariam por julgá-las incorretas para que possam ser aceitas pelo seu grupo de trabalho. Assim sendo, eles chegam a sacrificar a sua criatividade pessoal e o seu conceito de verdade preferindo fazer silêncio a magoar algum colega de trabalho.

 

Consciência da Auto-estima:

Conquistar o respeito dos seus pares pode-se afirmar que é a terceira grande necessidade dos empregados no mundo corporativo; assim sendo, as pessoas que vivem focadas nesse nível de consciência geralmente são bastante preocupados com o seu nível salarial e a sua posição na empresa; de modo que quando essa necessidade de auto-estima é muito acentuada a tendência é que se tornem ambiciosos e competitivos. Assim sendo, ao invés da passar as informações verdadeiras para os seus superiores, tendem a dizer meias verdades porque acreditam que para que sejam considerados bons e eficientes precisam omitir determinados aspectos das informações caso contrário poderá acontecer que sejam desrespeitados.

 

Consciência da Transformação:

Em alguns estágios da vida organizacional as pessoas podem ficar incomodadas com alguns aspectos das suas vidas e por esses motivos ficam dispostas a examinar os seus níveis de crenças. Isso poderá ter um efeito devastador em suas vidas pois começam a assumir a total responsabilidade pelo modo como as coisas lhe acontecem. Muitas vezes, a partir dessa reflexão interior começam a deixar de culpar os outros (colegas, amigos, chefes e familiares) pelas coisas que lhes aconteceram e passam a encarar a realidade de maneira mais adulta e verdadeira.

 

Consciência da Organização:

Nesse estágio de consciência o principal foco das pessoas na organização é a procura da busca do significado no trabalho. Ou seja, o trabalho deixa de ser apenas um “ganha pão” e passa a se tornar a sua razão de viver e, como conseqüência disto deixam de ver o seu trabalho como apenas um “emprego” mas como um meio de dar um significado à suas vidas.

 

Consciência da Comunidade:

A grande preocupação das pessoas que operam nesse nível de consciência é o de “fazer uma diferença” no mundo. Ou seja, deixam de enxergar apenas o seu local de trabalho como o ponto onde podem atuar para ajudar a transformação da sociedade e começam a entender que precisam de uma ação mais abrangente e muitas vezes começam a trabalhar e atuar fortemente nas suas comunidades em serviços voluntários.

 

Consciência Social:

Nesse estágio o foco dos empregados é o serviço, ou seja, eles têm uma visão do mundo e se mantêm informados dos acontecimentos internacionais. São ativos, preocupam-se com a ética, são bastante respeitados pelos seus colegas, formadores de opinião e por este motivo também muito procurados pelos seus colegas de trabalho para ouvir suas opiniões.

 

Hoje em dia compreender os níveis da consciência humana é muito importante para o mundo dos negócios. Isto acontece porque as organizações que não procuram meios de proporcionar aos seus empregados oportunidades para que possam encontrar significado no seu trabalho ou para fazer a diferença, ou mesmo para que sejam úteis ao mundo estão limitando profundamente o seu potencial de sucesso.

 

Conseqüentemente, as empresas que compreendem a importância dos sete níveis de consciência humana e reconhecem a importância de satisfazer as necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais dos seus empregados tornam exemplos em produtividade, resultados financeiros e ambiência organizacional, portanto, atingindo elevados níveis de satisfação e felicidade dos seus empregados, clientes e fornecedores.

 

Definir a missão e visão da organização, buscar conhecer os níveis de consciência (da empresa e dos empregados) e procurar alinhar os valores organizacionais percebidos com os desejados pela organização são os primeiros passos dessa vigorosa jornada para a transformação organizacional.

 

(1) – Barret, R – 1998 – Liberating the Corporate Soul.

(2) – Valores são regras para a vida. São crenças profundamente arraigadas de que um certo modo de ser ou um certo resultado é preferencial a outro. Os valores são demonstrados externamente através dos comportamentos.

(3) – Abraham Maslow – 1976 – The Farther Reaches of Human Nature

 

* Fernando Viana é diretor presidente da Fundação Brasil Criativo
presidente@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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