Musiqualidade

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R E S E N H A     D E     C D     1

 

Cantores: ANA CAROLINA e SEU JORGE

Título: “ANA & JORGE – AO VIVO”

Gravadora: SONY & BMG

 

A parceria entre Ana Carolina e Seu Jorge teve origem no último CD de estúdio da cantora, o elaborado “Estampado”, no qual havia duas canções feitas pela dupla: “Não Fale Desse Jeito” e “O Beat da Beata”. O resultado deu tão certo que eles resolveram se juntar para uma apresentação ao vivo, realizada no mês de agosto próximo passado na Casa de Shows “Tom Brasil”, em São Paulo, a qual resultou em CD e DVD que aportaram no mercado pouco antes do último Natal.

Em formato totalmente acústico (são os próprios artistas que se acompanham e somente com violões, baixos e pandeiros), Ana e Seu Jorge mostram total sintonia no palco e, além de interpretarem algumas canções presentes no repertório individual de cada um, ainda incursionam por músicas inéditas em suas vozes. Assim, ao lado de canções já bastante conhecidas de Ana (“Pra Rua Me Levar”, “Garganta” e “Mais Que Isso”) e de outras gravadas por Seu Jorge (“Chatterton”, “São Gonça” e “Carolina”), dá para encontrar outra parceria entre os dois, a repentista “Comparsas”, uma curiosa canção da sambista Lecy Brandão (“Zé do Caroço”), a primeira parceria de Ana com o exótico Tom Zé (“Brasil Corrupção”) e a versão que ela fez para o hit “The Blower’s Daughter” (de Damien Rice e que virou “É Isso Aí”).

Ana Carolina passa atualmente por um período de grande reconhecimento: seus shows vivem lotados e seus discos vendem muito bem. Seu Jorge, por sua vez, depois de incrementar seu nome no exterior, resolveu investir no Brasil. A união de seus trabalhos terminou sendo salutar para ambos, tanto que o disco já se encontra em um dos primeiros lugares dentre os mais vendidos no país inteiro. O DVD correlato traz, nos extras, algumas canções cantadas pelos dois de maneira bem descontraída, além de outras cinco que não entraram no CD: “Tive Razão”, “Brasis” e “Convites para a Vida” (de Seu Jorge) e “Nega Marrenta” e “Notícias Populares” (de Ana Carolina). Já no CD foi incluída a canção “Problema Social” (de Guará e Fernandinho), ausente no DVD.

Um trabalho que foi endossado pela gravadora Sony & BMG com nítido caráter caça-níqueis, mas que resultou em uma agradável surpresa!     

 

 

R E S E N H A     D E     C D     2

 

Cantora: SHIRLE DE MORAES

Título: “NADA SERÁ COMO ANTES”

Gravadora: SONY & BMG

 

Integrante da última edição do Programa “Fama”, levado ao ar, no ano passado, pela Rede Globo, no qual alcançou a segunda colocação, a gaúcha Shirle de Moraes põe no mercado o seu primeiro CD intitulado “Nada Será Como Antes”.

Lançado pela multinacional Sony & BMG, trata-se de um ótimo disco, especialmente levando-se em consideração o fato de ser o primeiro de uma jovem cantora até há pouco tempo desconhecida do grande público. É verdade que a garota está bem calcada em Elis Regina e é claro que isso se trata de uma jogada de marketing da gravadora, interessada na fatia do mercado que se jogou aos pés de Maria Rita. Mas se esta tem o DNA da Pimentinha no sangue, Shirle (gaúcha como Elis) mostra possuir voz bem mais potente. As interpretações mostram um vigor raro, porém ressaltam também a intencionalidade de certas emissões vocais para se fazer parecida com aquela que é a maior cantora brasileira de todos os tempos. Não bastasse ter regravado, neste seu álbum de estréia, oito canções que fizeram parte do repertório de Elis (o que, se por um lado pode lhe pesar como cover, por outro lhe denota uma coragem inquestionável), Shirle exibe maneirismos característicos de Elis, os quais se vislumbram facilmente, por exemplo, em “Aprendendo a Jogar” (de Guilherme Arantes) e em “É Com Esse Que Eu Vou” (de Pedro Caetano).

Por outro lado, há interpretações de fato surpreendentes como na sinuosa “Ladeira da Preguiça” (de Gilberto Gil), na esquecida “Vecchio Novo” (de Cláudio Lucci e José Márcio) e na melodramática “Pois É” (de Tom Jobim e Chico Buarque). As outras quatro canções que compõem o disco comprovam que Shirle tem muito ainda a mostrar e deixam claro que, se ela tivesse investido em um repertório mais abusado, poderia ter transformado o seu CD em um dos melhores lançamentos do ano passado. Assim, enquanto “Boneca de Cera” (de Edgard Sussekind e já gravada pela banda Ira!) e “Por Causa de Uma Paixão” (de Alexandre Leão e Manuca Almeida) se transformam nos momentos mais calmos do disco, as duas boas inéditas de autoria de Vanessa da Matta (“Sem Saída” e “Acode”) ratificam o talento criativo da bela artista matogrossense.

Esperemos pelo próximo, já cientes de que estamos vendo surgir uma promissora cantora…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               As atrações do Projeto Assaim de Música da próxima sexta-feira, dia 10, são imperdíveis. Estarão no palco armado na orla do Município de Pirambu a cantora Iracema e o compositor Ismar Barreto. Os shows começam às 20:30 horas e se eu fosse você, não perderia por nada desse mundo, viu?

 

·               E os componentes de Os Únicos Que Prestam, banda sergipana especialista em samba, resolveram mudar o tom. Terminaram de gravar recentemente a canção “Assassinaram o Forró” e com isso já se preparam para os shows referentes aos festejos juninos. Boa pedida!

 

·               A cantora Ithamara Koorax lançou no Japão, em dezembro passado, o álbum “The Best of IK”, a primeira compilação de sua carreira. Agora, o disco acaba de sair no restante da Ásia (Coréia, China e Taiwan) e as vendas já comprovam que será mais um sucesso na vitoriosa carreira dessa brilhante cantora.

 

·               O novo CD de Mart”nália (o primeiro que a cantora lançará pela gravadora Biscoito Fino) está pronto e chegará ao mercado ainda agora em fevereiro. Intitulado de “Menino do Rio”, o trabalho é conceitual, girando em torno da cidade do Rio de Janeiro, e foi feito sob a supervisão de Maria Bethânia. Do repertório, além da regravação da conhecida faixa-título (de autoria de Caetano Veloso), constam músicas de Luiz Melodia (“Estácio Holly Estácio”), Arlindo Cruz (“Boto Meu Povo na Rua”), Guilherme Arantes (“Só Deus é Quem Sabe”) e do pai Martinho da Vila (“Nas Águas de Amaralina”), além de uma parceria da cantora com Moska (“Essa Mania”).

 

·               Anarquista convicto, o escritor Roberto Freire viu alguns de seus escritos servirem de base para o CD “Vida de Artista”, um lançamento da Tratore. Os filhos Tuco e Paulo, além do amigo Zé Márcio Zema, musicaram alguns de seus poemas e o resultado foi registrado no álbum pelas vozes de gente de peso como Mônica Salmaso, Chico César e Ná Ozzetti. Dentre os destaques estão as faixas “Solidão”, “A Rosa é do Menino” e “A Juventude em Mim”.

 

·               O baiano Péri chega ao seu quarto disco tendo conseguido emplacar uma de suas composições no último álbum de Gal Costa (o supervalorizado “Hoje”). A boa canção “Voyeur” é uma das doze músicas (dez delas de sua própria autoria) que fazem parte do CD intitulado “Samba Passarinho”, um lançamento da pequena gravadora Baticum Discos, no qual o artista se acompanha unicamente de seu violão. Todas as faixas são sambas brotados de nascentes as mais variadas, mas a maioria deles de muito bom gosto. A faixa-título, por exemplo, é bacana à beça! Outros destaques ficam por conta de “Redemoinho”, “Depressa”, “Só Minha” e “O Samba é Bom”. Há duas regravações apenas: “Dos Prazeres das Canções” (de Péricles Cavalcanti) e “Meu Mundo é Hoje” (de Wilson Baptista).

 

·               À toda, a gravadora Biscoito Fino deverá lançar em DVD o filme “Os Doces Bárbaros” ainda este ano. Documentário gravado em 1976 por Jom Tob Azular, o projeto já conta com as autorizações expressas de Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil, faltando somente a aquiescência de Gal Costa. A baiana de voz aguda, todavia, não deverá criar problema até porque este ano completam-se exatos trinta anos da estréia da película nos cinemas nacionais e a oportunidade torna-se, então, única.

 

·               Falando em Gal Costa, será ela a próxima artista a ter a carreira enfocada em episódios que irão ao ar pelo canal DirecTV. Serão, a priori, dois episódios, os quais mostrarão como a cantora sentiu a efervescente revolução provocada pelo movimento tropicalista na música brasileira.

 

·               A trilha sonora da minissérie global “JK” está chegando ao mercado. Além da gravação inédita de “Peixe Vivo”, feita por Milton Nascimento para a abertura da história, o CD reúne músicas dos anos 50 em gravações de várias épocas. Dentre outras, estão presentes: “Nunca” (na voz de Zizi Possi), “Caminhemos” (com Nelson Gonçalves), “Ouça” (com sua intérprete original, Maysa), “Mocinho Bonito” (em gravação de Dóris Monteiro), “Chega de Saudade” (com o seu autor, Tom Jobim), “Este Seu Olhar” (com Dick Farney), “Canção de Amor” (belissimamente interpretada por Elizeth Cardoso), “Mulher” (com Emílio Santiago) e “Presidente Bossa Nova” (em registro de Juca Chaves).

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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