Herpes Zoster

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Tenha sempre firmeza em suas atitudes e persistência em seus ideais, mas seja paciente. Não queira que tudo lhe chegue de imediato. E tudo que é seu virá às suas mãos no momento oportuno. Confie em você, saiba esperar…( Autor Desconhecido)

O herpes zoster é uma doença causada por um vírus, o mesmo que causa a varicela (ou “catapora”), sendo popularmente  conhecida como “cobreiro”, e é erroneamente relacionado ao contato com animais como sapos, cobras, aranhas, lagartixas, entre outros.

É uma doença mais comum em pessoas com baixa defesa imunológica como por exemplo nos idosos, porém adultos jovens e adolescentes também podem desenvolver a doença,além do que os paciente portadores do vírus HIV/AIDS estão em risco aumentado de apresentar a doença.

É uma patologia clinica que pode ocorrer durante a infância,ou seja quando a criança é infectada pelo vírus varicela – zoster, como é chamado,irá  desenvolver a doença inicial, ou seja, a catapora, porém é possível que algumas pessoas que se infectam com esse vírus apresentem formas mais leves da doença, não sendo portanto diagnosticada, por isso após a resolução da catapora, o vírus não é eliminado do organismo, ficando em um estado que chamamos de “latência”, passando portanto por uma fase em que não causa nenhum dano ao organismo, e a pessoa permanece durante muito tempo completamente assintomática, sabe-se no entanto que o principal local onde ele habita nessa fase é representado pelos nervos que saem da coluna vertebral, e que cerca de 20% das pessoas acometidas pela catapora podem desenvolver a doença.

Embora não se saiba exatamente o que causa a reativação do vírus, acredita- se que uma baixa de imunidade seja a causa responsável pela doença,portanto situações nas quais a doença pode surgir seriam: uso de medicamentos imunossupressores (como os pacientes com câncer); portadores de vírus HIV/AIDS (doença que ataca as células do sistema imune, destruindo-as); após cirurgias de grande porte; idade avançada (o envelhecimento associa-se a redução da atividade do sistema imune); uso crônico de corticóide; após queimaduras solares ou durante forte estresse emocional, ou seja em todas essas situações, o comprometimento do sistema imune pode permitir que o vírus fique ativo novamente.

Importante salientar que quando reativado, o vírus “caminha” através dos nervos, até atingir a pele, onde leva ao desenvolvimento das características da doença ( lesões bolhosas e muito dolorosas ).

Curiosamente uma pessoa não desenvolve a doença após o contato com um doente, mas pode desenvolver a catapora, caso ainda não tenha tido essa doença ou não tenha sido vacinada, e é muito importante frisar que as vesículas (lesões características da doença) são preenchidas por líquidos, no qual encontram-se os vírus, dessa forma  deve-se evitar o contato desses doentes com grávidas, crianças, pacientes com comprometimento do sistema imune (câncer, HIV/AIDS) e outras pessoas que não tiveram catapora previamente, pelo menos até que as lesões estejam secas e com crostas.

Quadro Clínico

Os primeiros sintomas da doença são descritos como uma dor em queimação, aguda, formigamento ou dormência na região da pele acometida ( a dor pode mascarar uma dor de dente,inflamação do ouvido médio,dor de cabeça migratória, infarto do miocárdio ou apendicite, dependendo de qual dermátomo (área abrangente do nervo) esteja afetado, importante referir que também é muito comum o relato de coceira na região afetada, sendo que o local mais comum de aparecimento da doença é o abdome, mas podendo surgir também na face, além disso podem aparecer sintomas gerais, como febre, mal estar, dor de cabeça e desconforto no estômago.

Após um período variável de tempo, surgem as lesões características da doença, que são representadas por pequenas vesículas (“bolhas”), cheias de líquido, com a base avermelhada, sendo extremamente dolorosas, e algumas vezes a pessoa não tolera nem o contato com a roupa, com o passar do tempo, ou seja após 2 a 3 dias , as vesículas vão ficando amareladas , secam e formam crostas que , quando se soltam , podem deixar algumas cicatrizes, é bom lembrar que essas bolhas aparecem normalmente em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto do nervo atingido, ”Cobreando-se”, ou seja, ziguezagueando, daí a origem do nome popular “cobreiro” para esta doença.

A dor melhora gradativamente com a resolução do quadro, porém nos idosos ela pode permanecer por longos períodos de tempo após a cura da doença, nesse caso peculiar recebe a denominação de “neuralgia pós – herpética”, e ocorre em mais de 15% dos pacientes, além disso em alguns casos o envolvimento da maxila pode estar associado com a desvitalização dos dentes da região afetada, inclusive encontramos na literatura médica vários relatos documentando necrose óssea significativa com perda de dentes nas áreas envolvidas com o herpes zoster.

Uma das características interessante dessa doença, é que ela é auto-limitada, ou seja, resolve-se sozinha em um período médio de 15 dias, sem necessidade de tratamento, fazendo com que as pessoas acreditem em simpatias e remédios caseiros milagrosos, aos quais é atribuída a cura da doença,conseqüentemente as lesões de pele desaparecem em 1 a 3 semanas e a dor /irritação em 3 a 5 semanas .

É interessante informar que o quadro mais grave, felizmente mais raro, é quando a doença acomete a pele na região próxima ao olho, quando ela pode atingir as estruturas oculares, podendo levar até a cegueira, portanto em qualquer acometimento suspeito nessa região se indica uma consulta oftalmológica de urgência.

O diagnóstico do herpes zoster geralmente é clínico, já que as lesões de pele são bastantes características.

Tratamento

É o mesmo da varicela: antivirais, sobretudo o Aciclovir (Zovirax) ou pró – fármacos como o famciclovir (Famvir), or valacyclovir (Valtrex), é bom frisar que como não há uma cura conhecida para o cobreiro, o tratamento deve se concentrar na diminuição da dor, portanto um analgésico pode aliviar a sensação de queimação, como o ácido acetilsalicílico e o paracetamol, ou até medicamentos mais fortes, como a codeína (“Tylex”),a Pregabalina (“Lyrica”), ou o mais moderno produto para dor neuropática encontrado no momento  a duloxetina (“Velija”),além disso nos casos mais graves, que ocasionem angústia intensa ou perturbem o sono, por vezes, recorrem-se à prescrição de sedativos potentes..

O aciclovir e outros antivirais semelhantes administrados oralmente provaram diminuir o progresso e a gravidade da doença em muitos casos, além de reduzir a probabilidade de neuralgia pós herpética.

Alguns médicos prescrevem medicamentos esteróides ( corticóides ) para diminuir a inflamação do nervo, ,as para eles serem eficazes, devem ser tomados logo após o início do cobreiro, mas seu uso nunca deve ser usado em diabéticos, hipertenso, cardiopatas e portadores de doenças mentais, além de outras contra-indicações em outras doenças subjacentes, pois eles interferem na resistência à infecção.

A prevenção da infecção também é importante, por isso pode-se usar banhos em água morna (não quente) que  ajudam a aliviar e limpar a pele, salientando que se a coceira for muito intensa e severa, os pacientes devem cortar as unhas e usar luvas enquanto estiverem dormindo para que não cocem inconscientemente.

Procurar atendimento imediato pode diminuir a chance de você sofrer de dor contínua após o surto do cobreiro, e se isso serve de consolo, a maioria das pessoas só tem cobreiro uma vez.

Nos casos mais graves, por exemplo, de zoster facial, oftálmico ou disseminado, pode ser necessário a hospitalização do paciente como forma de prevenção e com vista a tratar eventuais complicações.

Embora os especialistas enfatizem a importância da ajuda médica, existem alguns procedimentos adicionais que se podem fazer para ajudar a aliviar a dor e a coceira do paciente durante a fase inicial do cobreiro , quando há bolhas , além de lidar com qualquer desconforto prolongado que ocorra após essas bolhas terem desaparecido.

Uma boa semana, com  muita paz e saúde.

 

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