Balança Comercial do Agronegócio Sergipano

0

Saumíneo Nascimento (Foto: Janaína Santos)

Para conhecer a realidade do comércio exterior sergipano, uma abordagem do agronegócio é fundamental para entendimento da sua influência e seu peso.

Assim abordarei alguns tópicos que caracterizam este segmento na comercialização internacional e a similaridade da importância do agronegócio no Brasil e em Sergipe na formação da corrente de comércio (soma de exportações e importações).

Entre janeiro e setembro de 2011 o Brasil exportou US$ 70,869 bilhões em produtos do agronegócio (+24,4%). Esse montante superou em US$ 13,879 bilhões as exportações do mesmo período em 2010. Quanto às importações, foram adquiridos US$ 12,813 bilhões em produtos do agronegócio entre janeiro e setembro de 2011, ou seja, 34,2% a mais das aquisições no mesmo período de 2010.  Além disso, verifica-se que a participação do agronegócio nas exportações brasileiras declina de 39,3% para 37,3% no período de janeiro a setembro de 2011 para janeiro a setembro de 2010, já nas importações a participação do agronegócio evolui de 7,2% para 7,7% no mesmo período, porém o superávit na balança comercial brasileira é decorrente da abalança do agronegócio, pois os demais produtos geraram no período em análise, janeiro a setembro de 2011, um déficit de US$ 35.008 milhões, enquanto que o agronegócio apresentou um superávit de US$ 58.056 milhões.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no acumulado de janeiro a setembro de 2011 em comparação a janeiro a setembro de 2010, o Estado de Sergipe evoluiu no ranking dos Estados exportadores do Agronegócio, passando da 25ª para a 23ª posição, com um crescimento de 89,44% nas exportações do agronegócio sergipano, percentual bem superior ao crescimento das exportações do agronegócio brasileiro que foi de 24,4%. Além disso,  este crescimento das exportações do agronegócio sergipano é o 2º maior do Brasil, ficando atrás somente do Estado de Roraima que apresentou um crescimento de 110,99%. Dessa forma, as exportações do agronegócio sergipano saíram de US$ 34.786 mil no período de janeiro a setembro de 2010 para US$ 65.897 mil, no período de janeiro a setembro de 2011, vide tabela 1  adiante. Também é importante registrar que este crescimento das exportações do agronegócio sergipano é mais recente, pois os dados do Ministério da Agricultura revelam que a média de crescimento anual das exportações do agronegócio sergipano no período de (1997 a 2008) foi de apenas 5,44%, portanto é um sinal de que nos últimos três anos ocorreram mudanças na competitividade do agronegócio sergipano, calcada em investimento privados, investimentos públicos e incentivos fiscais estaduais.

Analisando o outro lado da balança, o lado das importações, o Estado de Sergipe sai da 21ª para a 19ª posição, e apresentando um crescimento de 95,30%, as importações do agronegócio sergipano evoluem de US$ 23.969 mil  de janeiro a setembro de 2010 para US$ 46.813 mil no período de janeiro a setembro de 2001, caracterizando-se como o 4º maior crescimento das importações entre os Estados brasileiros, ficando atrás somente de Paraíba, Alagoas e Ceará respectivamente, vide tabela 2 adiante. Registre-se que a evolução das importações do agronegócio brasileiro foi de 34,2%, ou seja, Sergipe apresenta-se bem acima do crescimento brasileiro. Observa-se que a balança do agronegócio sergipano, posiciona-se em destaque neste período de janeiro a setembro de 2011, já que do lado das exportações foi o segundo maior crescimento e, no lado das importações foi o quarto crescimento, reforçando a minha tese de melhoria da competitividade deste segmento econômico no Estado de Sergipe.

Se no Brasil quem gerou o superávit da balança comercial foi o agronegócio, o mesmo ocorre com Sergipe. O superávit da balança do agronegócio sergipano, no período de janeiro a setembro de 2011 foi de US$ 19.083 mil, enquanto que a balança comercial sergipana apresentou um déficit de US$ 155.631 mil. As exportações do agronegócio sergipano representam 82% das exportações sergipanas e, as importações do agronegócio sergipano representam 20% das importações sergipanas, considerando-se a base de janeiro a setembro de 2011, isto reafirma a minha posição de relevante importância que o agronegócio sergipano possui na comercialização de produtos sergipanos para o exterior.
 
A caracterização dos produtos do agronegócio sergipano e sua tipologia podem ser classificadas da seguinte forma:

SUCOS DE FRUTA

SUCOS DE LARANJA

SUCOS DE LARANJA

SUCOS DE OUTRAS FRUTAS

DEMAIS SUCOS DE FRUTA

SUCOS DE ABACAXI

SUCOS DE OUTROS CÍTRICOS

COMPLEXO SUCROALCOOLEIRO

AÇÚCAR

AÇÚCAR EM BRUTO

AÇÚCAR REFINADO

FRUTAS (INCLUI NOZES E CASTANHAS)

CONSERVAS E PREPARAÇÕES DE FRUTAS (EXCL. SUCOS)

CÍTRICOS PREPARADOS OU CONSERVADOS

FRUTAS CONGELADAS

OUTRAS FRUTAS CONGELADAS

FRUTAS FRESCAS

COCOS

FRUTAS SECAS

DEMAIS FRUTAS SECAS

COUROS, PRODUTOS DE COURO E PELETERIA

COURO E PELE DE BOVINO

COURO BOVINO WET BLUE

DEMAIS PRODUTOS DE ORIGEM VEGETAL

OLEOS ESSENCIAIS

OLEO ESSENCIAL DE LARANJA

FIBRAS E PRODUTOS TÊXTEIS

ALGODÃO E PRODUTOS TÊXTEIS DE ALGODÃO

FIOS, LINHAS E TECIDOS DE ALGODÃO

VESTUÁRIO E OUTROS PRODUTOS TÊXTEIS DE ALGODÃO

PRODUTOS FLORESTAIS

PAPEL

PAPEL

PRODUTOS ALIMENTÍCIOS DIVERSOS

OUTROS PRODUTOS ALIMENTÍCIOS

 

OUTRAS PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS

Em Sergipe, o destaque neste ano de 2011 na tipologia apresentada, está sendo o complexo sucroalcooleiro, fibras e produtos têxteis e sucos de frutas, em especial de laranja, já no Brasil os cinco principais setores do agronegócio, são representados pelo complexo soja, complexo sucroalcooleiro, carnes, produtos florestais e café, que juntos tiveram participação de 74% no total das exportações do agronegócio brasileiro, o coincidente com Sergipe é apenas o complexo sucroalcooleiro, em face da diversidade geopolítica do agronegócio brasileiro.

No lado das importações de produtos do agronegócio brasileiro, os  principais produtos importados foram: papel e celulose;  trigo; pescados e; borracha natural; já em Sergipe os principais produtos importados do agronegócio foram: trigo (principal produto de importação de Sergipe), algodão e, bacalhau, vê-se, portanto, similaridade na importação de trigo, também face às condições do determinismo geográfico no cultivo do trigo.

Diante da importância do agronegócio na composição do comércio exterior sergipano e brasileiro, julgo fundamental afirmar a necessidade de vigilância permanente que o Brasil e os órgãos de administração do comércio exterior devem ter com a questão agrícola. Sabe-se que com a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi resultado das negociações da chamada Rodada Uruguai entre 1986 a 1994 e teve na sua constituição como um dos pilares principais a formação do Acordo Agrícola, acordo este que é um suporte fundamental de normatização do comércio agrícola, com o objetivo de torná-lo mais justo e orientado pelo mercado, mediante redução das barreiras comerciais e dos subsídios à agricultura. Mas mesmo com a OMC ainda presenciamos um forte viés protecionista para os produtos agrícolas, principalmente nas economias maduras (EUA, Japão e União Européia) que estão na OMC, pregam o livre comércio, mas na realidade são verdadeiros amantes do protecionismo agrícola com as suas barreiras comerciais que dificultam um maior avanço do nosso agronegócio que poderia propiciar um maior resultando para a nossa balança comercial.

Se analisarmos as tabelas de tarifas aplicadas ao Brasil nos principais produtos agrícolas da pauta de exportação brasileira e ainda, a existência de cotas tarifárias e benefícios concedidos unilateralmente aos países concorrentes será comprovada a minha tese do protecionismo ainda vigente na agricultura, mas que mesmo assim, o nosso agronegócio supera-se e avança nos mercados maduros e nos emergentes. Registre-se ainda que a participação da agricultura mundial no comércio mundial é de apenas 7,5%, mas tem importância face às questões que envolvem a segurança alimentar e os aspectos culturais das nações.

Em conclusão vê-se que Sergipe está evoluindo no agronegócio, conquistando mercado externo e principalmente após a crise de 2008/2009, as exportações agrícolas sergipanas tiveram forte recuperação, se expandido nas quantidades, face em parte, a recuperação dos preços das principais commodities que comercializamos.

(1)        Presidente do Banese, Economista, Mestre e Doutor em Geografia

EXPORTAÇÃO DO AGRONEGÓCIO  BRASILEIRO – TOTAL

RANKING POR VALORES DE 2011

UF EXPORTADORA

Janeiro-Setembro/2010

Janeiro-Setembro/2011

Var.% (a/b)

Valor (US$) – (a)

Ranking

Part. %

Valor (US$) – (b)

Ranking

Part. %

 SAO PAULO

13.913.000.488

1

24,41%

16.371.514.546

1

23,10%

17,67%

 PARANA

7.518.910.476

2

13,19%

9.781.026.652

2

13,80%

30,09%

 RIO GRANDE DO SUL

7.160.388.297

3

12,56%

9.477.394.842

3

13,37%

32,36%

 MATO GROSSO

6.575.679.486

4

11,54%

8.076.660.972

4

11,40%

22,83%

 MINAS GERAIS

5.284.705.137

5

9,27%

6.916.960.776

5

9,76%

30,89%

 SANTA CATARINA

3.722.201.374

6

6,53%

4.258.851.209

6

6,01%

14,42%

 BAHIA

2.830.137.593

7

4,97%

3.435.300.633

7

4,85%

21,38%

 GOIAS

2.371.051.814

8

4,16%

3.203.464.652

8

4,52%

35,11%

 MATO GROSSO DO SUL

1.935.854.872

9

3,40%

2.414.823.842

9

3,41%

24,74%

 ESPIRITO SANTO

1.115.157.586

11

1,96%

1.645.080.809

10

2,32%

47,52%

 PARA

1.246.662.801

10

2,19%

1.178.160.295

11

1,66%

-5,49%

 ALAGOAS

551.789.773

13

0,97%

818.115.588

12

1,15%

48,27%

 CEARA

591.366.604

12

1,04%

616.749.801

13

0,87%

4,29%

 MARANHAO

329.074.383

16

0,58%

485.886.790

14

0,69%

47,65%

 TOCANTINS

314.229.801

17

0,55%

425.980.515

15

0,60%

35,56%

 PERNAMBUCO

367.950.746

14

0,65%

343.101.220

16

0,48%

-6,75%

 RONDONIA

347.648.399

15

0,61%

301.677.431

17

0,43%

-13,22%

 CONSUMO DE BORDO

20.256.766

 –

0,04%

298.216.033

 –

0,42%

1372,18%

 RIO DE JANEIRO

113.525.197

20

0,20%

159.064.847

18

0,22%

40,11%

 AMAZONAS

134.688.138

19

0,24%

136.733.329

19

0,19%

1,52%

 PIAUI

96.515.494

22

0,17%

125.900.232

20

0,18%

30,45%

 RIO GRANDE DO NORTE

160.253.926

18

0,28%

124.365.961

21

0,18%

-22,39%

 DISTRITO FEDERAL

97.837.860

21

0,17%

89.839.109

22

0,13%

-8,18%

 SERGIPE

34.785.934

25

0,06%

65.896.859

23

0,09%

89,44%

 PARAIBA

77.430.965

23

0,14%

44.526.637

24

0,06%

-42,50%

 AMAPA

45.612.502

24

0,08%

32.350.746

25

0,05%

-29,07%

 ACRE

14.415.248

26

0,03%

14.418.203

26

0,02%

0,02%

 RORAIMA

5.569.334

27

0,01%

11.750.523

27

0,02%

110,99%

 MERCADORIA NACIONALIZADA

11.397.667

 –

0,02%

11.417.904

 –

0,02%

0,18%

 REEXPORTACAO

1.641.286

 –

0,00%

3.969.162

 –

0,01%

141,83%

TOTAL

56.989.739.947

 –

100%

70.869.200.118

 –

100%

24,35%

Fonte: AgroStat Brasil a partir de dados da SECEX/MDIC

Elaboração: CGOE / DPI / SRI / MAPA

IMPORTAÇÃO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO – TOTAL

RANKING POR VALORES DE 2011

UF IMPORTADORA

Janeiro-Setembro/2010

Janeiro-Setembro/2011

Var.% (a/b)

Valor (US$) – (a)

Ranking

Part. %

Valor (US$) – (b)

Ranking

Part. %

 SAO PAULO

3.625.652.010

1

37,98%

4.577.037.572

1

35,72%

26,24%

 SANTA CATARINA

1.070.025.515

2

11,21%

1.492.806.203

2

11,65%

39,51%

 PARANA

974.273.936

3

10,21%

1.208.761.028

3

9,43%

24,07%

 RIO DE JANEIRO

791.449.815

4

8,29%

920.421.876

4

7,18%

16,30%

 ESPIRITO SANTO

435.313.219

6

4,56%

785.774.267

5

6,13%

80,51%

 RIO GRANDE DO SUL

679.097.757

5

7,11%

718.491.107

6

5,61%

5,80%

 PERNAMBUCO

415.704.812

7

4,35%

644.784.012

7

5,03%

55,11%

 CEARA

236.292.826

10

2,48%

526.439.254

8

4,11%

122,79%

 BAHIA

402.203.983

8

4,21%

524.686.590

9

4,10%

30,45%

 PARAIBA

78.279.149

12

0,82%

300.996.217

10

2,35%

284,52%

 MINAS GERAIS

253.595.717

9

2,66%

288.313.765

11

2,25%

13,69%

 MATO GROSSO DO SUL

162.461.296

11

1,70%

229.924.699

12

1,79%

41,53%

 ALAGOAS

33.517.381

19

0,35%

105.123.441

13

0,82%

213,64%

 MARANHAO

59.428.230

14

0,62%

88.689.738

14

0,69%

49,24%

 AMAZONAS

52.621.805

15

0,55%

72.683.840

15

0,57%

38,12%

 PARA

45.108.519

16

0,47%

72.360.095

16

0,56%

60,41%

 GOIAS

64.738.618

13

0,68%

58.332.388

17

0,46%

-9,90%

 RIO GRANDE DO NORTE

35.435.461

18

0,37%

49.212.121

18

0,38%

38,88%

 SERGIPE

23.969.603

21

0,25%

46.813.408

19

0,37%

95,30%

 RONDONIA

41.169.622

17

0,43%

37.847.475

20

0,30%

-8,07%

 DISTRITO FEDERAL

33.499.652

20

0,35%

32.197.694

21

0,25%

-3,89%

 NAO DECLARADOS

14.958.872

 –

0,16%

17.716.196

 –

0,14%

18,43%

 TOCANTINS

9.534.277

22

0,10%

6.023.423

22

0,05%

-36,82%

 MATO GROSSO

3.694.580

23

0,04%

4.769.432

23

0,04%

29,09%

 AMAPA

2.028.200

25

0,02%

1.193.333

24

0,01%

-41,16%

 PIAUI

2.128.951

24

0,02%

666.851

25

0,01%

-68,68%

 RORAIMA

584.479

26

0,01%

552.185

26

0,00%

-5,53%

 ACRE

216.361

27

0,00%

187.359

27

0,00%

-13,40%

TOTAL

9.546.984.646

 –

100%

12.812.805.569

 –

100%

34,21%

Fonte: AgroStat Brasil a partir de dados da SECEX/MDIC

Elaboração: CGOE / DPI / SRI / MAPA

*Saumíneo da Silva Nascimento – Economista e Presidente do Banco do Estado de Sergipe

Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais