Aberta a temporada de caça

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Está aberta a temporada de caça.

 

Caçada de que? De tatu, de coelhos, de ratos?

Não é de que!

É de quem!

De Bolsonaro, ora essa, o único animal nocivo que possui nome, sobrenome e endereço!

Só não tem partido político que o ampare, sustente e camufle!

Isso, porém, não lhe confere nenhum mérito!

O não pertencimento a qualquer agremiação política em mais de trinta ou cinquenta siglas “adonde” se esconder e homiziar, não lhe confere valor!

Homiziar, todavia, é verbo complicado!

Porque pode ser se esconder somente, mas também pode ser se furtar à vigilância da justiça, dos poderes constituídos, que não é o caso do Mito, afinal ele vive, peito aberto e sem máscara, no meio do povo…

E recebendo o afago do povão, em toda a nossa extensão continente!!!

Atinente a tudo isso, homiziar também pode ser criar inimizade, se indispor, se malquistar, coisa que meio mundo de gente o tem em repulsa febril e virulenta, essa coisa só exibida por gente pacífica e tolerante, por assaz condescendência com o que lhe não é do agrado.

E por que eu escrevo assim?

Porque, e haja porquês, sem poraquê, aquele peixe elétrico que dá choque, porque muita gente que me segue sente choque em 220 volts enquanto leitor, detestando ardentemente os meus textos, farejando neles só fedentinas de chulé, mas deles não largando o pé, toda quinta-feira, e só na quinta, porque, no fundo, no fundo, restam descontentes por carentes de escritos em boa tinta e melhor verve, para lhes fustigar os maus espíritos.

Maus espíritos por mim des-convocados nos meus passeios e enleios, afinal procuro errar pelas estradas da vida e pelas calçadas nem sempre bem asseadas, deixando-as mais limpas, transitáveis e confiáveis, até porque nunca achei de boa estirpe, por denodo, bravura e firmeza, e aqui na internet sobremodo!, querer postar anônimo e usar do pseudônimo, para seguir como tantos cachorrinhos bem educados, em companhia de seus donos, que são muitos!, pelas calçadas das ruas, espalhando a sua produção a ser desviada pelos passantes.

Nesse contexto, nos meus textos eu procuro, ser eu mesmo e sozinho, sem abandonar os meus equívocos.

Tanto que me incomoda essa estória de ser blog, blogueiro, dando a impressão de ser um obrar coletivo.

“O blog sou eu”, ora essa! Como o cantor Roberto Carlos, completando 80 anos de vida.

Sem o mesmo canto e o encanto do velho Rei, ele é o cara de lá e eu sou o cara de cá: não blogueiro, nem jornalista, mas articulista! E sem querer bancar artista!

Todavia, em continuidade confessional constato ainda, que os meus escritos para alguns, que deles não gostam, são como um vício de pinta alucinógena, espécie de droga a ser proibida, mas sem a qual a vida lhes sobra uma pasmaceira de pensamento igual, que não ilustra nem perfuma.

Dizendo assim, devo externar que me é duvidosa a minha sobrevida aqui, preenchendo esse espaço, diante de tanta insatisfação externada contra os que teimam em não ser opositores ao “Presidente Genocida”.

Mas, se a estes incomodo tanto, o meu rasto em desagrado lhes é salutarmente bom.

E o perfume…

Ah!, o perfume! O perfume lhes é melhor ainda!

É o que raivosamente até confessam!

Mas não me largam.

Seguem-me no rastro, por faro!

 

 

Mas, eu quero falar de caçadas…

 

Caçadas de tatus, por exemplo.

Vale, portanto, uma historieta despretensiosa.

Alguém, um fazendeiro, viu a sua gleba esburacada por tatus.

Quis fazer um extermínio da tatuzada sem ofender as normas do IBAMA.

O direito dos tatus, como se sabe, é bem maior do que aquele pertencente ao empresariado capitalista explorador

Era muito difícil “des-tatuzar” a terra, com esse ou zê, diante de enorme e vasta legislação em viés conservacionista.

Combinou-se então um campeonato de caça tatus, com uso de métodos moderados, permitindo ampla defesa desses dasipodídeos de desprovida dentição.

O campeão da caçada receberia um automóvel como prêmio, para alegria dos vendedores de carros.

Choveu gente de toda banda: gente munido de pedra, outros de caniço e samburá, arco e flecha nem falar, e garrucha de socar.

Uns eram engenhosos, vinham com pá e enxada, enxadeco e enxó cavador.

Outros traziam até lampião a gás, chamando muita atenção, com a perspectiva de fazer até serão na boca da toca do tatu.

Nesse tempo havia um canto que dizia: “Não bote a mão no buraco do tatu que é muito perigoso, é preciso ter cuidado. Lá dentro pode ter um cascavel ou um surucucu, esperando com o bote armado!”

O problema não era de canto, nem da cantiga de Luiz Gonzaga, porque logo apareceram os isentões postulantes das normas compensatórias e igualitárias, querendo estabelecer vantagens para quilombolas e indígenas, a caçada só sendo válida se fosse à moda da idade da pedra, quando o homem só era caçador e nunca predador, nem desbastador de urtigas para ser agricultor.

Na feitura das normas, houve um debate notável, quase vencido pelos tatus que restariam incólumes, por preservados.

Finalmente todas as “armas” e métodos foram aceitos, inclusive o que trouxera o lampião a gás, sendo aprovada a caçada noturna.

Findo um dia de prélio, o representante das forças indígenas voltou frustrado sem nenhuma tatu flechado. Não tinha mais pontaria, coitado! Suas flechas eram para exibição de festim, em combinação com as penas do cocar e da tanga, importadas da China.

Dispostos a caráter em moda tribal multirracial, esses silvícolas sobreviventes logo perceberam que suas flechinhas não conseguiam varar a carapaça dos roedores que sorriam incólumes e resistentes.

Já o lançador de pedra, depois de mirar e errar muitas vezes, conseguiu acertar a cabeça de dois tatus, encastoando-os num fieira.

O catador de guaiamu, impedido de enfiar a mão, buraco adentro, para arrastar o tatu em dedo e unha, viu logo que o solo lhe era duro e pissarrento. Não não era lodoso e lamacento como ideal habitat de crustáceos, nos mangues estuarinos.

A muito custo e usando o método de bater na lata usado na pega de aratus, conseguiu fazer um samba e com ele atrair três tatus curiosos.

Sucesso quem teve mais foi a turma da enxada, do enxó e do cavador. Uns com dez tatus, alguns com quinze, outros com mais.

Quem ganhou, todavia, foi o cara do lampião a gás.

Trouxe dezenas de tatus enfileirados numa fileira que não tinha mais tamanho.

Foi um sucesso: um destaque no rádio, toda imprensa e até a televisão com fleche ao vivo e em cores.

Perguntado a razão do sucesso, o vencedor explicou: –  “Não precisei nem vadear a noite, nem acender o lampião a gás. Bastei jogar um pouco do gás de botijão na boca do buraco, e o tatu saia de dentro pra fora, bebinho, bebinho… Era só apanhar o bichinho pelo rabo, facinho!”

Desnecessário dizer que houve um protesto geral, com o uso desnecessário de gás poluidor das nossas flora e fauna primaveris.

A prova, como devia ser, restou anulada, com vivos aplausos dos eternos reprovados nos certames da vida, uma oportunidade para novas competições, o convalido não valendo mais, e os tatus ainda vivos, sendo devolvidos aos campos, para desespero do fazendeiro que promovia o campeonato.

Marcado um novo dia de competição, os contendores retornaram com as mesmas armas e bagagens, exceto aquele que usara o gás de cozinha, que chegara sem desistir, trazendo um saco de estopa por debaixo do sovaco.

O resultado do nova prélio foi quase igual ao primeiro, com os descendentes aborígenes, em muitas penas de cocar, outros colombares e avatares, nos seus respectivos lugares, sempre derradeiros por vencidos pelos que sabem tratar a terra, para plantar, bem arar e colher.

Como, desde a idade da pedra, o bom caçador nunca foi um bom arador, venceu novamente o mesmo indivíduo esperto e artificioso do primeiro dia, trazendo o saco de estopa entupido de tatus.

– “Como foi isso?” – perguntou de novo a imprensa embasbacada.

– “Foi fácil!” – Respondeu o vencedor. – “No primeiro dia eu usei um jato de gás de cozinha na toca do tatu, que foi proibido. Agora bastava eu balançar essa sineta e gritar: ‘olhe o gás!’ Os bichos saiam para fora e eu os agarrava!”

Se houve gente que não sorriu, como sempre acontece nesses casos, o ladino vencedor ganhou o prêmio e o dia.

 

Caçadas verdadeiras de ratos.

 

Já do caçador de ratos, eu conto um fato verídico, datado do tempo do notável sanitarista Oswaldo Cruz, que tentou sanear o Rio de Janeiro, então Capital Federal, da Peste Bubônica e da Febre Amarela.

Oswaldo Cruz, gênio da raça brasileira, fora convidado pelo Presidente Rodrigues Alves e pelo Prefeito Pereira Passos, para sanear a terra pátria de doenças medievais, cuja incidência ocorria ainda em pleno dealbar do século XX.

A peste bubônica, só poucos acreditavam, era causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida pelos ratos, ou por suas pulgas.

Oswaldo então conseguiu que o tesouro federal remunerasse um determinado valor em mil-réis, coisa de derréis ou tostão, por cada camundongo apreendido e trancafiado.

Choveu caçador de rato nas terras fluminense.

Virou uma profissão rentável, os “ratoeiros”, magnífica!

Logo, logo, não só existia a figura profissional do caçador de ratos, como o seu produtor, científica e eficientemente, utilizando o expediente da separação de muitas fêmeas, desde a infância, para o fecundo deleite, de bons reprodutores e inseminadores, verdadeiros “pais de chiqueiro”, uma coisa nunca vista, nem repetida, a configurar que se assim continuasse as burras nacionais nunca dariam para comprar tanto rato criado em rebanho.

Em outro ensaio e por arranho, Oswaldo Cruz quis vacinar o povo do Rio contra a Febre Amarela.

Foi uma revolta terrível, quase o governo caindo com derrubada de bondes na via pública e revolta até dos cadetes nos quartéis, contra a vacina, por ser obrigatória e porque a arranhadura salvífica do agente vacinal, tinha que ser aplicada nas coxas ou nos glúteos de nossas avós e bisavós.

E como não houve briga maior, o resultado foi que Oswaldo Cruz, um sábio, restou banido e demitido, pelos mais sabidos em tantos bandidos, aqui nascidos iguais aos ratos.

 

Dos coelhos, só por mal conto, mas sem caçada!

 

O pesquisador Zerobaldo, “Docteur  d’État”, e pesquisador famoso, sentindo que os seus estudos em muitos artigos publicados em revistas científicas não lhe renderiam qualquer grana, resolveu ser capitalista e criador no seu quintal de moradia.

Soube, após muita consulta, que uma criação de coelhos lhe poderia trazer muito dinheiro.

Começou adquirindo um casal. Uma beleza, em lã branquinha.

Os coelhos, como esperado, começaram a reproduzir-se logo, necessitando de outras gaiolas: gaiolas e mais gaiolas!

Uma alegria para Zerobaldo que encontrou aí novo folguedo.

Gostava, ó como gostava! De ver os coelhinhos a copular, sem arrefecer ou parar.

Não via mais televisão, só queria ver aquilo, algo que estava entediando a própria esposa que mais das vezes era chamada para assistir e contemplar os coelhos em ação.

– “Veja, Rufinha, o coelho pai nem respeita as filhas! Que bicho safado, incestuoso!”

Como a prole das lebres crescia exponencialmente e as vendas escasseavam, Zerobaldo promovia churrascadas, para apresentar as iguarias de sua produção aos colegas de repartição.

As churrascadas, todavia, escasseavam. Não havia consumo suficiente e nem os supermercados davam vencimento.

Logo a grande tarefa de Zerobaldo era separar os machos das fêmeas, terminando por enfezar sua mulher que ficara como missão a de limpar a sujeira fedorenta que os pelúcidos deixavam.

Como a fedentina era crescente, Rufinha largou Zerobaldo e seus coelhos, a evidenciar que a libido farta dos leporídeos faltava sobremodo ao marido.

 

Já a caçada atual e verdadeira…. começará essa semana com a CPI contra o Mito Presidente.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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