Uma reflexão sobre a reflexão

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Estamos necessitando refletir um pouco mais sobre certos assuntos. Na verdade, estamos mesmo é necessitando refletir mais em relação a tudo. Vivemos um momento de pouquíssima reflexão, de muito pouca analise das situações que nos envolvem, dos problemas que nos afligem, e até das atitudes que diariamente somos obrigados a tomar.

A situação atual conseguiu colocar em quase todos nós, propositadamente, antolhos para que olhemos sempre para pontos determinados. Estas viseiras nos impedem de ver, de fato, a realidade que nos cerca, elas nos privam do sagrado e salutar juízo de seleção, fazendo com que sigamos sempre aquilo que outros pensaram, produziram e estão a nos obrigar, assim, a consumir.

É temerário não exercermos livremente os nossos olhares, chega a ser perigoso o ver através dos olhos dos outros. A banalização do pensamento pode nos levar aonde nós não desejamos chegar.

Recebi, por e-mail, um questionamento, em tom de pilhéria, de alguns axiomas, evidenciando que nem sempre eles representam aquilo que expressam. Porém, sabemos que a grandiosa maioria de nós segue aqueles ditos populares como verdades absolutas e, pode até não parecer, mas a influência que eles podem exercer, em certos casos, chega a ser desastrosa, decidindo o rumo de carreiras, de relacionamentos e, até de vidas.

Vejamos alguns:

Os últimos serão os primeiros

Será? A meu ver há uma grande contradição nessa afirmativa. No mundo real, o último é sempre o último. Ele é, certamente, o primeiro a ser desclassificado. Todavia, muitos, para conformarem outros ou a si mesmos, afirmam com fé e esperança que: “os últimos serão os primeiros”, e que não necessitam se esforçar, pois a sua vez chegará.

Chega não, amigo. Se você não fizer a sua parte com dedicação, muito esforço e persistência, você sempre será o primeiro a ser eliminado.

Em time que está ganhando não se mexe”. Exprime uma verdade essa afirmativa? Considerando que vivemos numa época de melhoria continua. Vai esperar perder para mudar?

O importante não é ganhar, mas fazer o outro perder”. Essa é terrível. Estamos num momento de que a vitória pela competição ainda é muito valorizada, contudo, já se vislumbra que em breve haverá conquista por colaboração, o tal do jogo ganho-ganha, quando os dois saem vencedores.  

Dinheiro não traz felicidade”. Eu devo estar vivendo em uma época muito diferente ou quem faz essa afirmação é um gozador ou um hipócrita. O dinheiro pode até não trazer felicidade, porém a sua falta acarreta uma infelicidade medonha… Tenho absoluta certeza que quem diz isso gosta e se sente muito feliz quando tem dinheiro.

Deus escreve certo sobre linhas tortas”. Por que Deus escreveria certo em linhas tortas? Não. Eu afirmo que Deus escreve certíssimo, sobre linhas bem retas. Somos nós, analfabetos das coisas divinas, que não entendemos a Sua Escrita.

Foi na inspiração do gracejo daquele e-mail que resolvi escrever sobre a falta de reflexão a que estamos entregues. Podemos afirmar, sem muito medo de errar, que na nossa atualidade qualquer um de nós, medianamente instruído, tem muito mais informação do que o maior filósofo do mundo que morreu por envenenamento 399 anos a/C. A única diferença é que ele refletia as informações que havia naqueles tempos, por isso nos legou tanto ensinamento. Porém, nós, dos dias atuais, mesmo tendo muito mais informação, pouco legaremos, pois estamos vendo com os olhos dos outros, pensando idéias alheias e consumindo produtos de que, às vezes, nem necessitamos.

O mal que isso nos faz não estamos percebendo, mas é terrivelmente danoso para o nosso crescimento seja individual, seja social.

A aceitação tácita do pensado por outros, conduz-nos aos labirintos escuros do acaso, fazendo-nos seguir o tropel dos desavisados, levando-nos, como manada, para onde nem sempre gostaríamos de ir.

É bom que retomemos a faculdade do refletir, do analisar, do pensar antes de decidir. Esta automação que estamos seguindo não nos é benéfica, o tal do copiar e colar ou ctrl“c”, ctrl “v”, tão usado pelos estudantes nas produções de suas monografias, e pelos profissionais  na feitura de seus documentos, não deve servir como referencial para o pensamento. O pensar é sublime e somente ele cria e transforma. Todo o desenvolvimento do mundo aconteceu graças ao pensamento, tudo o que nos cerca foi antes uma idéia que se materializou, naturalmente, através do trabalho, em obra pronta. Portanto, o (ctrl “c”/crtl “v”), no pensar, anula a essência criativa e transformadora de cada um de nós.

A propaganda, por exemplo, tão bem refletida pelos seus produtores, de fato, verdadeiras obras de artes do pensamento, é instrumento valiosíssimo, – para seus interessados, – na condução do cliente, – que somos nós, – na hora de decidir qual bem adquirir

Temos que pensar antes de decidir, pois simplesmente seguindo no automático, não saberemos até onde poderemos chegar e aí ditado pelo deus mercado compramos o que não nos serve, fazemos o que não devemos e sofremos as conseqüências por aquilo que sequer conhecemos.

PENSEMOS NISSO

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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