Pior, bem pior, sempre fica.

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Assisti no dia 1o de Fevereiro a sessão do Senado da República para a escolha de seu Presidente.

Uma sujeira!

Uma nojeira continuada que se mostrou piorada.

Um Senador Presidente, de nome Alcolumbre, em deslumbres de baixo clero, tumultuou o processo em arroubos demagógicos, ensejando o descumprimento da regra, o aviltamento legal, uma anarquia sem igual, em vazios aplausos, numa república sem ordem.

Isso num momento em que 46 novos Senadores chegavam ao plenário bafejados pela onda eleitoral que invocava renovação de métodos em boa oxigenação de costumes.

Não se viu assim. O que se viu foi mais do mesmo ou bem pior.

Primeiro no próprio juramento inicial. Não lhes bastava o “assim o prometo”, regimental.

Era preciso dizer mais; fazer um discurso qualquer, demagógico, ideológico ou patológico, por excessiva necessidade de estrelismo.

Não eram eles os tais novos, os cristãos-novos, ou baba-ovos novéis, agora via tevê, ao vivo e em cores, a reivindicar reverências de fiéis nos aeroportos e aviões de carreiras?

Por acaso não os anima o tresloucado “vox populi, vox grei”, sem rédea e sem lei, sem rumo, sem aprumo e sem melhor arrumo, de serem figuras públicas em prévias vaias previstas em tanto aplauso vazio.

Ah, o vulgo! “O tempora! O mores!” Como os homens se apequenam em coisas tão miúdas!

Que iniciar deprimente! O novo posando presto inconsequente!

Vale tudo à pena, violar até mesmo a República, suas Leis e seus Símbolos, porque um Renan se alevanta e se acena, colocando-se no debate e na disputa, sem se arrimar na fraude muito menos no embuste?

Vale tudo, até o embuste e a fraude, o engodo e o vício, denunciados e comprovados, mas debalde aceito e reconhecido, violar até a regra e violentar as consciências, para conseguir vencer por um placar pigmeu, numa batalha de Pirro, por 42 votos, um a mais, ou dois a mais do mínimo necessário, com direito a exibir a própria pusilanimidade, na TV, ao vivo, em descabreio e desenfreio envergonhado?

Ou não foi assim em ausência de firmeza, coragem e nobreza, com o sorriso amarelado de uma escolha menor a comprovar que os novos Senadores firmaram sua subserviência ao novo Governo que os quer silentes e obedientes?

Vi com tristeza o apequenar de homens que deveriam possuir melhor brio.

Os homens, no meu entender, deveriam se fazer respeitar por seu proceder retilíneo.

 

E não se faz assim, por início e mal princípio, desvirtuando a regra, a lei e o regimento, seja com o sabujo medo da vaia, ou atraindo o vão rabujo do vil aplauso.

Sabe-se por sabedoria geral, que se a vaia incomoda e o aplauso embevece, ambos são fugazes, quão eternos e vazios.

E neste vácuo de firmeza em tanta melíflua vaselina, achei deprimente o comportamento dos nossos novos Senadores, sobretudo destes que ali chegaram como zebra repulsiva de outros, que não se contemplavam já vencidos, de outros feitos remidos.

A julgar pelo visto na primeira reunião do Senado, melhor seria que a República possuísse um “Poder Moderador” que os mandasse todos para casa com a rabeira entre as pernas, porque deles não sairá grande coisa nos próximos oito anos.

Como isso não irá acontecer, precisamos ter paciência para engolir não só o Senador Renan Calheiros, o “cavalo-do-cão” auto assumido, como a tantos seus iguais em prévias peçonhas e assazes desvergonhas já exibidas.

Pior não fica?

Pior sempre fica!

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