Cozinhando o galo

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Quase nada do que se diga ou escreva agora sobre as eleições de 2012 terá validade em março e abril do próximo ano, quando os partidos vão discutir pra valer a sucessão municipal de Aracaju. Até lá, as lideranças políticas continuarão cozinhando o galo, pois a ave preferida no Natal é o peru e ninguém vai querer imitá-lo para morrer de véspera. Muitas pré-candidaturas postas nas ruas não passam de balão de ensaio ou desejo de pavões velhos em conquistar a maioria do terreiro. Nessa preliminar da sucessão, só não é permitido pisar em falso. Quem o fizer termina depenado como o papagaio da vizinha.

Única bala

O dublê de empresário e político Edvan Amorim (PTB) voltou a discordar ontem daqueles que defendem que os governistas lancem apenas um candidato a prefeito de Aracaju. Segundo ele, “um só candidato é como ter uma única bala na agulha”. Lembrou o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que dizia só ter uma bala de prata para matar a inflação. Terminou sendo cassado.

Unhas expostas

E o deputado federal André Moura (PSC) não esconde sua contrariedade com o governo do aliado Marcelo Déda (PT). Ele acha que o petista é desprestigiado em Brasília e cita como exemplo o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB): “Mesmo sendo oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), o tucano conseguiu liberar mais verbas do PAC do que Déda”, fustiga Moura. Misericórdia!

Alô, alô…

Usar o “Graham Bell” vai ficar mais caro. É que a Anatel aprovou o reajuste das tarifas de telefonia fixa de longa distância nacional e da cesta de serviços, que inclui assinatura básica e minuto de ligação local. As empresas Telefônica, CTBC Telecom e Sercomtel poderão aplicar um aumento de 1,954%. Para a Oi e a Embratel, o valor de reajuste máximo ficou em 1,969%.

Boca livre

Será hoje o almoço de confraternização que o governador Marcelo Déda (PT) oferece à imprensa sergipana. A boca livre vai acontecer a partir das 11h, no Palácio de Veraneio. Para evitar os indigestos penetras, o cerimonial do governo distribuiu convites com os jornalistas e radialistas. Mesmo assim, lideranças políticas acompanhadas de parentes e aderentes encontrarão um jeito de participar do rega-bofe. Alguém duvida?

Leite isento

Atendendo proposta formulada pelo deputado estadual Zezinho Guimarães (PMDB), o governo decidiu dispensar o pagamento do ICMS na venda do leite “in natura”. O benefício alcança o produto destinado à produção de bebidas lácteas fermentadas, doces de leite, iogurtes, manteigas, queijos, requeijões, achocolatados, leite cru pré-beneficiado, leites pasteurizados e soros de leite. “A medida vai permitir que a cobrança do ICMS seja efetuada somente sobre o produto final derivado do leite”, explica Zezinho.

Kkkkk

O secretário estadual de Comunicação, Carlos Cauê, ainda dar muitas risadas sobre o boato de que ele e o vice-governador Jackson Barreto (PMDB) tinham rompido a amizade de vários anos. “Lemos a nota juntos e demos muitas gargalhadas. Fui eu, inclusive, quem o aconselhou a convidar outra pessoa para cuidar da campanha do PMDB. Eu poderia fazer este trabalho nos horários vagos, mas não ficaria bem. Foi bem melhor assim”, explica Cauê, aos risos.

Mais trabalho

O desemprego em novembro ficou em 5,2% e foi o menor para esse mês, desde março de 2002. Em relação a outubro, teve queda de 0,6 ponto percentual e, em comparação com novembro de 2010 (5,7%), recuou 0,5 ponto percentual. Segundo o IBGE, a população desocupada caiu 9,6% em relação a outubro. Comparada a novembro do ano passado, o número recuou 7,9%. A população ocupada cresceu 0,7% ante outubro.

Processado

O ex-secretário estadual da Agricultura, Sérgio Reis, está sendo processado por irregularidades na execução de convênios da Secretaria com o Ministério do Meio Ambiente. Segundo o Ministério Público Federal, foram identificados pagamentos indevidos de diárias e despesas injustificadas no âmbito do projeto Assessoria Florestal no Semi-Árido Sergipano. De um total de quase R$ 195 mil repassados pelo Ministério, a Secretaria comprovou apenas a aplicação de 4,21% do valor, utilizados em locação de vans e compra de marmitas.

Do baú político

O blog abre espaço para a bela crônica “A Iara”, escrita pelo jornalista e poeta Amaral Cavalcante. Deleitem-se:
“Iara e Primavera eram sorveterias gêmeas, de arquitetura modernosa e simples. Localizadas lado a lado no Largo da Assembléia eram iguais em quase tudo, mas a Iara tinha um quê a mais que encantava os fregueses. O sorvete saia mais vistoso, a cerveja mais gelada, a freqüência mais encantadora. Tanto que o lugar foi sendo conhecido apenas como ‘a Iara’, a irmã Primavera tendo que se contentar com o esquecimento malvado da cidade.

Era um bistrô à moda européia com cadeiras de ferro ao ar livre, guarda sóis coloridos e garçons fardados. Convergência de boêmios e intelectuais. Era também a passarela mais prestigiada pelas famílias em visita ao centro de Aracaju. Durante o dia, tomava-se lá um ‘banana split’ magnífico, enquanto se viam desfilar por ali os melhores partidos da cidade – moças rebolando fortunas, colegiais em fuga matando aula, graves senhores apressados a caminho dos bancos e nós, gente sem eira nem beira, admitida lá por conta do fulgor da inteligência, dos brilhos e papos que iluminavam a cidade. Releve o leitor o exagero do auto-elogio, mas era mais ou menos isso!  

Quando a noite vinha, tudo começava ali: os encontros fortuitos, as pegações amorosas, as discussões literárias e as gargalhadas cruéis que os comentários sobre a vida dos outros provocava. É atemporal e condição essencial à permanência dos bares, a capacidade de reunir fuxiqueiros. O mais amigo sempre tira uma casquinha na vida do outro. E tem tira-gosto melhor?

Deu-se, então, que Seu Carlos, o dono do pedaço, construiu no andar de cima – respeitando a arquitetura original – uma boate com requisitos de elegância e modernidade: cadeiras pesadonas, mesas de jacarandá, espelhos mil e som da pesada. E não é que deu certo?

Calibrava-se a cabeça no Cacique Chá, que ficava em frente, e depois era na Boate da Iara que o melhor da cidade se divertia. Um respiradouro cultural. Elis Regina, ainda desconhecida, mas já uma pimentinha de cabelo tosado, cantou lá para nós. A ‘Primeira Festa Hippie de Aracaju’ aconteceu escandalosamente lá e foi lá, nos temidos anos de chumbo, que abrigamos o recital ‘Joana em Flor’, Poema de Reinaldo Jardim em tournée de resistência, um espetáculo de arena com as presenças dos imberbes Gonzaguinha, Benvindo Cerqueira, Reinaldo Gonzaga e Lia – gostosona subversiva que acabou se aninhando nos braços do poeta Mário Jorge.

O espetáculo era maldito e incômodo aos coronéis.  

Ingressos vendidos, tudo de cima, eis que a repressão botou as unhas e fora: – Tá tudo preso! Era o general Graciliano, chefe do SNI, limpando a cidade de quaisquer contratempos à visita do General Médici, que na mesma noite estaria em Aracaju, urdindo suas maldades. O elenco foi pra cadeia, restando-nos prestar solidariedade aos presos em forma de fartos hambúrgueres e de uma animada vigília etílica no Bar do Meio da Rua. Depois, chegaram os advogados e o bafafá aumentou. O fato rendeu manchete nacional que acabou na célebre resposta do General Graciliano, divulgada pelo Febeapá de Stanislaw Ponte Preta: – ‘Em Sergipe, quem entende de teatro é a polícia’. O Brasil inteiro riu conosco.     

Então, veio o surto da decadência provincial com prefeitos biônicos desrespeitando as tradições da cidade no afã da modernidade. Toca-se a derrubar coisas velhas. As sorveterias Iara e Iracema, monumentos de certa Aracaju bela e saudosa, cederam lugar a dois canteiros de espirradeiras municipais.
Até hoje ninguém perdoa.”

Resumo dos jornais

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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