MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A     1

 

Cantora: FABIANA COZZA

CD: “QUANDO O CÉU CLAREAR”

Gravadora: ELDORADO

 

Que o samba voltou com tudo, disso ninguém mais duvida. De grandes nomes a gente que desponta com muito talento, muitos têm posto nas prateleiras das lojas especializadas CD’s baseados no mais genuíno dos ritmos brasileiros.

No Rio de Janeiro, o boom atual começou com a redescoberta da Lapa. Revigorado, o bairro mais boêmio do Rio de Janeiro tornou-se celeiro para muita gente boa, como é o caso de Teresa Cristina, Ana Costa e Nilze de Carvalho, só para ficar em três exemplos femininos.

Mas desmentindo a frase que um dia, equivocadamente, alardeou ser São Paulo o túmulo do samba, a famosa terra da garoa prova que também entende (e muito bem) do riscado. Um grande exemplo disso é o CD “Quando o Céu Clarear”, segundo trabalho da cantora Fabiana Cozza, que chegou recentemente às lojas através da gravadora Eldorado.

Fabiana já tinha mostrado sua competência no álbum de estréia, mas neste novo trabalho mostra-se de fato uma artista pronta. Intérprete vigorosa, dona de uma voz potente e calorosa, soube cercar-se de autores escolhidos a dedo, os quais são os responsáveis pelas quinze ótimas faixas que compõem o repertório.

Produzido por Marcos Paiva, o trabalho apresenta canções de gente como Roque Ferreira, Paulo César Pinheiro, Vevé Calazans, Jorge Aragão, Nei Lopes e Nelson Sargento. Precisa dizer mais alguma coisa?

Como que abrindo caminhos, logo na primeira faixa (“Incensa”), Fabiana contagia todos numa interpretação irretocável. Entre momentos mais suaves (“Novo Viver” e “Doces Recordações”, esta com a participação especial de Dona Ivone Lara), a cantora deslancha mesmo é quando surpreende até os ouvintes mais exigentes com canções como “Mestre-Sala”, “Parte”, “Tendência” e “Pela Sombra”, por exemplo.

Há ainda temas que remetem ao candomblé (“Ponto de Nanã” e “Saudação para Iemanjá”) e, corajosa, Fabiana ousa recriar canções eternizadas por vozes de divas: é o caso de “Agradecer e Abraçar” (que já foi gravada por Maria Bethânia) e “Canto de Ossanha” (do repertório de Elis Regina). Em ambos os casos, sai-se com maestria, alterando andamentos e arranjos das gravações originais.

Não se pode esquecer de destacar também duas ótimas canções assinadas pelo inspirado e ainda desconhecido Leandro Medina (“Não Sai de Mim” e “Xangô Te Xinga”). 

Trata-se de um CD tão bom que faz lembrar os áureos tempos da década de setenta, quando a insubstituível Clara Nunes gravava discos anuais e seus lançamentos eram aguardados com ansiedade pelo público e pela crítica, posto que traziam sempre pérolas musicais inesquecíveis.

Corra e conheça Fabiana Cozza antes que ela vire moda porque o bom da vida é mesmo andar na contramão!

 

 

R E S E N H A     2

 

Cantor: LOPES BOGÉA

CD: “BALANÇOU NO CONGÁ”

Gravadora: SARAVÁ DISCOS

 

Um dos vários méritos do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro é a preocupação com o resgate de artistas pouco conhecidos pelas gerações atuais. Já fez isso anteriormente com o conterrâneo Antônio Vieira, relançou disco póstumo de Sérgio Sampaio e agora, através do próprio selo, o Saravá Discos, põe nas lojas um tributo à obra musical de Lopes Bogéa, falecido há três anos, outro inspirado autor, mas também (até agora, pelo menos) basicamente conhecido somente nas fronteiras de sua terra, o Maranhão.

O CD intitulado “Balançou no Congá”, que leva assinatura de Zeca na produção, apresenta canções simpáticas, cuja inspiração vem do cotidiano popular. As dezesseis músicas escolhidas retratam um interessante painel do extenso repertório de Bogéa guardado em velhos cadernos e na memória de sua filha, Heleudes.

Quando a idéia do disco começou a ser formatada, o artista ainda se encontrava entre nós e houve tempo de ele próprio registrar em estúdio quatro de suas composições: a faixa-título, “Balaiei, Sim”, “Siricora” e “Sapoti”.

Vários artistas foram convidados para participar do projeto, o qual recebeu as imediatas adesões de Alcione, Beth Carvalho, Rita Ribeiro, Criolina, Chico Saldanha, Josias Sobrinho, César Teixeira, Tião Carvalho, Germano Mathias e Genival Lacerda.

Há samba, carimbó, baião, partido-alto, marcha e toada-de-boi e a execução dos arranjos, com formação acústica, ficou a cargo de grandes músicos, como os violonistas Swami Jr. e Tuco Marcondes, o baixista Fernando Nunes, o acordeonista Adriano Magoo, o percussionista Guilherme Kastrup e o cellista Lui Coimbra. Os destaques ficam por conta das faixas “Eu Sou do Apartamento Aqui de Baixo”, “A Gente e o Mar”, “Minha Companheira”, “Encruzado” e “Mimo Cheiroso”.

Para quem gosta de um passeio pelo talento brasileiro, trata-se de uma oportunidade ímpar para mergulhar no universo da cultura popular maranhense. Boa pedida!

 

 

N O V I D A D E S

 

·               Além da faixa título (“Beleza Pura”, hit de Caetano Veloso, regravada especialmente pelo Skank), a próxima telenovela global das 19 horas contará, em sua trilha sonora, com um registro inédito de Nana Caymmi para “Eu Sei que Vou te Amar” (clássico de autoria de Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Do repertório constarão ainda canções interpretadas pelas cantoras Ana Cañas e Céu, dois destaques recentes da nossa música. Falando em Nana: ela será tema do próximo documentário de Georges Gachot, em fase de produção e com lançamento previsto para 2009. Depois de enfocar Maria Bethânia no filme “Música É Perfume”, o cineasta suíço direciona suas lentes para a filha de Dorival Caymmi.

 

·               E Bethânia fará chegar às lojas, no próximo mês, o seu novo trabalho. Será um disco em que a baiana dividirá os vocais com a cantora cubana Omara Portuondo. A gravadora Biscoito Fino tenciona lançar, no mesmo pacote, um DVD com documentário assinado por Bruno Natal que registra cenas da gravação do álbum. O trabalho inclui textos e músicas dos anos 50, tanto do Brasil quanto de Cuba.

 

·               No dia 11 de outubro próximo fará 100 anos que o compositor Cartola nasceu. Além do CD que Cida Moreira gravou em homenagem ao famoso mangueirense (nas lojas ainda neste primeiro semestre), também a gravadora Biscoito Fino resolveu prestar o seu tributo através da recém-lançada coletânea “Viva Cartola!” que traz vários artistas interpretando as belas canções criadas pelo artista, a exemplo de Paulinho da Viola, Luiz Melodia, Olívia Byington, Elizeth Cardoso e Elton Medeiros. O único registro inédito, no entanto, fica por conta de Mart’nália que regravou a pungente “Basta de Clamares Inocência”.

 

·               O primeiro CD individual da cantora Nina Becker, atualmente uma das vocalistas da Orquestra Imperial, já está sendo formatado e trará composições inéditas de novos nomes da nossa música, como é o caso de Nervoso e Domenico Lancellotti.

 

·               A biografia da banda Barão Vermelho intitulada “Por Que a Gente É Assim?”, escrita por Ezequiel Neves, acaba de chegar às livrarias acompanhada de um CD que contém sete gravações demos raras, feitas quando o grupo ainda nem havia gravado seu primeiro LP: “Billy João” (que viria a ser intitulada “Billy Negão” na versão definitiva), “Certo Dia na Cidade”, “Ponto Fraco”, “Por Aí”, “Rock”n”Geral” e “Você me Acende”, versão de Erasmo Carlos para o blues “You Turn Me On”.

 

·               Ótima notícia! Sairá este ano, através da Universal Music, coleção com as reedições de toda a obra fonográfica de Ney Matogrosso. Ainda em fase de produção, vai englobar não somente os discos do cantor que constam do acervo da aludida gravadora, mas também títulos de outras companhias por onde o cantor matogrossense passou ao longo de seus trinta e cinco anos de gloriosa carreira.

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

 

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