MUSIQUALIDADE

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R E S E N H A    D E    C D    1

 

Cantora: JUSSARA SILVEIRA

Título: “NOBREZA”

Gravadora: MAIANGA DISCOS

 

Jussara Silveira é uma cantora que vem aprimorando a sua arte a cada trabalho. Mineira criada na Bahia e dona de uma voz límpida e afinada, tem como característica inata o bom gosto quanto à escolha das canções que compõem os repertórios de seus discos.

Acaba de chegar ao mercado o seu mais novo CD, dividido, nos créditos, com o exímio violonista Luiz Brasil, o qual, em algumas faixas, arrisca-se também nos vocais. Trata-se de um primor melódico em que a fórmula voz e violão se mostra perfeitamente atual. São canções a princípio díspares, mas que, envolvidas pelo talento dos dois artistas, terminam por resultar em uma impressionante unidade.

Todas as treze faixas são regravações. O álbum se torna envolvente, contudo, pois muitas das canções não fazem parte do rol de músicas que já foram tocadas à exaustão. Assim, para o ouvinte médio o disco apresenta agradável frescor, dando-lhe a impressão de que está conhecendo muita coisa inédita.

A virtuose exibida pelo violão de Luiz Brasil, especialmente nas faixas “Nobreza” (obra-prima de Djavan) e “Baião de Quatro Toques” (inspirada parceria de Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit), serve de cama para a total entrega da intérprete Jussara Silveira em pérolas como a esquecida “Cara Limpa” (de Paulo Vanzolini) e as pouco conhecidas “Os Passistas” (de Caetano Veloso) e “Ludo Real” (de Vinicius Cantuária e Chico Buarque).

Ainda entre os bem escolhidos resgates, há a caymiana “Rosa Maria” (de Aníbal Silva e Éden Silva) e a contagiante “Pombo Correio” (da lavra de Dodô e Osmar com Moraes Moreira). Os melhores momentos, porém, ficam indiscutivelmente com a maestria de “Quem Há de Dizer” (de Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves) e com a singeleza de “Argila” (a mais bonita das músicas já compostas por Carlinhos Brown).

Um disco que merece ser conhecido e fazer parte de toda cedeteca que se preze!

 

 

R E S E N H A    D E    C D    2

 

Cantores: JOYCE & DORI CAYMMI

CD: “RIO-BAHIA”

Gravadora: BISCOITO FINO

 

Joyce e Dori Caymmi são cariocas. Mas ambos têm um pé forte na Bahia. Ela porque é casada há anos com o baterista baiano Tutty Moreno; ele por ser filho de Dorival Caymmi. Juntos, eles (que se conhecem desde o final da década de sessenta) resolveram lançar o CD “Rio-Bahia”, no qual tentam traçar uma ponte entre esses dois Estados que tanto têm contribuído para a cultura musical brasileira.

O primeiro disco de Joyce data de 1968 e nele Dori já estava presente, uma vez que escreveu os arranjos de cordas. A admiração mútua seguiu-se por anos a fio e, em reuniões nas casas de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Luizinho Eça, os laços de amizade foram se estreitando, tanto que em 1998, Joyce convidou Dori para participar de outro trabalho seu, o álbum “Astronauta”.

O recém-lançado CD foi gravado no ano passado e teve lançamento imediato na Europa e Japão, somente chegando este mês em terras tupiniquins através da gravadora Biscoito Fino, pela qual Joyce tem registrado os seus mais recentes discos. Boa compositora, dona de um estilo peculiar, ela conheceu o sucesso no início dos anos oitenta quando galgou os primeiros lugares das paradas com os hits “Clareana” (composto em homenagem às suas filhas Clara e Ana) e “Feminina” (tema do seriado “Malu Mulher”). De lá para cá, ainda que venha primando por manter o nível de seu trabalho, suas canções têm se restringido ao conhecimento de um seleto grupo de admiradores. Ressalte-se ainda ser Joyce uma exímia violonista e que canta muito bem, com voz afinadíssima e delicada.

Dori é um dos três rebentos de Dorival (os outros dois são Nana e Danilo) e, embora ocasionalmente venha lançando CD’s nos quais resolve expor seus escassos recursos vocais, caracteriza-se mesmo pelo excepcional talento como músico e arranjador. Também é melodista inspirado e tem parcerias com vários bons letristas da nossa MPB.

“Rio-Bahia”, porém, não mostra nada de novo. A verdade é que soa datado e os seus arranjos econômicos não contribuem para que o CD deslanche. Complica ainda o fato de que vozes de Joyce e de Dori não combinam entre si, inobstante a diferença entre ambas (a dela, bem aguda; a dele, deveras grave) pudesse resultar numa agradável simbiose.

O novo disco traz algumas canções inéditas: uma parceria de Dori e Chico Buarque (a mediana “Fora de Hora”), uma homenagem de Joyce a Clara Nunes (“Demorô”) e uma parceria dela com o produtor e baixista Rodolfo Stroeter (“Daqui”), além da faixa-título. Dentre as regravações, merecem destaque a bem-humorada “Joãozinho Boa-Pinta” (de Geraldo Jaques e Haroldo Barbosa) e “Pra Que Chorar?” (de Baden Powell e Vinicius de Moraes). Mas poderia ser bem melhor…

 

 

N O V I D A D E S

 

·               O compositor e cantor Nino Karva foi o ganhador da 10ª edição do Festival Sescanção com a boa música “Pós-Moderno”, de sua própria autoria, em uma noite calorosa que contou com torcidas das cidades de Estância, Itaporanga e Canindé, e revelou uma excepcional canção, a vigorosa “Pareia Boa”, de Pedrinho Mendonça.

 

·               Falando em Nino Karva, o compositor e cantor irá, no final deste mês, à China. É que o talentoso artista também fabrica instrumentos musicais e irá expô-los na II Expo Brasil. Antes da viagem, porém, ele fará um show nesta quarta-feira, dia 10, a partir das 21 horas no Teatro Atheneu. Uma excelente oportunidade para quem quer conhecer o talento do rapaz!

 

·               Nos próximos dias 13 e 14 de maio (sábado e domingo), o Projeto MPB Petrobrás levará ao palco do Teatro Tobias Barreto o cantor e compositor Orlando Morais. O artista sergipano Minho San-Liver é o convidado para fazer o show de abertura. Encontro você por lá, viu?

 

·               “Ao Vivo em Portugal” é o título do CD que a cantora Joanna faz chegar ao mercado através da gravadora Som Livre. Gravado no Coliseu de Lisboa, o disco mostra a artista em pleno vigor vocal entoando grandes sucessos de sua vitoriosa carreira (“Momentos”, “Amanhã Talvez” e “Amor Bandido”). Há as participações afetivas de Fágner, Cazuza e Zeca Pagodinho nas faixas “Amor Alheio”, “Codinome Beija Flor” e “Colher de Pau”, respectivamente. Se por um lado fica nítido o desconforto da intérprete em terreno pop (“Tempos Modernos”, de Lulu Santos), por outro ela mostra que reina absoluta na seara romântica (“Do Fundo do Meu Coração” e “Tô Fazendo Falta” são exemplos disso). Dentre os destaques estão as homenagens de Joanna ao povo lusitano com as suas belas versões de “Barco Negro (Mãe Preta)” e “Estranha Forma de Vida”.

 

·               Desvinculada da Trama, a cantora Fernanda Porto já começa a arregimentar as canções que farão parte do projeto ao vivo que marcará a sua estréia na gravadora EMI. Duas das faixas já confirmadas são “Desde que o Samba é Samba” e “Tudo de Bom”, e ambas contarão com a participação de Daniela Mercury como convidada especial.

 

·               Música pop inteligente. É assim que pode ser caracterizado o primeiro CD da cantora goiana Bel Maia, intitulado “Rumo Certo”, uma produção independente que acabou de chegar ao mercado. Produzido com competência por Marcelo Maia, o disco mostra uma cantora segura e afinada, que não imita ninguém. Com timbre muito bonito e articulação perfeita, a garota ainda se mostra uma compositora inspirada. Autora da maioria das faixas do disco, suas letras contêm, via de regra, imagens interessantes. É o caso, por exemplo, de “Teresinha”, uma das melhores faixas do trabalho. Outros destaques, além da faixa-título, são: “Retratos”, “Lugar Nenhum” e “Toda Vez”, esta de autoria de Juraildes da Cruz, compositor que goza de grande prestígio na região Centro-Oeste. Vale a pena conhecer!

 

·               A trilha sonora do novo filme de José Joffily (“Achados e Perdidos”) leva a assinatura de André Abujamra, mas há uma canção inédita de Arnaldo Antunes intitulada “Hotel Fraternité”, composta com inspiração em poema do alemão Magnus Hans Enzensberger.

 

·               A cantora Marisa Monte já excursiona pelo país com o seu novo show, com repertório baseado em seus dois recém-lançados CD’s (“Infinito Particular” e “Universo ao Meu Redor”). A curiosidade é a inclusão de uma música inédita que tem feito o público se levantar das cadeiras para dançar. Trata-se da canção “Não É Proibido”, uma parceria da estrela com Dadi e Seu Jorge.

 

·               E a incansável Alcione lança mais um CD que resultou de um registro de show realizado na casa RioSampa, na Baixada Fluminense. Também disponível em formato DVD, “Uma Nova Paixão” conta com as participações especiais de Leci Brandão e de Marcelo D2.    

 

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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