Salvador (BA) –  Um cartão-postal chamado Ribeira

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Praia da Ribeira, na avenida Beira-Mar. Fim de tarde atrai populares e turistas tendo como fundo a Basílica do Bomfim

Uma cidadezinha que cabe na metrópole. Assim pode-se definir a grosso modo o que o bairro da Ribeira é para a capital soteropolitana. E para a alegria dos turistas, não há grandes prédios, nem grandes monumentos, mas um belo pôr do sol sob a Baía de Todos os Santos, conhecidos sorvete e pastel, praias e belos casarios coloniais. Localizado na Cidade Baixa, no entorno das baías de Itapajipe e de Todos os Santos, a 7km do Mercado Modelo, entre os bairros Bonfim, Massaranduba, a Ribeira cada vez mais atrai turistas e entra em definitivo nos roteiros turísticos de Salvador.

Sabe-se que a Ribeira já foi uma grande aldeia de pescadores por causa da tranquilidade das águas, abrigou atracadouros e já foi lugar de veraneio dos soteropolitanos. Por conta disso, alguns casarios resistiram ao tempo e faz de lá um bom local a ser visitado por sua arquitetura, vista e charme interiorano.

De reduto de pescadores a cartão-postal de Salvador, como pano de fundo o bairro Plataforma

O nome Ribeira vem de uma expressão portuguesa que significa “ancoradouro para reparação de naus“. A vista de parte da Ribeira fica para o bairro Plataforma e nos finais de tarde, o sol reluz do outro lado da baía, mantendo a fama do bairro de ser um dos camarotes particulares para se apreciar a despedida do Astro-Rei.

Uma dica é começar a passeio pelo bairro antes do entardecer, ao visitar o recém-aberto ao público Solar Amado Bahia (Museu do Sorvete). O casarão tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), localizado na avenida Mem de Sá, nº 80, Porto dos Tanheiros, foi construído pela família Amado Bahia, sendo a obra confiada ao português Francisco Mendonça.

Comece o passeio ao visitar esse o belo Solar Amado Bahia – Museu do Sorvete

O solar teve sua construção iniciada em 1901 e a inauguração ocorreu com toda pompa em 8 de dezembro de 1904, para os casamentos da filha do proprietário Francisco Amado da Silva Bahia.

Chame da escadaria do Solar

“Fiel às plantas das habitações urbanas brasileiras da época, o casarão conta com corredor central e quartos dispostos transversalmente. Esta distribuição se repete nos três pavimentos. A casa propriamente dita, em alvenaria de tijolo, está totalmente envolvida por varandas de ferro fundido, importados da Inglaterra, com estruturas em abobadilhas de chapa de aço, que são suportadas por colunelos jômicos. A escada lateral que dá acesso ao pavimento nobre, é também em ferro fundido com pisos em mármore de Carrara. No pavimento nobre encontramos amplo salão de recepção, revestido de espelhos franceses e a capela com sala de oração, com altar neoclássico e pinturas no teto e paredes. Os materiais de acabamento são todos importados: piso de pastilhas coloridas nas varandas; assoalhos de pinha de riga nos salões e quartos; vidros gravados franceses e sanitários com peças de louça inglesa. O grande salão apresenta paredes revestidas de espelhos franceses, piso de parquet, teto em estuque pintado com sancas molduradas. Tetos e paredes foram pintados por Badaró. Em 1966 foi instalado o Centro Educacional Amado Bahia”, define o processo de tombamento do Iphan, que também inclui o mobiliário pertencente à família.

Sala principal do Solar preserva mobiliário e foi completamente restaurada

Em estilo eclético, o casarão transformado em um museu aberto ao público em maio, reúne elementos de diferentes países europeus numa miscelânea de cores, estilos e formas combinadas num projeto arquitetônico colonial.

Alguns mobiliários e objetos de decoração permanecem, outros são  réplicas ou de antiquários

Em seus cômodos, além de abrigar mobiliário e réplicas de objetos da época, o Solar também dispõe da história do sorvete em fotos, notícias de jornais, cronograma da história do sorvete, desde as tradicionais fábricas artesanais as grandes industriais, mas não é ainda o forte do Solar. O acervo do museu necessita de uma repaginada. O que leva o turista a ir conhecê-lo é a arquitetura do solar.

Vista da orla da Ribeira

Bairro bucólico – Com seus casarões históricos e jeito de interior, o ar bucólico do bairro da Ribeira só começa no Solar, mas está presente em toda a extensão da rua da Penha. Na orla, percebe-se atracado diversos veleiros que dão um ar de tranquilidade ao bairro com a região da Plataforma ao fundo, que vez ou outra e cortado pelo trem que transita até o fim do subúrbio de Salvador.

Pôr do sol atrai turistas por conta da bela paisagem

Em sua orla, na avenida Beira-Mar fica a Praia da Ribeira, onde existem diversos restaurantes e barzinhos, perfeitos para sentar, beber e degustar petiscos da culinária baiana.  Ao final da avenida fica a Pedra Furada, com vista para a Ponta de Humaitá, mais um belo cartão-postal de Salvador. A Ribeira é, sem dúvidas, um atrativo da Capital de Todos os Santos com todas as suas baianidades.

Dicas de viagem

Para se chegar a Ribeira do Centro de Salvador passa-se por bairro populares e por vezes o GPS não lhe confere uma rota tradicional. Vale a pena consultar um transporte por aplicativo, que não sairá por mais de R$ 12.

Não é por acaso que as cores pintadas nas paredes do Solar Amado Bahia têm as tonalidades que tem: remetem à mistura de sabores entre nata-goiaba, amendoim, pitanga, em tons que variam entre o laranja e o rosado, branco e esverdeado. Os tons aguçam o paladar e, ao fundo, há uma sorveteria dos fabricantes das marcas Capelinha e Real, rival da tradicional Sorveteria da Ribeira, que fica a uns 200 metros do Solar. Uma bola custa R$ 8.

Praia da Ribeira, próxima da Ponta do Humaitá

Para ter acesso a sorveteria no fundo do Solar Amado Bahia o visitante não paga nada. A taxa de manutenção do casarão é de R$ 10.

Nos finais de semana a estrutura de uma antiga fábrica movimenta a localidade pelas mãos da filha ilustre do bairro: Margareth Menezes, que transformou a localidade no Mercado Iaô, um misto de feira gastronômica, de economia solidária e shows musicais.

Próximo da orla da Ribeira, seguindo na direção Centro, encontra-se a Ponta do Humaitá já no bairro Bonfim. Também é considerada uma região que se avista o belo pôr do sol.

Real Classic Bahia é uma opção de hospedagem em Salvador

Hospedagem – Ao visitar Salvador, uma dica de hospedagem custo/ benefício, pertinho dos principais meios de transporte e que pode ser um bom apoio para se conhecer todos os atrativos da capital baiana é o Real Classic Bahia, situado na R. Fernando Menezes de Góes, 165. Em frente ao hotel fica o Jardins dos Namorados, um belo calçadão com vista para o mar e que no entardecer enche de baianos e turistas. A noite, a diversão é garantida. Telefone de contato (71) 3028-1600;

Gastroterapia

Sorvete da Ribeira fez fama e ganha franquias em bairros da cidade

Com muitos barzinhos e restaurantes à beira da baía, nos finais de semana a Praia da Ribeira é uma das mais populares, enquanto que turistas fazem filas para provas das delícias da Sorveteria da Ribeira, que ganhou fama, transformando o estabelecimento em uma franquia espalhada por toda a Salvador. O estabelecimento foi aberto em 1931 e recebe, diariamente, diversos turistas que se apaixonam pelos diferentes sabores de sorvete como o de tapioca, coco verde e mangaba. São mais 60 opções de sorvetes e sabores que só existem na Ribeira dão garantia de sucesso ao lugar.

Pastel de carne de sol com queijo coalho e tomate seco: delícia

Uma outra guloseima bem procurada pelos turistas são os pastéis, que vão desde sabores tradicionais aos nordestinos, como carne de sol com queijo e tomate seco. As pastelarias mais famosas ficam próximas da sorveteria, na rua da Penha, como a tradicional Pastelaria da Ribeira.

Fotos: Silvio Oliveira

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