Meteorologista aponta navio de Ilhas Marshall como suspeito pelo óleo

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Humberto Barbosa defende que Polícia Federal e a Marinha investiguem esse outro navio suspeito (Foto: reprodução vídeo da audiência na Câmara dos Deputados)

Um dado novo surgiu na manhã desta quinta-feira, 21, quanto à origem da substância oleosa derramada no oceano que afeta o litoral dos nove estados da região Nordeste e o Espírito Santo, no Sudeste brasileiro. Ao prestar esclarecimentos na audiência pública da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que trata sobre o derramamento do óleo, o meteorologista e professor Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), levantou novas suspeitas e contesta a versão da Marinha do Brasil que trabalha com a hipótese da responsabilidade do navio Bouboulina, de bandeira grega, sobre esse desastre ambiental que continua trazendo prejuízos ao litoral brasileiro.

O meteorologista diz que a questão não está finalizada, mas pede que a Polícia Federal e a Marinha do Brasil incluam o navio Voyager I, de bandeira das Ilhas Marshall, no rol das investigações que ainda não foram concluídas. O navio aparece nas imagens de satélites analisadas por aquele laboratório, segundo o meteorologista. “O Lapis não tem ferramenta criminal para dizer que o Voyager I é o culpado”, diz. Mas observou que utilizou dados técnicos baseados nas evidências das imagens de satélites, que indicam a presença do Voyager I na região no período em que as primeiras grandes manchas de óleo apareceram entre os Estados do Rio Grande do Norte e a Paraíba, entre os dias 19 e 24 de julho deste ano.

Evidências

O meteorologista Humberto Barbosa explica que a suspeição parte das evidências das imagens captadas por satélites e também baseada nas informações de inteligência marinha disponibilizadas pela Marine Traffic, provedor de rastreamento e de inteligência marítima que permite rastrear os movimentos dos navios no mundo.

Ele também destacou que o navio estava com sinal desligado, classificado como fantasma em alguns pontos. “Deduzimos que o navio não tinha localização no sistema internacional como é exigido por lei”, disse. No entanto, ao se aproximar das Ilhas Bahamas, o navio teria então ligado o sinal, permitindo a sua visualização pelos organismos internacionais que fazem o monitoramento dessas embarcações. “Ele [o navio em questão] era fantasma até aquele ponto, mas chegando na região do Bahamas, ele passava a não ser mais um navio fantasma”, declarou o meteorologista durante pronunciamento que fez na audiência.

O meteorologista relatou que a rota original do navio suspeito passa pela Venezuela, mas como ele passou a ficar na condição de fantasma em alguns trechos, não foi possível naqueles dias constatar se efetivamente a embarcação cumpriu o roteiro original naquela época. O Lapis identificou a grande mancha de óleo pela primeira vez no dia 24 de julho deste ano e, a partir dessa observação, a equipe do Lapis se debruçou a analisar as imagens em datas retroativas. Com base nessas análises, conforme frisou o professor e meteorologista Humberto Barbosa, percebeu-se que o navio grego Bouboulina passou pela região dois depois do surgimento daquela imensa mancha de óleo. Na opinião do professor, esse episódio descarta a relação da embarcação de bandeira grega com as manchas.

Todos os aspectos da movimentação do navio Voyager I estão destacados no dossiê produzido pelo Lapis, que será encaminhado para a Polícia Federal e também para a Marinha do Brasil. O meteorologista concluiu o pronunciamento destacando que o Brasil está vulnerável a acidentes desta natureza. “O Brasil ainda não dispõe de um sistema de monitoramento operacional contínuo dos nossos mares e está à mercê de incidentes de vazamento de óleo”, observou.

O Portal Infonet tentou ouvir a Marinha do Brasil e também a empresa alemã para qual o navio suspeito presta serviços, mas não obteve êxito. O Portal Infonet permanece à disposição. Informações podem ser enviadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 – 8000.

por Cassia Santana

 

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