Desidério, cabra da peste

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Faz muito tempo, vivia no sertão nordestino, um homem  desaforado, dizem que responsável por muitas mortes e possuidor de fazendas, chamado Desidério Norato da Silva. Dele, contavam-se diversas façanhas, sabendo-se que não ficava muito tempo em um só lugar. Não possuía família. Tinha um apelido: Sempre-Vai, que ninguém se atrevia a falar na sua frente. Montado no seu cavalo, alto, magro, chapéu de couro, fazia parte desses seres humanos, seres selvagens. Sua sina era viajar. Um dia, parou em uma vendinha à beira de um caminho. Atrás do balcão, uma velhinha sentada. Conversou. E foi aí que apareceu Rosa, moça morena: vó…, disse. Desidério olhou para a moça e sentiu algo estranho. Saiu. Dias depois, voltou. Conversas com a velhinha. Ia e retornava, até que avistou Rosa novamente. Mas não dizia nada à moça. Um dia, Rosa perguntou: o senhor quer alguma coisa comigo? Não respondeu. Ficou engasgado, feito um menino. Ficou sabendo que ela tinha um namorado. Desidério foi atrás de Rosa e declarou-se recebendo como resposta: se assunte, cabra, mais respeito, tenho meu homem. Desidério saiu de cabeça baixa e ninguém soube mais dele. Dizem que morreu afogado no rio São Francisco (suicídio?) e que sua alma penada aparece para os pescadores.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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