Médicos fazem ato e realizam funeral simbólico da saúde de Aracaju

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Médicos se vestem de preto: luto pelo SUS (Fotos: Portal Infonet)

Os médicos completam 104 dias de greve nesta quinta-feira, 1º de novembro, e não escondem a insatisfação com a política salarial da Prefeitura de Aracaju. O Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) está realizando um protesto na Praia 13 de Julho focado em um funeral [com uma caixa funerária instalada abaixo de um toldo, que seria o velório e enterro simbólico da saúde de Aracaju e em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme justificam os médicos presentes à manifestação.

Caixão representa a morte da saúde

De acordo com o presidente do Sindimed, João Augusto de Oliveira, a diretoria do sindicato tem acompanhado os pronunciamentos do prefeito Edvaldo Nogueira e dos gestores vinculados às Secretarias Municipais de Saúde e da Fazenda e contataram que os representantes da Prefeitura de Aracaju estão “mentindo”, quando falam sobre as reivindicações da classe médica e das negociações com a prefeitura. “Associou-se às mentiras o descaso do prefeito e veio, então, a revolta da categoria”, justificou o presidente.

O diretor de comunicação do Sindimed, Rodrigo Costa, destacou como “mentiras” a informação que teria sido repassada pelos gestores municipais quanto às negociações da pauta de reivindicação. Segundo Rodrigo Costa, “é mentira” dos gestores o pedido de reajuste salarial no patamar de 40%. “A gente sempre reivindicou o piso salarial da Fenam [Federação Nacional dos Médico], que é de R$ 12 mil por 20 horas mensais, mas abrimos mão e decidimos acompanhar os estudos do Dieese que indicam que a prefeitura pode conceder 5% a todos os servidores”, explica Rodrigo Costa. A reivindicação real, segundo o diretor do Sindimed, é de 2,99%.

João Augusto destaca contradições no discurso dos gestores

O diretor destaca também que a prefeitura teria prometido implantar a tabela única em janeiro deste ano. Segundo Rodrigo Costa, a promessa teria sido feita pelo secretário da fazenda do município no segundo semestre do ano passado. “Mas nunca mais o vimos. Ele disse que se reuniu conosco, mas a gente não o vemos desde agosto de 2017 e nunca mais sentou na mesa de negociação”, ressaltou. “Eles [os gestores] só sentam conosco para dizer que não vai ter reajuste salarial. Se reunir para dizer que não vai ter reajuste não é negociação”, alerta.

Os médicos seguem em greve, mobilizados no calçadão da Praia 13 de Julho.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reconhece que o ato dos médicos faz parte do processo democrático, mas que, infelizmente, como já foi comprovado ao próprio Sindimed pela comissão de secretários, não há recursos suficientes para conceder reajuste este ano, o que não impede que as negociações sejam iniciadas já no início do ano que vem. A secretaria reforça ainda que está aguardando a decisão judicial sobre o caso, e espera que os profissionais possam voltar às atividades o mais rápido possível.

Por Cassia Santana

A matéria foi alterada às 16h23 do dia 01/11 para acréscimo de nota da SMS
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