MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A    D E    C D    1

 

Cantor: TOTONHO E OS CABRA

Título: “SABOTADOR DE SATÉLITE”

Gravadora: TRAMA

 

“Sabotador de Satélite” é o título do segundo álbum de Totonho e Os Cabra. O CD foi lançado pela gravadora Trama no final de 2005 e se constitui em uma excelente mistura de rock, embalado por elementos de música eletrônica e regional, com várias batidas marcantes. As faixas foram produzidas por Kassin e Berna Ceppas e há as participações especiais de Pupilo (do grupo Nação Zumbi) na bateria e de Donatinho (que vem a ser filho de João Donato) nos teclados.

Compositor e cantor, Totonho nasceu na Paraíba, mas, em busca do reconhecimento de seu trabalho musical, se mudou para o Rio de Janeiro no final de 1988. Em 1999, uma fita demo terminou parando nas mãos do produtor musical Carlos Eduardo Miranda que, entusiasmado com o que ouviu, foi o responsável pelo lançamento do disco de estréia.

Com fãs entre grandes nomes atuais da MPB, como Chico César e Zeca Baleiro (que, aliás, é co-autor da música que dá nome ao novo CD), Totonho mostra um talento singular para compor. Suas letras são bem interessantes e misturam imagens modernas com passagens e paisagens regionais. As melodias são, via de regra, bastante alegres e facilmente assimiláveis.

O disco denota um trabalho realmente conceitual e as programações a rodo têm o objetivo de transportar o ouvinte para o ambiente intergaláctico citado nas faixas.

Quem gosta de uma boa novidade, deve conhecer este CD que tem como maiores destaques as canções “O Homem Pisou na Lua” e “Eu Mandei Meu Amor Pro Espaço”. Mas a hilária e brega “Você Tá Doida Pra Me Dar”, repleta de duplos sentidos, não fica atrás e mostra como se pode fazer música bem-humorada e de boa qualidade.

 

 

R E S E N H A    D E    C D    2

 

Cantora: EUGÉNIA MELO E CASTRO

Título: “DESCONSTRUÇÃO”

Gravadora: ATRAÇÃO

 

Um CD maravilhoso! É essa a qualificação mais apropriada para o álbum “Desconstrução” que a cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro lançou, no final do ano passado (pela gravadora Atração), através do qual mergulha nas canções de Chico Buarque.

Vários artistas já fizeram discos revisitando a obra musical do poeta. Poucos, contudo, foram tão felizes quanto Eugénia. Dona de uma voz potente e afinadíssima, a cantora construiu um disco fantástico, reunindo canções de diversas fases do compositor e revestindo-as com arranjos modernos e vigorosos (sob a responsabilidade de Eduardo Queiróz), quase que recriando várias delas sem, contudo, descaracterizá-las nem agredir a essência das mesmas.

Citar destaques é tarefa quase que hercúlea, mas não dá para deixar de ressaltar as faixas “Com Açúcar, Com Afeto”, “Maninha”, “As Vitrines”, “Basta um Dia” e principalmente “Construção”, esta com resultado pungente quando, ralentada, se derrama nos versos de “Deus lhe Pague”, enquanto o piano de Emílio Mendonça flerta com a atonalidade.

Há as participações especiais do próprio Chico (em “Bom Conselho” e “Injuriado”) e de Adriana Calcanhotto (numa excelente sacada ao se unir, na mesma faixa, as belas “Bem Querer” e “Futuros Amantes”).

Um belo e luxuoso trabalho de fazer morrer de inveja certas cantoras brasileiras que mais aprontam do que cantam…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               Uma grata surpresa para os milhares de fãs de Marisa Monte! No próximo dia 10 de março estará chegando às lojas não apenas um, mas dois novos CD’s da diva, os quais sairão com capas e embalagens distintas. Os discos (que, a princípio, seriam vendidos em formato duplo) poderão ser adquiridos separadamente. Uma ótima sacada de marketing, até porque trata-se de trabalhos bem diferentes. Um deles versará sobre sambas (“Universo Ao Meu Redor”) e o outro se destinará à linha pop (“Infinito Particular”) e trará as primeiras parcerias da cantora com Adriana Calcanhotto, Rodrigo Campello e Seu Jorge, além de uma nova música feita com Marcelo Yuka.

 

·               O novo CD de Ivan Lins tem previsão de chegar ao mercado no próximo mês de abril. Intitulado apenas de “Ivan”, o trabalho mostrará algumas parcerias do compositor com nomes de peso da nossa MPB, tais como Paulo César Pinheiro (em “Diana do Mar”) e Dona Ivone Lara (em “Deus é Mais”). Mas Ivan também está virando parceiro do compositor uruguaio Jorge Drexler (que ganhou projeção internacional ao receber um Oscar pelar canção feita para o filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles). Ainda sem título, a primeira parceria dos dois artistas deverá entrar no próximo disco de Drexler.

 

·               E mais uma cantora tenta se firmar no mercado nacional: trata-se da carioca Micheline Mays que está lançando, através da pequena gravadora Special Discos, o CD intitulado “Samba de Pista”. Com direção artística de Robertinho de Recife e produzido por Luiz Antônio (que assina a autoria da maioria das faixas em parceria com a própria cantora), trata-se de um trabalho calcado nas programações eletrônicas tão em voga atualmente no mercado fonográfico. Há quatro regravações: “Aquele Abraço” (de Gilberto Gil) ficou previsível demais e “Bicho de Sete Cabeças” (de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo) perdeu a sua força impactante, mas em compensação “Taj Mahal” (de Jorge Ben Jor) ganhou um balanço irresistível e “Cidade Maravilhosa” (de André Filho) tornou-se bastante atual. Dentre as composições de Micheline (que canta bem, sem copiar ninguém) em parceria com Luiz Antônio, merecem destaque “Samba sem Destino”, “A Vida Ficou Bem Melhor” e “Sorrir é Bom”. Vale a pena conhecer!

 

·               Outra cantora que, em breve, chegará ao mercado com o seu primeiro CD é Ana Costa.  Com o título de “Meu Carnaval”, o álbum conta, em seu repertório, com inéditas (dentre elas, “Não Sei o Que Dá”, parceria de Ana com Zélia Duncan e Mart’nália) e regravações (como, por exemplo, “Pra Que Pedir Perdão”, de Moacyr Luz e Aldir Blanc).

 

·               E por falar em Zélia, a polivalente cantora continua a se fazer presente como poucos na nossa música popular. Com uma faixa de seu último e ótimo CD “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band” incluída na trilha sonora da novela global “Belíssima” (o reggae “Dor Elegante”), a cantora aceitou o convite e gravou música composta por André Moraes (“Se Tiver”) que já serve como tema de abertura da série “Avassaladoras”, no ar pela Record, inspirada no filme homônimo de Mara Mourão e no seriado americano “Sex and the City”.

 

·               Encontra-se em estúdio a cantora Bebel Gilberto, filha de João Gilberto e Miúcha, registrando as canções que comporão o seu terceiro álbum. Dando prosseguimento à sua carreira, após o estouro mundial do CD “Tanto Tempo” (lançado em 2000) e do fiasco do sucessor “Bebel” (que saiu em 2004), a artista deve continuar investindo na receita de misturar algumas inéditas com clássicos da Bossa Nova revestidos por ambiência eletrônica, embora tal fórmula já comece a dar sinais de desgaste. Tomara que Bebel possa se reciclar e reencontrar o caminho do sucesso!

 

·               O tecladista Mu Carvalho, famoso por integrar a banda A Cor do Som (que atualmente tenta uma retomada no mercado fonográfico), está lançando pelo selo Café Brasil um novo CD solo, o belo instrumental “Óleo Sobre Tela”, no qual associa sua música a pintores como Matisse, Picasso, Volpi, Dalí e Portinari. O artista mostra todo o seu talento acompanhado de feras como Arthur Maia e Jorge Hélder (baixo), Jorginho Gomes e Jurim Moreira (bateria), Carlos Malta e Nivaldo Ornelas (flauta), Sidinho (percussão), Nicolas Krassik (violino) e Márcio Montarroyos (flugel). Dentre os melhores momentos, podem-se destacar as suaves “Veneza” e “Pra Onde Foram Todas as Flores” e as contagiantes “Baile na Roça” e “Acenda a Fogueira”. Algumas das músicas parecem ter saído diretamente de trilhas sonoras de filmes, dada a atmosfera sublime a que transportam o ouvinte. Uma ótima pedida!

 

·               Em 2004, a gaúcha Adriana Calcanhotto concretizou um sonho antigo ao lançar o CD “Adriana Partimpim”, totalmente voltado para o público infantil. A receptividade que o projeto obteve (incluindo o show correlato que lotou todas as salas por onde passou) fez com que a gravadora Sony & BMG pusesse no mercado, no final do ano passado, um DVD contendo o registro integral do show gravado no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. O consumidor tem a possibilidade de escolher entre duas versões disponíveis: DVD somente ou DVD acompanhado de CD-áudio. Ambos contêm, além das dez canções registradas no CD original (o de estúdio) mais oito faixas: a instrumental de abertura “Bolero de Rapel”, composta por Dé Palmeira (baixista e diretor musical do espetáculo), uma deliciosa releitura de “O Poeta Aprendiz” (obra-prima de Toquinho e Vinicius de Moraes), uma boa canção inédita de Calcanhotto em parceria com Kassin (“Quando Nara Ri”), a bem construída “O Mocho e a Gatinha” (tema de Cid Campos sobre os versos de Edward Lear traduzidos por Augusto de Campos) e quatro letras do poeta Ferreira Gullar musicadas por Calcanhotto (“Gato Pensa?”, “O Ron-Ron do Gatinho”, “Dono do Pedaço” e “O Gato e a Pulga”). Dentre os melhores momentos estão incontestavelmente “Canção da Falsa Tartaruga” (de Lewis Carroll, Cid Campos e Augusto de Campos), “Ser de Sagitário” (de Péricles Cavalcanti), “Lição de Baião” (de Daniel Marechal e Jadir de Castro) e “Saiba” (de Arnaldo Antunes). Um trabalho adorável para ser apreciado não somente pelas crianças, mas pelo público inteligente de todas as idades.

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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