ARACAJU na rota das cidades criativas: uma possibilidade?

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Quando falamos em cidades criativas a primeira coisa necessária a ser feita é definir o conceito para que a partir daí tudo se esclareça. As cidades sem nenhuma dúvida são os melhores ambientes para buscarmos as expressões da criatividade. Durante toda a história da Humanidade elas vêm sendo veículos capazes de mobilizar, concentrar e canalizar a energia criativa. É só pararmos um pouco para pensar. Quantas e quantas vezes nos depararmos com alguma coisa interessante e criativa quando estamos percorrendo uma andando em nossa cidade? Às vezes está expressa em um outdoor, às vezes está expressa em uma vitrine; às vezes está expressa em um carro e por ai vai. Mas, o que poderemos chamar de uma cidade criativa então? Na verdade é o fato de toda essa energia criativa ser transformada em tecnologia, em novas formas de comércio, em novas indústrias, em expressões de arte inovadoras e por ai vai.

Florida (2005) [1] faz um estudo sobre esse conceito e comprova que a atividade criativa no contexto da economia ao ser comparada com o setor de serviços e o setor de manufatura representa 30% dos resultados. Portanto, é um aspecto que precisa ser pensado e analisado no contexto atual.

Na última década a criatividade vem sendo considerada com um diferencial de competência em muitas organizações em todo o mundo e, em paralelo, a esse despertar muitas cidades também têm entendido seu poder de inovação, inclusive nos processos mais burocráticos.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) mantem desde 2004 uma rede de cidades que têm o selo de “Cidade Criativa” por terem incorporado a criatividade ao desenvolvimento socioeconômico local. Essa rede conecta cidades do mundo inteiro que desejam dividir experiências, ideias e práticas de sucesso das indústrias criativas e é dividida em sete categorias: literatura, música, cinema, artesanato e arte regional, artes midiáticas, design e gastronomia.

Acredito que poderemos chamar uma cidade de criativa quando é possível associar-se a sua cultura à criatividade e agregar valor econômico ao resultado. O que queremos dizer com isto, primeiro que não poderemos nem deveremos esquecer-nos das nossas raízes, pois elas são como o próprio nome indica a base de tudo. A cultura local, associada à criatividade e à tecnologia poderá gerar valor agregado em vários cenários de atuação.

A cidade criativa[2] é aqui entendida como “uma cidade capaz de transformar continuamente sua estrutura socioeconômica, com base na criatividade de seus habitantes e em uma aliança entre suas singularidades culturais e suas vocações econômicas”.

Lembro-me de um exemplo que ouvi há alguns anos atrás. Um determinado órgão do governo resolveu desenvolver uma comunidade que tinha como característica produzir um determinado processo artesanal. Esse órgão do governo resolveu então desenvolver essa comunidade sobre todos os aspectos possíveis, principalmente com a preocupação de lançar o seu produto no mercado nacional e talvez internacional. Primeiro concentrou-se no produto gerado por essa comunidade e trouxe uma missão estrangeira da Europa que tinha um produto similar. A ideia era passar a experiência e a tecnologia para a comunidade em desenvolvimento. Os técnicos dessa comunidade europeia vieram e introduziram os seus conceitos na comunidade brasileira. Tudo isto parecia uma coisa fantástica, então a comunidade brasileira de imediato “adotou as ideias europeias” e deixou de lado o seu produto, sua cultura e sua raízes e começou a produzir coisas similares aos europeus.

Esse é um comportamento bastante comum entre comunidades que não foram desenvolvidas e alertadas quanto à importância da sua história e da sua cultura no resultado do seu trabalho. 

Portanto, essa associação íntima entre cultura, criatividade e valor agregado é o que caracteriza uma cidade criativa. Aracaju tem muita cultura, existe uma história de divulgação da criatividade na cidade agora é preciso juntar tudo isso para se conseguir mais valor agregado. Portanto, acreditamos que não é um caminho fácil, todavia, também entendemos que não é cum caminho difícil quando todas as forças se juntarem: a população, as autoridades (Município e Estado) e o empresariado.

(*) Fernando Viana

Fundação Brasil Criativo

www.fbcriativo.org.br

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[1] Richard Florida – Cities and the Creative Class – Rutledge, New York, 2005 – 198 p.

[2] Ana Carla Fonseca Reis e Kátia de Marco – Economia da Cultura – E-Livre, Rio de Janeiro, 2009.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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