Cartas e búzios atraem todo tipo de público

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Elizabete Araújo faz previsões com cartas há 20 anos
Há 20 anos a paraibana Elizabete Araújo faz previsão através de cartas. Há onze, ela montou um grupo com mais dois consultores de tarô e búzios e vem percorrendo vários shoppings do Brasil oferecendo os serviços de atendimento e divulgando o esoterismo, numa espécie de Feira de Esoterismo. O grupo fica em Aracaju até o dia 6/11 e oferece consultas ao preço de R$ 30.

No local, além das tendas montadas para o atendimento em uma das ciências de adivinhação, produtos esotéricos como cristais, incensos, pedras e outros símbolos estão à venda para aqueles que desejam energizar o ambiente em que convivem, ou apenas fazer decoração.

Cartas

A origem da previsão com cartas não é certa. Alguns historiadores creditam aos ciganos chineses, em 1120 anos depois de Cristo; outros, aos árabes, mais ou menos na mesma época. Elizabete explica, entretanto, que mesmo sendo facilmente ensinado, o método de previsão exige muito mais que horas de estudo.

Luiz Carlos, que é pai de santo, diz que clientes tem um perfil diversificado

“A pessoa tem que ter principalmente o dom. Claro que o estudo das cartas reforça, mas sem o dom a pessoa não passa da técnica. As cartas dizem muito nas entrelinhas”, diz. Nas consultas, que chegam a até 19 por dia, ela utiliza a cartomancia e as cartas ciganas. Mas as diferenças, segundo ela, estão apenas na história de cada método, pois a simbologia é a mesma.

Engana-se quem ainda pensa que a clientela é formada apenas por mulheres e que o principal tema é o amor. “Hoje todo mundo faz consulta: homens, mulheres, jovens. Não há um perfil exato, até porque o preconceito com a previsão através de cartas diminuiu muito”, acrescenta.

Ela alerta, no entanto, que as previsões apontam apenas aconselhamentos e que as pessoas devem evitar segui-los como mandamento de vida. “É como se fosse uma terapia. As cartas ajudam a muita gente, em vários sentidos, mas não se pode esperar que as coisas aconteçam instantaneamente. O nosso relógio é diferente do relógio do universo”, conta a cartomante.

Búzios

Trazidos ao país com os negros, na época da colonização, os búzios, de acordo com Luiz Carlos, foram a primeira moeda de troca de mercadorias e alimentos porque eram tidos como sinal de riqueza.  Ao adquirir o aspecto de adivinhação, a técnica se espalhou principalmente pelo nordeste, partindo de Salvador, onde há a maior concentração de terreiros de candomblé.

Ainda segundo o pai de santo, quem procura a consulta com búzios busca na verdade uma orientação, principalmente para tomar atitudes. “Hoje muita gente procura, principalmente para abrir empresas e saber como proceder da melhor forma”, diz. O público também é bem diversificado, variando de mulheres a políticos. Ele acrescenta que apenas os adeptos da religião afro podem realizar as consultas, o que exige sete anos de aprendizado.

Hoje, revela, o número de pessoas que procura consultas é bem maior. Em alguns dias na Feira de Esoterismo, chega a realizar 30 atendimentos. “Não há mais o preconceito com o candomblé por ser uma religião de negros. Hoje a aceitação é maior, consequentemente, as pessoas procuram mais”, pontua.

 

Por Diógenes de Souza e Raquel Almeida

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